O segundo dia em Bonito prometia ser especial. Tinha programado dois passeios divertidos e clássicos da região: a flutuação no Rio Sucuri e o boia-cross no Rio Formoso. Estava animado — esperava que esses momentos marcassem a viagem.
Acordei cedo, como de costume. O café da manhã na pousada foi simples: pão com ovo e um suco que não consegui identificar, mas estava bom. O primeiro passeio começaria às 8h, e me recomendaram sair com antecedência, já que seriam 19 km de estrada de terra até lá. Pouco depois das 7h, já estava com a moto na estrada. Mas a surpresa foi boa: estrada de cascalho em ótimo estado, e a moto se comportou muito bem. Às 7h20 já tinha chegado ao local.
A Nascente do Rio Sucuri é uma das atrações mais conhecidas de Bonito. No horário marcado, recebi o kit obrigatório: colete salva-vidas, roupa de neoprene, calçado especial e snorkel. Depois das instruções do guia, subimos na caçamba de uma caminhonete, que nos levou até o início da trilha. Como no passeio do dia anterior, seguimos por passarelas de madeira em meio à mata. Durante a caminhada, o guia contou curiosidades sobre a história da fazenda, além de informações sobre a fauna e flora locais.
Chegamos até a nascente, onde a água brota do chão e levanta a areia no fundo de uma lagoa. Um espetáculo da natureza, mas nadar nesse ponto é proibido. Andamos mais um pouco até o local de entrada no rio, e então começou a flutuação pelos 1,6 km do Rio Sucuri, considerado um dos três rios mais cristalinos do mundo.





O percurso é tranquilo, sem esforço físico. É proibido bater pernas ou braços para não levantar sedimentos do fundo. A sensação é de estar dentro de um aquário — peixes, algas, vegetação submersa e aquela água translúcida que hipnotiza. Um barco acompanha o grupo, que é pequeno — no máximo seis pessoas. No final, apenas eu, o guia e mais dois visitantes concluímos nadando. Os outros preferiram seguir de barco: uma adolescente, uma senhora e um homem que estava tendo dificuldades com o snorkel.
Foi, sem dúvida, o passeio de que mais gostei até aqui.
De volta à pousada, tomei um banho rápido e, debaixo de sol forte, fui caminhando até o centro da cidade, onde almocei em um restaurante agradável. Depois, descansei até a hora de partir para o segundo passeio do dia: o boia-cross no Rio Formoso.
A atividade acontece nas dependências de um hotel próximo — acessível também para não-hóspedes. Fica a 8 km da pousada, a maior parte dentro da cidade, com apenas alguns metros de estrada de terra dentro da propriedade.




















O boia-cross é uma descida de 1.200 metros em boias individuais pelo Rio Formoso. A água é cristalina e o percurso inclui pequenas cachoeiras e corredeiras que garantem emoção — é praticamente certo que a boia vá virar em algum trecho e você vai parar na água. Monitores acompanham o grupo, orientando e ajudando nos pontos mais movimentados.
Queria ainda ter feito a flutuação no Aquário Natural, um passeio bastante recomendado. Segundo dizem, é o local com a maior quantidade de peixes, com vegetação aquática abundante, troncos e rochas que criam um visual realmente parecido com um aquário. É o melhor lugar para fotos subaquáticas. Fica para uma próxima vez.
No site da prefeitura de Bonito há uma lista atualizada com todas as atrações da região, além de um mapa que ajuda no planejamento. Pela quantidade de opções, fica claro que seriam necessários muitos dias para conhecer tudo.
No fim do dia, passei pela Praça da Liberdade, onde as luzes já começavam a acender. Havia barraquinhas vendendo doces, lanches e artesanato, e muita gente passeando e conversando. Fotografei a igreja, curti o clima leve da cidade e voltei para a pousada. Mais tarde, fui ao mesmo bar da noite anterior, onde comi um lanche.




Rodei cerca de 95 km nesse dia. Menos estrada, mais experiências — o tipo de equilíbrio ideal para uma viagem assim.











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