9º dia: Rio Grande – Ushuaia

Acordamos no dia 14 na maior empolgação, afinal, seria a coroação de todo o nosso esforço de viagem.

Tomamos café, fotografamos as motos na frente da pousada e fomos na praça central comprar uma capa de chuva para o João. Havia a expectativa de chuva em Ushuaia.

Quando estacionei a Harley, parou um senhor com a esposa ao meu lado, motociclista também (KTM), e perguntou se precisávamos de ajuda. Falei o que procurávamos e ele nos levou numa loja, onde o João acabou adquirindo a capa. Falei para ele do meu trauma do rípio e pedi para tentar um reboque para a volta. Peguei o telefone dele, nos despedimos e pé na estrada.

Até Tolhuin sem novidades, estrada plana, boa e estepe patagônica nas margens. Depois, muda completamente o visual. Serra, vegetação, curvas de alta e de baixa velocidades, gelo no topo dos cerros e lagos à nossa direita. Tivemos a certeza da decisão correta do dia anterior – não vale a pena chegar em Ushuaia sem a luz do dia. Paramos em diversos mirantes para contemplação e fotografias, mas no Paso Garibaldi foi dez. Que lugar maravilhoso.

Mais alguns km, num trecho de manutenção da calzada, o nosso tanque auxiliar, carregado desde Trelew, cai da Electra, mas o João viu e pegou. Com a queda, no ponto de toque com o solo, ele furou e tivemos que parar para colocar a gasolina na Harley. Vou ter que comprar outro para o Santana.

Um pouco mais adiante, no final de uma longa descida, o pórtico anunciando a cidade. Que emoção, CHEGAMOS!!! Paramos rapidamente no acostamento para fotografar e seguimos adiante, pois tem um posto de fiscalização da policia junto e não queríamos problemas.

Depois de muito procurar – fim de semana, 2 iates ancorados no Porto e um punhado de mochileiros do mundo inteiro aqui – conseguimos um bom quarto doble, com bãno privado, sem desayuno, num hostel. Check in feito, motos estacionadas, fomos passear pelo Canal de Beagle e procurar pela placa para a primeira foto.

Estávamos super felizes, parecendo dois meninos quando ganham a primeira bicicleta. Fomos comemorar moderadamente e dormir. O dia seguinte prometia mais emoções.

9º dia: Rio Grande – Ushuaia: 232/6107 km


Comentários

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  1. Caro amigo Cruz. O trecho Onaisin – San Sebastian é o principal portal físico e psicológico do ‘desafio’ chamado Ushuaia, que você acaba de superar. Como já comentei, o prêmio – além de poder contemplar e sentir tanta beleza, como a ‘catedral da natureza’ chamada Paso Garibaldi – é principalmente a sensação de superação. Quanto mais aparato tecnológico e mais especificidade de equipamentos, menos gloriosa seria a memória da sua aventura e menos emocionante cada recordação. Por isso, vocês não foram a Ushuaia de avião e sim de motocicleta. E você, irmão, foi com a sua Harley. Para nós harleyros, isso é muito importante, digno de respeito e consideração. Na volta, faça o que seu coração mandar, porque é o mais importante é você voltar bem para o seio de sua família. Forte abraço. Suerte! Hermanos.

  2. Avatar de Sérgio Dias
    Sérgio Dias

    Prezado Cruz, O comentário anterior já disse bem sobre superação e o prazer da conquista, sem dúvidas tocar uma Electra no rípio não é para amador !Não tenho Harley, embora as admire com respeito( tenho Varadero e ST Pan), então retornar numa carretinha não será nenhum demérito, afinal você chegou lá ! Parabéns, bom retorno. Sérgio Dias


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