Viagem de Moto Viagem de Moto Inspirando viajantes

Alma de Condor

1º pouso Sault St. Marie 681kmAssim cheguei em Sault Ste. Marie, que se pronuncia "Su San Merry", uma cidade canadense bem próxima da fronteira com os Estados Unidos, com 75.000 habitantes, uma calma, uma ordem absoluta. Cheguei até cedo, umas oito da noite (ou dia) local. Tudo fechado, mas ainda com luz do sol.

Foi muita chuva nesse dia. Usei capa o dia todo, contrastando bem com os dias secos de 18.000 km anteriores.

Cycle World ScarboroughFoi emocionante reencontrar a família em Toronto. Em 2012, acompanhei minha sobrinha Sofia, então recém-nascida, necessitando de uma importante cirurgia cardíaca. Era alarmante ver a dificuldade com que respirava. Não ganhava peso. Era grave a situação. Operada às pressas, lutou bravamente por sua vida, e teve sucesso. Assim foi o seu primeiro grande desafio, à altura da maior de todas as aventuras que alguém possa ter. Ela queria viver; me lembro de ter pensado isso. Sentia uma energia forte nela. A vontade contém em si o gênio, o poder, a magia .... Tão logo cheguei na Roxburry St., lá estavam ela e meu sobrinho Igor, um pouco mais velho que a irmã, acordados mesmo àquela hora da noite, mais crescidos e saudáveis, uma beleza! Fiquei feliz de tê-los encontrado naquela noite. Bons presságios para a largada ao Alaska.

So, Monday morning, early, lá estava eu na Cycle World. Peguei as tralhas na casa do meu irmão, e ele me deu carona até a Sheppard Avenue, onde chegamos bem antes de a loja abrir. Ansiedade ...

Depois de longo e tenebroso invernoDe todo modo, após a virada de 2012 para 2013, era hora de recomeçar a planejar concretamente e tomar providências, ou então desistir. Será? Já estava cansado da viagem, isto porque ela não saiu de mim esses meses todos, ficava rodando na minha cabeça involuntariamente, e já estava de saco cheio, pra falar a verdade. Se ao menos eu pudesse resolver tudo de uma vez ..., mas não, era preciso esperar o momento certo de cada coisa, e no Canadá o bicho tava pegando, num inverno rigoroso, sob neve, a menos 20 graus Celsius. Essa era a realidade da V-Strom debaixo de uma capa de plástico no jardim nos fundos da casa do meu irmão, contrastando completamente com o intenso calor de dezembro e janeiro do Brasil.

27 07 2012- em algum lugar em RO perto do ACOs meses que antecederam essa nova estada em Toronto, entre agosto de 2012 e junho de 2013, foram em boa parte de júbilo pela meta alcançada na etapa anterior. De Sorocaba a Toronto, sozinho de moto, por doze países e mais de 18.000 km, ah, isso tinha de fato sido grande coisa pra mim, e continua sendo. Uma vitória pessoal, e também da família, que soube se organizar bem e tocar tudo em frente enquanto estive fora.

Passei um tempo satisfeito com o que fizera, organizando fotos, repensando a viagem, e até uma matéria muito bacana saiu no jornal da cidade sobre isso. É claro que, em paralelo, voltava a rotina, famigerada rotina, da qual a moto ainda é uma das vias de escape, a mais eficiente na minha opinião. Talvez por isso, enquanto aguardava a próxima partida, ainda segui viajando nos fins de semana, ora de carro, ora de moto. Ilha Bela/SP, Cidades Históricas de Minas Gerais, Petar – Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – em Iporanga, sul do Estado de São Paulo, Paraty/RJ, Pedra Bela, em Socorro/SP. Lugares incríveis, aqui pertinho. E também viajei no livro do Vantuir Boppré, "Transamazônica, uma estrada para ser vista da Lua", já fantasiando uma possível futura empreitada no coração do Brasil.

