Acordei tranquilo, com a missão de voltar à agência de turismo onde, no dia anterior, tinha conversado com a atendente sobre a tal permissão necessária para rodar pela região de Ladakh, no Himalaia. Por volta das 10h, bati ponto por lá.
A agência tinha acabado de abrir. Expliquei o motivo da visita e ela foi direta: não rola a permissão. O motivo? Eu estava sozinho e não apareceram outros estrangeiros para formar um “grupo oficial” — requisito necessário para que o documento seja emitido. Alternativa: ir direto ao escritório do governo. Problema: era domingo, e o lugar estava fechado.
Pois é… vida de viajante tem dessas. Para rodar em Ladakh, turistas estrangeiros precisam de uma autorização do governo do estado de Jammu & Caxemira. Além disso, só veículos registrados na região podem circular por lá. Isso significa deixar minha moto guardada e alugar outra por lá mesmo.
Ao lado da agência tinha uma loja de aluguel de motos. A moça chamou um rapaz que me passou um valor salgado pela diária. Salgado não — abusivo. Era quase o dobro do que eu pagava por uma moto parecida (mas de 500cc e beeem mais rodada). Insisti, reclamei, e baixaram o preço… mas ainda assim achei caro. Saí de lá com cara de quem não fechou negócio.
Resolvi então andar pela cidade, perguntando em outras agências se alguém conseguiria a tal permissão. Nada feito. Decidi deixar isso pra segunda-feira e ir direto à fonte: o escritório do governo. Com o resto do dia livre, resolvi cuidar da hospedagem. Achei um hotel melhor, mais barato e pertinho dali. Voltei ao antigo, arrumei as coisas, fechei a conta e fiz a mudança.
No novo hotel, imaginei que conseguiria usar a internet, mas a cidade toda estava sofrendo com o mesmo problema: sinal precário, intermitente e lento. Nada de apps, nada de contato com o Brasil. Digitalmente ilhado.

Sem internet, resolvi passear. Peguei a moto e fui explorar. Minha primeira parada foi o portal de entrada de Leh, que rende boas fotos. Depois, segui rumo ao alto da cidade para visitar o Monastério Namgyal Tsemo, um templo budista tibetano com mais de 600 anos, encravado no topo de uma montanha.


De lá, fui ao Palácio de Leh, uma construção imponente que domina o horizonte da cidade. Onde quer que você esteja em Leh, ele está lá, te encarando do alto. Depois, fechei o circuito com o Shanti Stupa, um monumento budista lindíssimo nos arredores. Queria ver o pôr do sol dali, mas o frio apertou e resolvi descer antes da hora.







No caminho de volta, o acaso me presenteou: passei em frente a outra loja de aluguel de motos e vi uma igualzinha à que eu estava usando. Resolvi perguntar o preço. Mais barato. Negociei um pouco e consegui exatamente o mesmo valor que paguei em Nova Délhi: USD 12,90 por dia. Negócio fechado! Combinei de pegar a moto no dia seguinte às 8h, e ainda prometeram trocar o suporte de bagagem para eu continuar a viagem com conforto.
Domingo em Leh: sem permissão, mas com boas paisagens, boas visitas e uma moto nova no horizonte.
Se você curtiu esse relato e quer mergulhar ainda mais fundo nessa jornada épica, publiquei um livro onde conto tudo com muito mais detalhes — desde o planejamento minucioso, as decisões sobre equipamentos, as histórias que vivi na estrada, até as paisagens inacreditáveis que registrei em centenas de fotos. É um diário completo da viagem, recheado de curiosidades sobre a cultura local, os desafios da altitude, encontros inesquecíveis e os bastidores dessa aventura pelas estradas mais altas do mundo. O livro está disponível na Amazon e pode ser adquirido pelo link: Um brasileiro e uma moto no Himalaia indiano. Se você gosta de viagens de moto, roteiros fora do comum e histórias reais de superação e descobertas, vai se identificar!











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