Desbravando os Alpes

Não há janelas, portas, teto-solar… É simplesmente o corpo sobre a máquina (uma BMW GS 1200, uma pena não ser uma Harley). O vento no rosto, o asfalto sob os pés. E a paisagem constante e estrondosamente deslumbrante nos surpreende a cada curva.

Esses foram os seis dias nos Alpes, onde eu, Cadu e Bruno desbravamos vales e montanhas sobre duas rodas. No grupo de 15 motociclistas, havia também representantes dos EUA, Canadá, Áustria e México.

O ponto de partida foi Erding, 40 minutos ao norte de Munique. Qualquer semelhança com a cerveja não é mera semelhança. A fábrica da Erdinger fica lá mesmo.

Demos início à nossa jornada com destino à Áustria. Começamos com um tumultuado tráfego que logo foi aliviando. As planícies foram dando espaço às primeiras montanhas. Imponentes! Escuras nas bases e brancas nos cumes. Conclusão: estávamos nos Alpes!

Já no primeiro dia pudemos percorrer as impressionantes estradas de Grossglockner, a maior montanha da Áustria (3.797 metros), a segunda maior dos Alpes. Atingimos o topo após romper uma malha em ziguezague com curvas de 180 graus! Lá de cima, sentimo-nos pequenos. Um exercício de humildade e reconhecimento de nossa insignificância. Parecia ser impossível vislumbrar paisagens mais belas. Estava enganado…

No segundo dia partimos de Lienz (Áustria) e cruzamos a fronteira italiana. O norte deste país exibe frieza no clima, povo e arquitetura, herança histórica de uma época em que essas terras pertenciam outrora à Áustria. Não se assuste em ouvir o idioma alemão por ali! Também pilotando nos Alpes italianos me veio à mente a lembrança gostosa da minha primeira aula de esqui em Bardonecchia, há quase vinte anos. Pernoitamos em Bolzano.

Na manhã seguinte, seguimos para Maranello, fábrica da Ferrari. Foi bom trocar o guidão por volante, durante um breve período. Ainda mais de um superesportivo (F-430)!

De volta aos Alpes italianos, pilotamos em uma das mais belas rodovias do mundo: o Passo de Stelvio. Trata-se de um verdadeiro “play ground” nas alturas com curvas sinuosas que permitem explorar toda a esportividade do motociclismo! E a vista é de cair o queixo!

No final do dia, atravessamos a fronteira com a Suíça. A paisagem bucólica e organizada mais parecia uma maquete de brinquedo. Paramos em Livigno, um “duty free” a céu aberto. Não pude deixar de comprar minha máquina de “espresso” manual (La Pavoni) que seguiu viagem comigo na garupa de minha moto. Logo adiante estava Pontresina, onde passamos a noite.

No dia seguinte, passamos pela badalada Saint Moritz que estava entregue as moscas devido à baixa temporada. Nesse dia, o frio castigou, chegando a 2 graus positivos. Senti saudade dos 32 graus de Maranello. Para suportar a baixa temperatura, contamos com a santa tecnologia dos punhos aquecidos…

Mais adiante vivenciamos a pitoresca oportunidade de passar por três países em aproximadamente uma hora. Deixamos a Suíça, atravessamos Liechtenstein, retornando por fim à Áustria. Passaporte carimbado em Liechtenstein não é todo dia que vemos…

A noite fria em Warth (Áustria) amanheceu com pastos cobertos de neve. O clima estava mais ameno e seguimos em direção à Alemanha. No limite entre os dois países, região de Tirol, tive a chance de rever o famoso castelo Neuschwanstein, do rei Ludovico II. Desta vez, porém, o castelo estava completamente coberto para reforma. Todos ficaram desapontados por não poder apreciar o castelo que havia inspirado Walt Disney.

Por fim, seguimos de volta a Munique nas famosas estradas alemãs (“autobahns”) sem limite de velocidade. Era hora de testar a potência das nossas máquinas e retorcer o ponteiro do nosso velocímetro.

Finalmente, reunimos à noite para celebrar o sucesso da aventura, regados a um genuíno chope alemão servido em canecas de vidro de um litro. Afinal, na Germânia, faça como os germanos!


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