Despedida da familiaRumo ao Alaska: sim, a aventura continuou.

Era junho de 2013, sexta-feira, e minha viagem de volta a Toronto, por avião, se iniciaria no dia seguinte, logo à 1h25min da madrugada do sábado. Dureza! Esse vôo foi escolhido por ser bem mais barato, mas além do horário ingrato, tinha escala em Bogotá de 9 horas (!), pra só depois seguir ao Canadá, onde a V-Strom aguardava há quase dez meses para finalmente seguir ao tão sonhado Alaska.

"Você sabe o que significa sair do Brasil de motocicleta e chegar aos Estados Unidos? É uma lição de humanidade. As diferenças são tão absurdas que nenhum curso, mestrado ou doutorado poderá ilustrar um milésimo do que você aprende seguindo a Rodovia Panamericana. Na minha opinião, a verdadeira Universidade da América", declara o curitibano Clodoaldo Turbay Braga, em um pequeno trecho de seu livro Alaska, além do Círculo Polar Ártico. As palavras ilustram a última - e maior - experiência do sorocabano Wagner Alexandre Corrêa, de 41 anos, em cima de uma moto.

O trecho de Sorocaba a Toronto, no Canadá, incluiu quase quatro mil quilômetros pelo interior do Brasil, além de uma travessia por 11 países: Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, México, Estados Unidos e o próprio Canadá. No total, foram 18.100 quilômetros, percorridos em 34 dias. O livro de Clodoaldo foi, de forma mais imediata, o que contribuiu para que Wagner tomasse a decisão de fazer a viagem.

Saindo de Cuzco rumo à NazcaPuxa, apenas 10 horas de avião me trouxeram de volta à minha realidade, ao meu cotidiano em SP, Brasil, e agora os 37 dias de viagem, 34 dias de estradas, tornaram-se coisa do passado. Nem parece que foi real. Ainda bem que tirei muitas fotos! Às vezes parece um sonho, pois foi muita informação para processar - e ainda estou absorvendo -, muita variação nas paisagens, culturas, modos, condições, facilidades ou adversidades. Até parece que fiquei um ano viajando. Nos dois dias em que acordei na minha cama, ainda acordei demorando uns segundos pra perceber onde estava. Vão ficar as lembranças, essas acho que marcaram fundo. Eu não quero esquecer de nada, nenhum detalhe. Sinto-me um privilegiado em ser um motoviajante, junto com vários outros com expedições maiores ou menores, em viagens incríveis postadas neste site.

Última grande reta da viagem rumo ao norte dos EUA. Daqui faltam só 2.500km para MarkhamOlá amigos! Cheguei em Toronto!!! Na verdade foi no domingo último. A viagem foi se precipitando no final, parecia que tudo ia me empurrando, foi muito rápido e eu não tinha tempo livre. Fazia mil km por dia e quando escurecia eu parava pra dormir em beira de estrada, hotéis bons, mas sem computador para os hospedes, então ficamos sem os relatos.

Como foi viajar nos EUA? Muito mais fácil, claro. Depois do choque inicial no Texas, me acostumei com o esquema: placas com muita informação, estradas excelentes. Essas estradas nunca são engolidas pelas cidades, como ocorre no caminho ate o México. A cidade fica para os lados, preservada, há saídas muito bem sinalizadas e em cada saída tem pelo menos um posto, uma conveniência, um restaurante e um hotel. Se você cansa, e só ficar por ali mesmo. Não atrapalha a cidade e a cidade não atrapalha você. Então rende bem e fazer mil km nos EUA e bem tranquilo.

OK, pessoal, sem muitas noticias, só pra dizer que estou no Tennessee, White House, esperando o dia de amanhã pra fazer mais 1000 quilômetros em direção ao norte.

Viagem bem tranquila depois de New Orleans, mas sem computador pra contar tudo direitinho.

Nos falamos quando puder.

Abraços

Wagner

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