607 km | Tarzan no posto | Belém, tucupi e muito calor
Saí do hotel por volta das 6h50 com destino a Belém, capital do Pará. A estrada estava em condições razoáveis – alguns trechos exigindo manutenção, mas nada que comprometesse o andamento da viagem. Percorri 607 km em cerca de 7 horas, mantendo uma média boa e sem ultrapassar os 130 km/h.
Pouco depois de Imperatriz, já cruzando o Maranhão, cheguei à divisa com o Pará. Parei para registrar a placa na entrada do novo estado, e quase instantaneamente um motociclista parou ao meu lado:
– “Deu pânico?” – perguntou.
– “Hã?” – respondi, meio sem entender.
– “Deu problema na moto, precisa de ajuda?”
É isso que torna viajar de moto especial. Não importa onde esteja, você nunca está realmente sozinho. Agradeci a gentileza e seguimos nossos caminhos.
Minha primeira parada para abastecimento foi em Ulianópolis. Nada de especial por lá, exceto o ar-condicionado da loja de conveniência, que foi um verdadeiro alívio naquele calorão paraense. O desgaste físico causado pelo calor forte da estrada é real – chega a secar até o bom humor.
A segunda parada foi no lendário Posto Rei das Selvas, na cidade de Mãe do Rio. Assim que tirei o capacete, brinquei com o frentista:
– “Vim falar com o Tarzan.”
Ele caiu na risada e puxou conversa. Outro frentista se juntou a nós e me contou a origem do nome: quando o posto foi inaugurado, entre 50 e 60 anos atrás, era o único em centenas de quilômetros da Belém-Brasília. Só havia mata ao redor, e os caminhoneiros começaram a chamá-lo de Rei das Selvas. Hoje, a “selva” deu lugar a pastagens e lavouras. Pouco sobrou da floresta original às margens da rodovia.
Esse contraste me surpreendeu. Eu já sabia que a floresta estava reduzida, mas não imaginava que o desmatamento fosse tão vasto naquela região da BR-010. A cada quilômetro rodado, crescia em mim a sensação de que o verde sumiu sem deixar saudade.
A viagem até que rendeu bem, mesmo com o tráfego intenso de caminhões. Mais uma evidência de como o Brasil apostou pesado no transporte rodoviário. Passei por placas anunciando a Ferrovia Norte-Sul, mas… só vi as placas.


Já perto de Santa Izabel do Pará, encontrei obras na pista e torrei ao sol por mais de 10 minutos. O trecho final até Belém foi o pior do dia: estrada esburacada, trânsito pesado – mesmo sendo apenas o início da tarde.
Segui direto para a concessionária Honda, onde deixei a moto para a revisão dos 6 mil km. Notei que o pneu traseiro estava se desgastando mais rápido do que o previsto. Decidi trocá-lo ali mesmo, já prevendo que nos próximos trechos eu poderia não encontrar assistência adequada. Mas eles não tinham o pneu para a minha moto. Pedi para fazer também a troca de óleo do motor, adiantando a manutenção e me indicaram uma revendedora de pneus que provavelmente tinha do modelo que eu precisava. Fui até lá e tinham, mas não faziam a troca. Me indicaram uma borracharia próxima, para onde fui. Serviço bem feito, moto com pneu novo, pronta para muitos quilômetros de viagem.

Fui para um hotel no Bairro do Comércio, de onde poderei visitar algumas atrações da cidade e providenciar o transporte para a próxima etapa da minha viagem. Mas o que eu tinha identificado durante o planejamento da viagem, não existia no lugar indicado no mapa. Fui até um próximo, mas não tinha estacionamento e a recepção cheirava a mofo. Imagina o quarto, que nem quis ver. Deixei a moto estacionada e caminhei até outro não muito distante. Agora sim. Apresentável, com estacionamento e barato. Pedi para ver o quarto e gostei. O colchão tinha passado da hora de trocar, mas não iria incomodar.
À noite, saí a pé para conhecer a Estação das Docas, um dos principais pontos turísticos de Belém. O local é um antigo complexo portuário revitalizado, com bares, restaurantes e vista para a baía do Guajará. Tomei um chope a R$ 3,99 – gelado e bem tirado – e experimentei um delicioso pato no tucupi, prato típico da culinária paraense. O tempero era forte, o sabor exótico, e o prato… simplesmente sensacional.
Belém me recebeu com calor, trânsito e comida boa. Amanhã tem mais estrada.












Deixe uma resposta