No oitavo dia da nossa viagem de moto rumo ao Deserto do Atacama, nos aventuramos pela imponente Cordilheira dos Andes. Cada curva, cada reta, cada subida e descida transformavam-se em notas de um poema épico, escrito pela própria natureza diante de nossos olhos ávidos por descobertas.
Nossa partida de Salta, por volta das 8h, após um revigorante café da manhã, marcou o início desta etapa épica. As ruas largas e com pouco trânsito naquela hora matutina, nos permitiram uma saída tranquila da cidade, como se ela entendesse a grandiosidade da nossa viagem.
Pegamos a Ruta Nacional 9, que na região urbana de Salta se mostrava impecável, como se esperasse ansiosa pela nossa passagem.
O céu, um imenso azul sem nuvens, acolhia-nos com uma temperatura amena, convidando-nos a desbravar cada quilômetro à frente.

Atravessamos cidades tranquilas, adornadas por rios de águas rasas e corredeiras tímidas, testemunhas silenciosas da nossa passagem. Montanhas se erguiam ao longe, envoltas em nuvens que, como cortinas reveladoras, deixavam entrever apenas os picos mais altos.
Cidade | Litros | Valor em moeda local | Valor – R$ | Distância | km / l | R$ / l |
Jujuy | 3,967 | 3539 | 20,19 | 92,4 | 23,292 | 5,09 |
A jornada se desdobrou diante de nós, revelando um espetáculo de contrastes. A estrada, inicialmente larga e bem conservada, logo se estreitou, com iregularidades no asfalto e curvas fechadas. Ainda assim, o tráfego era escasso naquelas horas matinais, permitindo um avanço sereno.



Rios rasos com leitos arenosos e águas correntes nos acompanharam, intercalando-se com trechos de exuberante mata nativa.
Uma surpresa nos aguardava após uma curva, quando nos deparamos com cavalos soltos sobre a estrada, desafiando-nos quase que propositalmente a manter a calma e a destreza.
Mas foi após algumas curvas que a viagem se transformou em um duelo com o desconhecido. Estrada estreita, com largura pouco maior que a de um único automóvel, serpenteando entre montanhas imponentes e mata densa, pontes estreitas sobre abismos vertiginosos, curvas fechadas e aclives íngremes compunham o cenário desafiador que se desenrolava diante de nós. Cada centímetro da estrada exigia nossa atenção, um deslize poderia significar o fim de nossa jornada. A beleza das paisagens contrastava com a tensão do percurso, um equilíbrio delicado entre o sublime e o perigoso.

Passado o trecho mais difícil, encontramos um cenário que lembrava um quadro vivo, pintado com montanhas envoltas em nuvens, rios de águas rápidas e lagos espelhados que convidavam à contemplação.
Seguimos adiante, atravessando planícies agrícolas cercadas pelas majestosas montanhas da Cordilheiras dos Andes.
San Salvador de Jujuy nos recebeu para uma breve pausa, as motos reabastecidas e nossos corações ansiosos pela continuação da jornada.




A Ruta 9 nos guiou através de desafios, mas o real desafio se erguia à nossa frente: a Cordilheira dos Andes. A estrada passou a acompanhar o leito largo e seco de um rio, contornando e subindo gradativamente as montanhas. A vegetação foi ficando cada vez mais escassa.
Paramos em Purmamarca, um interessante povoado na quebrada de Humahuaca, noroeste da Argentina, a 2200 metros de altitude, uma pausa para contemplação em meio à aridez das montanhas, que nos fez refletir sobre a grandiosidade da natureza e a humildade que ela nos inspira. A principal atração é o Cerro de los Siete Colores, uma montanha coberta com as cores ocre, amarelo, alaranjado, verde, marrom, lilás e roxo, que emoldura as fotografias do povoado. As ruas de terra, as casas de adobe, os cactos gigantes e o ar tranquilo e pitoresco de Purmamarca nos acolheram como viajantes em busca de tesouros escondidos.



O caminho pela Ruta Nacional 52 elevou ainda mais nossas emoções, contornando montanhas áridas e cactos gigantes, curvas fechadas, precipícios vertiginosos e uma ascensão desafiadora. As montanhas nos abraçando de ambos os lados, como guardiãs vigilantes do caminho. A Cuesta de Lipán nos desafiou com seus zigue-zagues vertiginosos, elevando-nos aos céus até atingirmos a Abra de Potrerillos, a 4.170 metros de altitude.
A partir desse ponto, percorremos um planalto que nos levou à Salinas Grandes, um vasto mar de sal circundado por vulcões adormecidos. A visão foi como um presente dos deuses Andinos. Depois das fotografias e contemplação daquela imensidão branca, um momento para as tortillas rellenas em uma das barracas estabelecidas no local.

Vicunhas e lhamas, símbolos da vida selvagem que desafia a altitude, nos saudaram nos quilômetros finais, anunciando a chegada a Susques, uma pequena vila encravada nas montanhas, a 3900 metros de altitude. O dia terminou em um modesto hotel, mas o conforto simples foi acolhedor depois de tantas emoções vividas sobre duas rodas.
Assim, neste oitavo dia na estrada, a Cordilheira dos Andes revelou-se não apenas como um cenário de tirar o fôlego, mas uma experiência gravada em nossos corações como um capítulo inesquecível desta epopeia sobre duas rodas, onde a natureza é a protagonista e nós, meros viajantes, somos privilegiados espectadores de sua grandiosidade.
Assista no vídeo abaixo as imagens gravadas durante este dia.
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