1º dia – De Nova Délhi a Bhota

Antes das 4 horas da madrugada, já estávamos de pé, preparando a bagagem para fixar nas motos. Não foi difícil prender tudo nas armações de ferro que cada moto tinha nas laterais, mas a bagagem acabou sendo muito mais volumosa do que eu imaginava.

Pouco antes das 5 horas, o Ankur chegou. Fizemos algumas fotos e seguimos para a estrada. Mesmo tão cedo, o movimento nas ruas e avenidas já era intenso. Sair de Nova Délhi não foi nada fácil: muitos caminhões, motos, tuk tuks e outros veículos disputavam cada espaço disponível.

Logo pegamos uma estrada duplicada, com três faixas em cada sentido. Apesar da boa estrutura, a viagem não rendia, pois as faixas estavam tomadas por todo tipo de veículo — caminhões, ônibus, tuk tuks, motos, animais e até pedestres. A velocidade máxima era de 80 km/h, mas em muitos trechos, especialmente ao atravessar pequenas cidades, o tráfego da rodovia se misturava ao trânsito urbano, com buzinas por todos os lados e a necessidade de atenção redobrada.

Pelo caminho, vimos muitos templos e sinagogas. Fizemos uma parada para calibrar os pneus e lanchar. Foi quando experimentamos, pela primeira vez, a parantha — um pão típico indiano com recheio. Escolhi uma versão com cebola. A essa altura, o calor já era intenso, então reforçamos a hidratação com muita água.

Deixamos a rodovia duplicada e entramos numa estrada simples, com fluxo nos dois sentidos. As primeiras montanhas começaram a surgir, junto com os buracos no asfalto. Já nos aproximando da cidade de Una, paramos para tomar água em uma pequena lanchonete. Foi ali que o Ankur percebeu que o pneu da sua moto estava furado. Ele saiu para procurar um borracheiro, enquanto eu e Rafael aguardamos no local e interagimos com a simpática família dona do estabelecimento. Eram seguidores da religião sikh, facilmente identificáveis pelos turbantes e longas barbas dos homens.

Mais tarde, nos despedimos do Ankur, que seguiria viagem por outro caminho.

Quando nos aproximávamos da cidade de Bhota, começou a chover. A noite já se anunciava e ainda faltavam cerca de 160 km até o destino planejado para o pernoite. Ficamos inseguros em seguir adiante naquele cenário e decidimos procurar um hotel na própria cidade.


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