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Como era de se esperar, as fronteiras são sempre um tormento para quem está viajando. Em países de terceiro mundo, como os da América do Sul (Brasil incluso, claro), tudo fica mais difícil. É como dizia mestre Raul: "tem que ser selado, carimbado, rotulado se quiser voar...". No nosso caso, se quiser passar... Sinceramente, não entendo um Mercado Comum, onde nenhum dos povos dos países integrantes tem interesse em imigrar. Porque essa danada da burocracia tem que imperar. Deixa o turista ir e vir, livre para gastar em terras estrangeiras, sem aborrecimento e perda de tempo. Já existe um suposto Mercado Comum (negócios)!!! então deixa o povo passar.

Prezados leitores, finalmente chegamos ao Fin Del Mundo. Ushuaia foi atingida em cheio, com muitas fotos pelo caminho, poses de conquistadores e uma alegria indescritível ao ver o Portal de entrada da cidade. Estava muito frio para dois Amazônicos como nós, mas o espírito de conquista nos fazia esquecer esse detalhe.

Acordamos tarde no segundo dia no fim do mundo, afinal nos últimos 13 dias só madrugamos. Para quem me conhece, é um sacrifício. Gosto muito de dormir, mas não sou preguiçoso.

Fomos almoçar e o nosso guia sugeriu Parrilla. Falei que não gosto de carneiro, não gosto disso e daquilo. Pois não é que estava bom? Nunca comi uma carne de carneiro tão boa. E olha que não era cordeiro al fueguino.

Saímos de Ushuaia sob forte frio. O dia anunciava muita chuva, por isso tratei de improvisar uns sacos plásticos para não molhar as luvas comuns. O par de luvas com forro térmico e impermeável não entrou na minha mão nem a porrete (estava tudo enrolado dentro, não sei como um fabricante famoso faz uma porcaria dessas). A coisa ficou tão feia que o João Frank jurou que viu um ET de Varginha pilotando uma Midnight. Nem liguei, até o vento rasgar o danado do saco. O jeito foi encarar o frio de frente, só que não imaginava que seria tão forte. Pois é gente, pegamos neve na estrada. E como nevava... A Elielza gemia de um lado e eu de outro. Enfim, depois que passamos a parte mais alta da rodovia (Paso Garibaldi), tudo se acalmou.

A demora em sair de Punta Arenas foi porque precisávamos comprar um acessório imprescindível para quem viaja de moto por essas bandas. Esse acessório chama-se Protetor de Punho. Ele é muito útil para não deixar a mão congelar, pois bloqueia a entrada de vento, por isso recomendo a quem vier passear de moto por aqui não esquecer esse acessório, pois mesmo com luva térmica, o vento gelado insiste em endurecer as mãos.

Hoje levantamos cedo, arrumamos as coisas, nos despedimos dos bondosos donos do hostal e partimos às 08h30min.

Tudo estava perfeito até o João ouvir um barulho estranho no motor da Super Ténéré. "Opa, isso está me soando mal" - disse ele. Cheguei perto e também ouvi. Comentei com minha mulher que o nosso parceiro de viagem está em apuros, algo grave estava acontecendo.

Contratamos um pacote para o Glaciar Perito Moreno com direito a caminhada no gelo. Estava muito ansioso com essa experiência, afinal na minha terra só conheço gelo em barras ou ensacado. Antes do embarque para atravessar o lago que dá acesso ao Glaciar, fomos apreciar a magnitude do grandão a partir das passarelas colocadas estrategicamente nos melhores pontos. Não há quem não se impressione com tamanha beleza, com tamanha magnitude, que nos faz sentir-nos pequenos diante da grandiosidade da natureza.

Hoje amanhecemos com o temor do vento a partir de El Calafate, afinal tínhamos sofrido bastante com ele na ida (o pior de toda a viagem). Mas o que temíamos não aconteceu, nos deixando surpresos com tamanha calmaria. Foram 1050 km de pura tranquilidade, parece que estávamos no paraíso. Muito estranho, em plena Patagônia viajar um dia inteiro sem vento. Paramos várias vezes na rodovia para ver se era verdade, e era mesmo.

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