O plano inicial era simples: pegar a estrada rumo a Nova Délhi. Afinal, a famosa cerimônia de troca da guarda na fronteira com o Paquistão — meu principal motivo para passar por Amritsar — havia sido cancelada por conta de tensões na Caxemira e ameaças de atentado. Mas como tudo na Índia muda num piscar de olhos (ou numa buzina de tuk tuk), o recepcionista do hotel veio com a bomba: “Vai ter cerimônia hoje!”
Refiz todos os planos na hora.
Com o evento marcado apenas para o fim da tarde, aproveitei a manhã para explorar mais um canto da cidade. Pensei em voltar ao esplêndido Golden Temple, mas meu camarada Manoj, o recepcionista, me indicou um outro destino: o Durgiana Temple, um templo hindu que, apesar de menos famoso, guarda seu charme.
Depois de driblar motoristas de tuk tuk que queriam me cobrar uma pequena fortuna, embarquei num riquixá – sim, aquele triciclo puxado na força do humano. Experiência raiz!
O Durgiana Temple, construído sobre um lago, é uma versão hindu do Golden Temple. Não tem o mesmo brilho dourado nem a mesma imponência, mas ganha pontos pela tranquilidade. Sem filas, sem empurra-empurra, e com muitos sorrisos por parte dos devotos e trabalhadores. Um passeio sereno no meio da loucura urbana.




















De volta ao hotel, fui almoçar num restaurante ali por perto. Tudo ótimo, exceto por um pequeno mal-entendido linguístico: pedi talheres e me trouxeram… uma tigela de molho de pimenta! Comunicação é arte.
Mais tarde, com o sol já querendo se pôr, parti em direção à fronteira de Wagah/Attari. Lá rola uma das cerimônias mais bizarras, hilárias e fascinantes do mundo militar: a cerimônia de arriamento das bandeiras entre Índia e Paquistão. Pense num espetáculo patriótico misturado com teatro, desfile, gritos de guerra e torcida de futebol. Um animador (sim, tipo animador de auditório) em cada lado da fronteira puxa os gritos das arquibancadas lotadas. De um lado, a galera da Índia. Do outro, os paquistaneses. É surreal.





Soldados marcham como se tivessem molas nos joelhos, batem as botas com força no chão, fazem gestos dramáticos e encaram os rivais do outro lado da linha como atores de Bollywood. Tudo perfeitamente sincronizado, como se estivessem em um balé de testosterona. Quando tudo termina, as bandeiras descem ao som de aplausos, os portões se fecham com estrondo e cada povo volta orgulhoso para casa.






Ah, antes do espetáculo, quase entrei em pânico: me informaram que não poderia entrar com minha bolsa de equipamento fotográfico. Deixei tudo – incluindo capacete – com um ambulante simpático, torcendo para que tudo estivesse lá na volta. E estava!






De volta a Amritsar, terminei o dia em um restaurante local, me deliciando com um frango assado no forno de barro (tandoor). A comunicação com o garçom foi novamente desafiadora, mas um cliente se ofereceu para ser meu intérprete improvisado. Resultado: barriga cheia e gratidão no peito.
Se você curtiu esse relato e quer mergulhar ainda mais fundo nessa jornada épica, publiquei um livro onde conto tudo com muito mais detalhes — desde o planejamento minucioso, as decisões sobre equipamentos, as histórias que vivi na estrada, até as paisagens inacreditáveis que registrei em centenas de fotos. É um diário completo da viagem, recheado de curiosidades sobre a cultura local, os desafios da altitude, encontros inesquecíveis e os bastidores dessa aventura pelas estradas mais altas do mundo. O livro está disponível na Amazon e pode ser adquirido pelo link: Um brasileiro e uma moto no Himalaia indiano. Se você gosta de viagens de moto, roteiros fora do comum e histórias reais de superação e descobertas, vai se identificar!











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