Depois do café da manhã no hotel, arrumei a bagagem, montei na moto e fui cruzando as ruas e avenidas de Campo Grande até sair da cidade. Segui a dica de um amigo que conhece bem a região e peguei a BR-060, passando por Sidrolândia, rumo a Bonito.
A paisagem continuava no mesmo estilo dos dias anteriores: vastas lavouras de cana-de-açúcar já colhidas e pastagens com gado. O que chamava a atenção era a névoa acinzentada no horizonte. Era fumaça. A imprensa vinha noticiando as queimadas no Pantanal, e parecia que eu me aproximava da região afetada. Fiquei apreensivo com a possibilidade de encontrar fogo às margens da rodovia — o que, além do risco para minha segurança, poderia comprometer a respiração. Mas, apesar do cenário nebuloso e triste, felizmente não vi nenhum foco de incêndio, só o rastro da fumaça pairando no céu.
Por volta do meio-dia, cheguei a uma rotatória com uma placa indicando a entrada para Bonito. Parei para a tradicional foto. Placa não mente! 😄

Tinha reservado, via Airbnb, um quarto num camping nos arredores da cidade. Mesmo sem ter recebido confirmação, fui até o local. Ao chegar, a dona me informou que não havia disponibilidade e que não respondeu à reserva porque estava sem acesso ao computador. Frustrante. Já tive outros problemas com o Airbnb, mas, ao menos nas outras vezes, os anfitriões cancelaram antes da viagem começar. Por causa disso, tenho recorrido à plataforma só em último caso. Prefiro sites como o Booking, que oferece mais garantias.
Consultei o mapa e encontrei várias pousadas por perto. Na primeira, sem vaga. Na segunda, consegui um quarto disponível até sábado. Fechei a reserva. Mais tarde, a proprietária me disse que eu até poderia estender a estadia para o feriado, desde que aceitasse pagar três vezes mais caro pela diária do fim de semana. Disse que pensaria no assunto. Pedi sugestões de passeios e ela me colocou em contato com uma operadora de turismo, que reservou três atividades, sendo a primeira no Parque das Cachoeiras.
Em Bonito, os passeios são todos pagos e tabelados. Não são baratos e precisam ser reservados exclusivamente por agências. Não é possível visitar os atrativos por conta própria, o que limita bastante a espontaneidade do viajante.
Com o horário apertado e sem tempo para almoçar, guardei a bagagem, troquei de roupa e parti para o Parque das Cachoeiras. A partir da pousada, são 13 km pela MS-178 até a entrada da fazenda, mais 7 km de estrada de terra por dentro de pastos e mata nativa até a sede. A estrada não é difícil, mas o cascalho solto em algumas curvas exige atenção, principalmente para quem está de moto.











O passeio é feito com guia. Por causa da pandemia, o número máximo por grupo era de 6 pessoas. Eu faria o trajeto com uma família que acabou se atrasando. Comecei a caminhada com o guia e, mais tarde, eles nos alcançaram. O circuito segue por passarelas de madeira em meio à mata ciliar, com sete belas cachoeiras ao longo do Rio Mimoso. Em cada uma delas há paradas para banho nas águas frescas, cristalinas e de tom esverdeado, além de oportunidades para fotos e contemplação. Uma alternativa ao parque é a Estância Mimosa, que oferece um circuito similar do outro lado do rio.
Como o passeio começou tarde, o grupo ficou com receio de retornar no escuro e decidiu não parar nas últimas cachoeiras. Quando voltamos à sede, a noite já caía.
Na estrada de terra de volta à cidade, com o farol da moto ligado, vi rapidamente uma família de raposas cruzando o caminho. Foi um daqueles momentos discretos, mas mágicos, que só quem viaja devagar repara.
Chegando na pousada, tomei um banho e saí a pé até um bar ali perto, frequentado pelos moradores locais. Pedi uma cerveja gelada e comi novamente iscas de peixe, prato que tem sido fiel companheiro desta viagem — e por um preço justo.

Foram cerca de 250 km rodados no dia. Menos estrada, mais natureza, e o início da descoberta de uma das regiões mais bonitas do Brasil.











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