Autor: Artur Albuquerque

  • Taylor – Jasper – 57º dia

    Acordei melhor, com a alma menos cinzenta. Mas, era importante fugir logo dali. Entreguei a chave do quarto ao chinês risonho, nem abasteci a Electra e fui me libertar dos fantasmas que me assolavam a alma, na estrada. Pilotar uma boa máquina em uma boa estrada, envolvida pela beleza da natureza – não há melhor…

  • Watson Lake – Taylor – 56º dia

    Quando me preparava para partir, vejo uma caminhonete do Brasil toda adesivada, estacionada em frente a pousada. Infelizmente, não pude falar com os paulistas. Só podiam ser paulistas e muito bem relacionados, porque algumas logos estampadas eram todas do mais alto nível político e financeiro. Parti com um dia ensolarado e finalmente pude guardar a…

  • Watson Lake – 55º dia

    É um pequeno povoado, que é conhecido no nosso meio porque abriga a famosa Floresta de Placas, onde a maioria dos motociclistas gostaria de colocar uma placa de seu moto clube, como fez o Roberto, afixando em um dos totens do local uma placa dos Harley’s Dogs MC. Como nesta pequena cidade, em todos os…

  • Tok – Watson Lake – 54º dia

    Às 05h30 ligo o computador e vejo o e-mail do amigo Michael, dando-me as boas vindas, em Watson Lake. Como o café em Tok será uma hora mais tarde, às 07h, em jejum, parto para a estrada. Como dizem os sábios: a privação – de vez em quando – é boa para o corpo e…

  • Fairbanks – Tok – 53º dia

    Às 08h, a Electra já estava pronta para a partida e a chuva não parava. Depois de encher os tanques de gasolina – 1 tanque da Harley de 23 litros e 2 galões de 8 litros de reserva – passei na loja H-D para comprar 1 litro de óleo do motor – para completar o…

  • Fairbanks – 52º dia

    Às 9 horas do dia 25 de Julho, a Electra entrou na concessionária Harley-Davidson para fazer a revisão geral, trocar ambos os pneus e lavagem. Às 17 horas estava pronta. Apenas a lavagem deixou muito a desejar, porque ficou muito barro entranhado nas fendas e sujeiras de insetos etc. nas superfícies. A solução foi apelar…

  • Deadhorse – Fairbanks – 51º dia

    Preocupado com o clima, acordei à meia-noite para ver o céu; estava coberto de nuvens pesadas e o dia não tinha anoitecido; continuava claro como o fim do entardecer. Aqui é a terra do Sol da Meia-Noite e é verão (frio pra caraca!). Levantei às 06h e mesmo com a fartura de comida no refeitório…

  • Deadhorse e Prudhoe Bay – 50º dia

    Deadhorse é uma comunidade no North Slope Borough, que é a região no extremo norte do Alaska, próximo ao oceano Ártico. A função da cidade consiste basicamente em disponibilizar facilidades para os trabalhadores e companhias que operam nos campos petrolíferos de Prudhoe Bay. Os hotéis destinados a apoiar os trabalhadores são constituídos de alojamentos de…

  • Fairbanks – Deadhorse – 49º dia

    Às 04h da manhã, nos despedimos e o Robertinho seguiu para o aeroporto, voltando para casa. Fiquei triste com a partida do amigo. Mas, foi a melhor solução para ele, pois estava sofrendo demais. – Grande companheiro! Não vou esquecer suas lições: olho nas placas, não fique sem gasolina e nem hotel e não corra…

  • Fairbanks – 48º dia

    Depois do café da manhã, fomos preparar as Electras para os próximos destinos: a do Robertinho para embarque para o Rio e a minha para seguir para o extremo norte. Pedi um mapa na recepção do hotel e orientação para chegar a Fox, a última referência urbana para a AK 11, a respeitada Dalton Highway.…

