Viagem de moto até Bonito – 5º dia

Decidi não ficar em Bonito durante o fim de semana prolongado. Os preços das hospedagens com vaga estavam absurdos e, já na tarde do dia anterior, a cidade ficou lotada. Presumi que, com tanta gente, ficaria ainda mais complicado conhecer as atrações com tranquilidade.

A própria pousada onde estava hospedado encheu durante a noite, com vários novos hóspedes chegando.

Depois do lanche da manhã, fiquei um tempo observando uma cena curiosa: o dono da pousada colocou frutas sobre o telhado e, em poucos minutos, algumas araras apareceram para se alimentar. Um espetáculo da natureza para fechar bem minha passagem por Bonito.

Às 7h20, voltei à estrada, agora rumo ao leste. Quis variar o trajeto para não repetir o mesmo caminho da ida. Segui pela MS-178, depois a MS-382 e, em seguida, a BR-267, que, ao cruzar a divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, passa a se chamar Rodovia Raposo Tavares (SP-270). A rodovia, já em território paulista, é ótima, mas com pedágio salgado: R$ 8,55 para rodar 84 km.

Além do abastecimento em Bonito, precisei parar mais duas vezes para completar o tanque. O consumo da moto aumentou para 14 km/l, o que me deixou em dúvida se a qualidade do combustível da região teve alguma influência.

A paisagem, de modo geral, continuava familiar: lavouras de cana-de-açúcar, pastagens e gado. O céu estava limpo e, felizmente, sem sinal de fumaça no horizonte. Em alguns trechos vi emas pastando em meio às plantações — uma cena bonita e inesperada.

Um ponto curioso foi quando passei por um acampamento de sem-terra. Vi de longe vários objetos coloridos pendurados em varais e estacas. Parei para observar de perto e o visual era meio sinistro: capacetes, bonecos sujos, cadeiras, bolas… Parecia cena de filme de terror.

O calor foi um capítulo à parte: depois das 10h, a temperatura bateu 43°C e não baixou até o final da tarde. Estava realmente difícil seguir viagem. O corpo pedia sombra, água e descanso o tempo todo.

Por volta das 15h30, já esgotado, cheguei à região de Presidente Prudente. Vi um hotel bem cuidado, localizado numa elevação às margens da rodovia, e resolvi encerrar o dia ali mesmo.

Com o ar-condicionado salvando a pátria, aproveitei para relaxar, recuperar as energias, comer umas besteiras e assistir a filmes na TV. Mais tarde, pedi um prato pronto no próprio hotel e jantei no quarto mesmo.

Fechei o dia com cerca de 650 km rodados. Um trecho longo, quente e cansativo, mas bem aproveitado.


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