8º dia – De Srinagar a Jammu

Hora de dar meia-volta. Começava nossa jornada de retorno para Nova Délhi. Teríamos pela frente mais de 850 km, em estradas melhores do que as que enfrentamos até então, mas, segundo o nosso amigo indiano Ankur, não seria possível fazer esse trajeto em menos de três dias. Para hoje, a meta era chegar até Jammu, cidade próxima à fronteira com o Paquistão.

A estrada estava completamente asfaltada, com alguns poucos trechos de cascalho e buracos traiçoeiros, exigindo atenção constante. Cruzamos uma região montanhosa, onde a altitude variava bastante — e com ela, a temperatura. Nos pontos mais altos, o clima era agradável. Já nos trechos mais baixos, o calor castigava.

As curvas foram uma constante ao longo do dia. Algumas bem fechadas, outras até perigosas, principalmente por conta do tráfego intenso.

A região da Caxemira ainda vive um clima de tensão entre Índia e Paquistão. Por isso, vimos um verdadeiro comboio de veículos militares pelas estradas. Centenas de caminhões e jipes do exército, o que tornava a viagem mais lenta e estressante. A cada curva, precisávamos ultrapassar diversos caminhões, sempre em pistas estreitas e sinuosas. Os engarrafamentos eram frequentes, especialmente quando dois caminhões grandes se encontravam em sentidos opostos — e não havia espaço para os dois passarem.

Em um desses pontos, chegamos a um longo túnel de via única, onde o trânsito estava totalmente parado. Um caminhão havia quebrado bem no meio do túnel, impedindo a passagem de qualquer veículo. Ficamos ali, debaixo de um sol de rachar, conversando com alguns soldados que também aguardavam a liberação. Depois de quase uma hora de espera, finalmente bloquearam o fluxo no sentido contrário e permitiram nossa travessia.

Mais adiante, cruzamos uma bela floresta de pinheiros. Paramos para beber água, descansar um pouco e eu aproveitei para registrar algumas fotos dos coloridos caminhões indianos, sempre enfeitados com pinturas e enfeites únicos.

A nota mais interessante do dia foi quando estávamos próximos a Jammu e, logo depois de uma curva, nos deparamos com um dromedário (uma corcova) andando calmamente pela estrada, sem ninguém tomando conta. Tivemos que parar para tirar algumas fotos.

Conversamos com um senhor que pilotava uma pequena moto e estava parado à beira da estrada. Estávamos confusos sobre o caminho a seguir e parece que ele não entendeu que queríamos ficar na cidade de Jammu e estávamos procurando por hotel. Pediu para nós o seguirmos e ele estava nos levando pelas ruas movimentadas da cidade, sem parar nos hotéis. Passamos por um muito bacana e resolvemos parar para olhar o preço. Resolvemos ficar. O mais caro da viagem, mas o melhor de todos que pernoitamos. Roupas de cama limpas, finalmente. Comemos no restaurante do próprio hotel.


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