  • Tok – Fairbanks – 47º dia

    Manhã com sol e frio. Na hora da partida, percebi um ruído estranho no motor. Fui verificar o nível de óleo: estava muito baixo. Completei com um litro e o som do motor normalizou. A menina estava apenas com sede. Às 8 horas já estávamos percorrendo o tapete da estrada. Uma cordilheira nos acompanhava pelo…

  • Whitehorse – Tok – 46º dia

    Whitehorse é uma cidade bonita e bem estruturada com amplas avenidas. É um bom lugar para conhecer e descansar por mais de um dia. Chegamos com chuva e estamos partindo com chuva, às 8 horas. O frio continuou, mesmo quando o sol apareceu, tentando driblar as nuvens e nos aquecer na estrada. A paisagem perdeu…

  • Watson Lake – Whitehorse – 45º dia

    Quando íamos sair, o motor de partida da Electra do Robertinho apresentou problema durante algumas tentativas, e depois normalizou. Como estava sol, guardei a segunda pele esperando que o tempo esquentasse. Na estrada, em torno da 07h, estava muito frio, mesmo com sol. A Alaska Highway serpenteava no Yukon, nos levando por campos, lagos e…

  • Fort Nelson – Watson Lake – 44º dia

    Abro a janela do hotel e o céu continua nublado. Continuamos na Alaska Highway, em direção ao norte. Mal saímos da cidade e a estrada é envolvida pela floresta. Uma neblina baixa e espessa nos obriga a reduzir bastante a velocidade, preocupados principalmente com a possibilidade de choque com animais. Poucos carros trafegam pela manhã.…

  • Dawson Creek – Fort Nelson – 43º dia

    Manhã escura e a chuva não dá trégua. Depois da má experiência de ter que equilibrar muito peso no banco do carona – que eleva o Centro de Gravidade do conjunto piloto, bagagem e motocicleta – fiz uma nova redistribuição da bagagem, colocando maiores pesos como o computador nos alforjes, a fim de baixar o…

  • Prince George – Dawson Creek – 42º dia

    Acordei às 05:00h, preocupado com os pneus. Estão em perfeito estado, mas onde programar a troca? Será que lá, pelas cidades da isolada região de Yukon terá uma loja H-D em condições de nos atender? Terão as medidas que preciso? Riscos. Como avaliar? Depois de muita elucubração e conversa com o Robertinho – que parece…

  • Vancouver North – Prince George – 41º dia

    A manhã estava chuvosa e muito fria, reforçando os comentários sobre o Canada estar passando por um período climático atípico, tendo em vista o verão continuar frio e muito nebuloso. Já lançamos a segunda pele no corpo, na expectativa de tempo muito ruim, porque a carranca do céu não estava nada agradável. Por cima da…

  • Vancouver North – 40º dia

    Manhã chuvosa e não conseguimos dormir além das 06h. Cedo, começamos a conversar sobre a necessidade de antecipação de reservas de hotéis para participar do encontro de motos em Sturgis. Com esse pretexto, revimos todo o roteiro de retorno do Alaska, a previsão de permanência no Canadá e fizemos todas as reservas de hotéis nos…

  • Portland – Vancouver North – 39º dia

    Preparamos as Electras para o mau tempo, coloquei a capa que comprei em Albuquerque e fiquei muito satisfeito com a compra, porque ela funcionou perfeitamente sem me superaquecer, me banhando de suor, durante os 100 km que pegamos de chuva contínua. Mesmos sob água forte, a polícia não dava trégua. Próximo às cidades, a polícia…

  • Eureka – Portland – 38º dia

    Partimos de Eureka às 7 horas com o tempo nublado e seguimos pela US 101 Norte, percorrendo uma longa distância, próximo ao mar. Em Berry Glenn, penetramos em uma região serrana com rios límpidos e florestas lindíssimos, onde a estrada passava entre árvores enormes e tão próximas umas das outras que dificultavam a penetração da…

