No nono dia desta viagem de moto, enfrentamos um desafio maior que a própria estrada sinuosa que se estendia à nossa frente e tão grandioso quanto as paisagens que se desdobravam diante de nossos olhos: a temperatura gélida que marcava o despertar em Susques, a 3900 metros de altitude. O termômetro implacável apontava 2ºC, enquanto um vento cortante sussurrava um frio ainda mais intenso. Em camadas sobrepostas de roupas, nos armamos contra o vento e o frio inclemente que penetrava até os ossos, prontos para mais uma jornada através do espetáculo natural das Cordilheiras dos Andes.
Parando em um posto de gasolina logo após a cidade, enfrentamos não apenas o desafio do combustível mais caro da jornada até então, mas também as pequenas adversidades da estrada: buracos que exigiam nossa atenção constante, enquanto o sol se esgueirava entre montanhas majestosas, tingindo a paisagem de cores inebriantes.



O desafio era não apenas manter o foco na estrada, mas também resistir ao fascínio da paisagem exuberante que nos rodeava. Uma sinfonia visual se desenrolava diante de nós, uma explosão de cores e formas que clamava por registros fotográficos a cada curva. Montanhas que se pintavam em um arco-íris de tons, pontuadas por picos nevados e vulcões adormecidos espreitando o horizonte, lagos de águas cristalinas, lhamas e vicunhas pastando livremente em pastos dourados se estendendo ao sol, tudo sob o abraço majestoso do céu azul intenso. Cada momento era uma imersão sensorial na natureza inóspita, selvagem, grandiosa e exuberante e um convite irresistível à contemplação.
Um contratempo técnico, contudo, nos trouxe à realidade: a filmadora, com sinais de protesto contra o frio intenso, nos obrigou a improvisar soluções diante do aviso de temperaturas abaixo de 0ºC incompatíveis com seu funcionamento.



A placa de fronteira entre Argentina e Chile, sob um céu imensamente azul, não foi apenas um marco geográfico, mas um ponto simbólico de celebração e conquista com fotografias e sorrisos compartilhados.
O Paso de Jama, a 4320 metros de altitude, testemunhou nossa passagem, seguida de uma breve parada no posto de combustível para abastecimento das motos e um lanche revigorante.
Cidade | Litros | Valor em moeda local | Valor – R$ | Distância | km / l | R$ – l |
Susques | 9,315 | 14000 | 78,06 | 198,6 | 21,320 | 9,38 |
Jama | 4,913 | 5522 | 31,52 | 110,9 | 22,573 | 6,42 |
As formalidades migratória e alfandegária consumiram nosso tempo e foram mais uma etapa vencida, liberando-nos para adentrar o território chileno pela Ruta 27, ascendendo gradualmente rumo ao céu por paisagens que desafiavam a descrição, enquanto as montanhas erguiam-se imponentes em um espetáculo de formas e cores.




Lagunas serenas refletiam o céu e se sucediam, cada uma delas pintura única em meio à vastidão. Na Laguna de Tara, a tentação era irresistível, levando-me às suas margens para capturar em imagens a magia efêmera e a grandiosidade que nos envolvia.

Picos nevados e vulcões majestosos eram agora nossos companheiros de estrada, uma sinfonia visual que nos fazia esquecer a dificuldade de respirar no ar rarefeito das alturas. Lhamas e vicunhas cruzavam nossos caminhos, testemunhas silenciosas de nossa jornada. Difícil não emocionar dentro do capacete diante de tantas maravilhas.






Em meio a esse espetáculo natural, encontramos momentos de pura magia e inocência: Alice brincou pela primeira vez com a neve, um momento de pura alegria em meio à vastidão das montanhas.

A visão dos imponentes vulcões Juriques e Licancabur, testemunhas imutáveis do tempo, nos deixou sem palavras, embora a falta de ar na altitude nos lembrasse constantemente da fragilidade humana diante da natureza imponente. Eles anunciaram nossa chegada à maior altitude da jornada, 4800 metros, onde o ar rarefeito recordava nossa fragilidade diante da natureza.




A descida íngreme da estrada nos conduziu, finalmente, a San Pedro de Atacama, um oásis e o coração pulsante do deserto. Nossa chegada, pouco após as 15h, foi marcada por uma mistura de alívio e êxtase.
O pequeno hotel em Licanantay nos aguardava. Liberados dos nossos capacetes, armaduras e bagagens e um banho revigorante preparou-nos para mergulhar na atmosfera mágica de San Pedro, que nos chamava para explorar suas ruas poeirentas, saborear sua culinária e nos deleitar com a cerveja local, em um brinde à jornada épica que nos trouxe até ali e às conquistas deste dia memorável.
O vídeo abaixo mostra imagens deste grande dia.
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