Caetano De Genaro

Tempos de Gasolina

Olá, você aí no futuro !

Vou contar-lhe deste meu tempo, movido a gasolina. Sim, combustível fóssil... dá pra imaginar ?

Calor, fumaça, barulho, trepidação, engasgos e oscilações... acho que isso descreveria minha moto, uma Harley-Davidson, mas seria incompleto.

A primeira moto

Eu tinha feito a minha parte...

Dei duro por vários meses, Office-boy bancário, salário pequeno porém totalmente guardado. Morava com meus pais, não tinha despesas além das pessoais e estas, bem, estas podiam ser negligenciadas em favor de um sonho.

Agora quero chegar

Os quilômetros finais provam a teoria da relatividade.
Apesar de aumentar a velocidade, parece que demoramos mais pra percorrer as distâncias.
O tempo se distorce, não é real na mente.

Não vou esperar

Vou contar as histórias enquanto as vivo e beber do vinho que faço.
Quero falar do que gostei, sem ansiar pelo que goste ainda mais.
Pois entendi que a estrada deve ser parte do destino,
Que ganho sem mérito é dádiva e conquistar tem mais sabor.

Na solidão

Na solidão do capacete as idéias se arranjam. O ruído constante e monótono dos quilômetros se sucedendo torna-se silêncio, ignorado... As paisagens vão sendo registradas no subconsciente, comparadas com tantas já vistas e arquivadas na memória. A toada constante e segura, a visão dos companheiros adiante e no retrovisor, as respostas precisas da máquina, tudo vai se tornando calma e a mente divaga... A pilotagem é Zen.

Aquecimento

Pouco mais que cinco horas da madrugada fria...

Com um breve estalo o ronco grave do motor corta o silêncio... inspira confiança.

O vapor nevoento sai dos escapes condensando ao contato com a atmosfera, Minha respiração também.

Estamos prontos !

Ao sabor da estrada...

Quando fazemos viagens mais longas, fico observando a mudança das paisagens, do clima, da cultura...

A cada cidade que passamos, procuro aprender algo ou trazer alguma lembrança pra compartilhar com meus filhos, parentes e amigos.

Romance em duas rodas

A história de Ana, conforme ela mesma sempre disse, começou a mudar numa tarde dessas em que uma mulher muitas vezes se deixa levar pela melancolia... Pensava na separação e como havia sido traumática, afinal foram muitos anos de convivência e disso ela não mais queria falar. Quem dera conseguisse nem pensar. Queria superar.

Marinheiros de primeira viagem

O grupo era alegre e dava gosto de participar !

Todos já se conheciam bem, seja pelos papos de internet, ou pelos muitos quilômetros que alguns já haviam rodado juntos, pelas histórias compartilhadas.

Formação

Algum site de relacionamento, um fórum técnico especializado, indicação de um amigo ou sei lá como, o interessante é que várias pessoas que nunca se viram e jamais tiveram qualquer contato no mundo físico, acabaram se tornando amigos e até com bastante intimidade.

Como esse havia sido o foco de sua busca na internet, todos tinham em comum a admiração ou o interesse por motocicletas. Seja por mera curiosidade, por sua mecânica, por sua agilidade, pelas viagens cujas histórias sempre pareciam épicos românticos, alguns fascinados por uma marca específica, outros por um estilo, enquanto havia vários que simplesmente amavam rodar em suas motos.

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