  • San Francisco – Eureka – 37º dia

    Depois de um bom café da manhã no Hotel California, fomos pegar as motos no estacionamento. Demos partida nos motores e como sempre, responderam forte, sem nenhum problema. Às 08h30 estávamos abandonando a Lombard St, na direção da Golden Gate Bridge para pegar a US-101/Norte. A bruma que vinha do mar e cobria toda a…

  • San Francisco – 36º dia

    Chegar a San Francisco foi simples, pois a US – 101/N nos deixou próximo a Golden Gate Bridge, que era a nossa referência para chegarmos a 580 Geary Street, onde reservamos um apartamento no Hotel California, da rede Best Western. A cidade cenário do filme Bullit – com suas ladeiras em degraus – é impressionante…

  • Santa Bárbara – San Francisco – 35º dia

    Na vinda para Santa Barbara, nos despedimos do astral da US Route 66 – The Mother Road – que foi o berço do primeiro Motel e do primeiro McDonald’s do mundo, além de cenário de filmes como o memorável Easy Rider, representando a via de acesso aos sonhos de milhares de aventureiros em busca de…

  • Kingman – Santa Bárbara – 34º dia

    Antes de partirmos de Kingman, às 07h já estávamos tirando uma foto no setor Historic Route 66, como antidoto para o esquecimento, caso algum dia a memória falhar. Aceleramos as Electras pela I-40 sob um céu azul sem nuvens e com o sol pelas costas, seguindo no rumo oeste. O deserto californiano nos recebia como…

  • Albuquerque – Kingman – 33º dia

    A fim de padecermos menos sob o sol inclemente, às 06h30 pegamos a estrada. O dia amanhecia ensolarado e com nuvens esparsas. Como estava cedo, no deserto ainda estava frio. Seguimos durante muito tempo com o sol pelas costas. A estrada cortava a pradaria imensa e sempre acompanhada por uma estrada de ferro em plena…

  • Albuquerque City – 32º dia

    Após o café, seguimos às 08h para a loja da Harley-Davidson Tunderbird e o Ryan recebeu nossas motos, fazendo a gentileza de dar a prioridade necessária para que elas estivessem prontas para seguir viagem, às 17h. Na loja fizemos amizade com o Stu, que nos fez companhia e nos falou bastante sobre a bela cidade…

  • Weatherford – Albuquerque – 31º dia

    Partimos com o sol reinando soberano no céu. Excelentes estradas, seguimos pela I-40, no rumo oeste. Muitos harleyros na estrada, solitários ou em pequenos e grandes grupos, seguem curtindo o espírito da Route 66, que é lembrada ao longo de toda I-40. Sempre nos cumprimentam. Grandes camionetes puxando trailers imensos e luxuosos se movimentam em ambos sentidos,…

  • San Antonio – Weatherford – 30º dia

    Realmente os Estados Unidos são um choque de civilização moderna e competente. O contraste entre o que vemos e o que vimos antes de Laredo é uma aberração. É extremamente agradável ver a fartura, o detalhamento e a organização com que tudo funciona a nossa volta. Conhecer os Estados Unidos da América, é um choque…

  • Ciudad Vitoria – San Antonio – 29º dia

    Às 06h30 já estávamos na estrada, tanque cheio e roupa de chuva, prontos para o combate. Na boa estrada, a tempestade ou os últimos estertores do Hurricane Arlene já se apresentava com toda a intensidade. Escuridão e um aguaceiro contínuo que impedia a boa visão de quem vinha em mão contrária. Não havia raios ou…

  • Tuxplan – Ciudad Victoria – 28º dia

    A noite passada foi a pior de todas, porque estávamos preocupados sobre como seria o amanhã: iríamos passar por parte da rota principal do atrito, entre Tampico e Matamoros. Até então, eu, particularmente, estava meio cético creditando o excesso de boatos a lenda urbana. Infelizmente, o repórter Alexandre Meneghini me deu toda certeza que eu…