1º dia – De Belo Horizonte a Planaltina

796,4 km | Sol escaldante | Estrada, poeira e pedágio

Comecei essa nova jornada de moto pouco antes das 7h30 da manhã, deixando para trás o frescor da Serra do Curral e mergulhando no caos do trânsito da BR-040, que estava simplesmente infernal até Esmeraldas. Um trecho cansado, apertado, com fluxo intenso de caminhões e uma infinidade de radares tentando compensar a ausência de obras estruturais: faltam faixas, retornos em nível, viadutos e passarelas. A estrada cobra pedágio como uma rodovia de primeiro mundo, mas ainda precisa de muito asfalto novo para justificar os R$ 20,40 pagos em oito praças ao longo do dia.

Mesmo com esses percalços, a moto seguiu firme. O calor, por outro lado, foi implacável. Ao cruzar o noroeste de Minas, o sol parecia cair direto sobre o capacete, e o vento — quente como ar de secador — não dava trégua. Em Paracatu, precisei parar por mais tempo que o habitual só pra deixar o corpo respirar e baixar um pouco a temperatura. Era como atravessar um forno. E pensar que ainda estamos no inverno…

O caminho teve também seus momentos de leveza. Fiz uma pausa rápida na divisa entre Minas e Goiás, como de praxe para aquela foto simbólica que marca a travessia de estados. Mais adiante, perto de Cristalina, a paisagem me chamou de novo — lavouras de cebola sendo colhidas à beira da estrada. Parei para fotografar e fui recebido com sorrisos e brincadeiras pelos trabalhadores, que logo pediram: “Tira uma da gente também!” Rendeu bons cliques, que pretendo compartilhar assim que a internet colaborar.

O GPS tentou me convencer a contornar Brasília, mas resolvi bancar o teimoso e atravessei a capital. Péssima escolha: cheguei por volta das 17h, bem na hora do trânsito pesado de fim de expediente de uma terça-feira. Foi um verdadeiro teste de paciência.

Por fim, cheguei a Planaltina e me instalei num hotel simples, mas honesto: barato, com estacionamento para a moto e café da manhã incluído. A internet, no entanto, é sofrível — como costuma acontecer nas estradas brasileiras.

Fechei o dia numa pizzaria ali perto, com rodízio generoso que ia de pizza a batata frita, sushi e frango assado. Uma mistura meio doida, mas que caiu bem depois de quase 800 km rodados. O corpo cansado agradeceu.

Foi só o primeiro dia, mas já deu pra sentir: essa viagem promete calor, poeira, encontros inesperados… e muitas histórias pra contar.


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