0 km de moto | Navegação pelo rio | Um pôr do sol que acalma a alma
O objetivo do dia era organizar tudo para a travessia de barco entre Belém e Macapá. Logo após o café, caminhei até a Estação das Docas, onde fica o guichê da empresa que faz o transporte fluvial entre as duas capitais. Tinham me dito que era tranquilo conseguir passagem, mas a atendente não parecia muito confiante. Ainda assim, consegui garantir lugar para mim — em uma cabine — e para a moto.
O preço, por sinal, foi salgado: R$ 250,00 pela minha passagem e R$ 400,00 pela moto. Para quem encara a travessia numa rede, o valor cai para R$ 170,00. Mas, como a viagem leva 24 horas, optei pelo conforto da cabine.



A funcionária me orientou a levar a moto até o Porto Líder, de onde ela seria embarcada. Voltei ao hotel, separei só o necessário para levar comigo e deixei o restante (calça, jaqueta, botas e bagagem mais pesada) na moto.



Às 9h30 já estava no porto. Apresentei o recibo e um senhor — que parecia ser o responsável — me disse para voltar às 11h. Disse também que eu mesmo poderia levar a moto para dentro do barco e, se quisesse, seguir com ela até a Estação das Docas, onde os demais passageiros embarcariam.
Achei ótimo. Voltei ao hotel, peguei minhas coisas e, às 11h em ponto, estava de volta.
Quando cheguei, posicionei a moto perto da rampa de acesso. Ela ainda estava sendo usada por um caminhão que carregava mercadorias. Enquanto esperava, uma mulher se aproximou, com cara de poucos amigos:
— “Você não pode ficar aqui.”
Expliquei que tinha sido orientado por um funcionário.
— “A moto agora é responsabilidade nossa, nós vamos embarcar.”
Entreguei a chave e, com um sorriso sem ironia, me despedi:
— “Tá bom, Senhora Cara Fechada.”
Enquanto isso, recebi o convite de dois amigos motociclistas de Belém, o Alex e a Simone, que já tinham morado em Belo Horizonte. Me chamaram para almoçar e combinamos de nos encontrar no Mercado do Ver-o-Peso, um dos lugares mais tradicionais e coloridos da cidade.




Peguei um táxi e fui até o ponto de encontro. Enquanto meu amigo tentava vencer um congestionamento, aproveitei para tirar várias fotos. Pouco depois eles chegaram com as duas filhas, e fomos almoçar em um dos restaurantes do mercado. Pedimos um peixe típico, bem temperado, com cerveja gelada. Um almoço simples e saboroso, desses que ficam na memória.
Depois me levaram até a Estação das Docas, onde embarquei no barco para a travessia. A viagem tem duração estimada de 24 horas, subindo por rios caudalosos, cercados de pequenas comunidades ribeirinhas e uma vegetação que, aos poucos, vai se tornando mais densa.
O destaque do dia foi, sem dúvida, o pôr do sol sobre o rio.
O céu se acendeu em tons de laranja e rosa, refletidos nas águas calmas como um espelho da natureza.
O barco avançava lentamente, e o mundo parecia desacelerar.
A fumaça do motor se misturava com o brilho do fim do dia, e as vozes ao redor diminuíam de volume.
Era como se o tempo tivesse parado para contemplar aquele espetáculo.O sol se despedia atrás da mata, dissolvendo-se no horizonte, e deixando em mim uma paz difícil de explicar.
Um daqueles momentos em que a gente se lembra por que decidiu ir para a estrada.
















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