Viagem de moto pela Rodovia Transamazônica

Descemos cedo para o café da manhã, pois seria a despedida de nossa esquadra, que começaria então a dividir-se. Nós indo para Minas, Pâmilla com Otávio para Goiânia e os demais seguindo rumo norte. Como nossos amigos ainda não tivessem aparecido, fomos ao refeitório tomar café. Mal entramos no recinto, a Marcia parou petrificada diante de uma mesa encarando uma senhora que também estava atônita. Era Sonia Madrid, amiga de muitos anos que mora em Campinas, 50 quilômetros de Jundiaí e que não víamos havia uns dez anos. Ela estava hospedada no mesmo hotel, em função de uma exposição de cães pastores alemães, raça que ela cria e que também criamos por anos a fio. Foi um encontro emocionante, com muitos abraços e risadas, breve atualização dos fatos da vida, promessas de contatos, enfim, muito legal mesmo essa feliz coincidência. Rodar milhares de quilômetros para encontrar alguém que mora tão perto...

Seguimos o ritual do café da manhã e logo apareceu o Fefe, sentou-se conosco e começamos a conversar. Eles sairiam às 9:00hs e passariam pelo evento, onde estavam as barracas e objetos da tenda e que seriam retirados pelo Zeca. A Pâmilla ficaria com a Juliana, que estava ali acampada, para saírem juntas, almoçarem e depois iriam ao aeroporto onde a Jú embarcaria. Tudo planejado.

Do lado de fora do hotel o movimento começava a se intensificar, com dezenas de motos sendo carregadas e conferidas, algumas se agrupando e outras já partindo. Enquanto o Felisberto ia puxar papo com alguns deles, eu ansioso subia ao quarto para descer malas que a Marcia já havia fechado e arrumar a bagagem de forma a caber tudo na moto. Nossos amigos foram chegando e sendo saudados. Havia uma certa melancolia no ar... Logo todos já estavam preparados e começou o ritual de despedida. Abraços fraternos e palavras de amizade foram trocadas enquanto lançávamos a semente de um próximo passeio com o povo do norte chegando ao sul do país, Rio do Rastro. Só não houve lágrimas porque "somos malvadões !"

Finalmente as motos foram ligadas e enquanto partiam registramos o momento com fotos entre acenos. O trem sumiu na esquina e ficamos só nós. Eu e a Marcia, como no começo.

Sentamos no hall e começamos a analisar nossas possibilidades, quando o Wallace ligou, meio sem jeito, explicando como previsto que o nenê não havia dormido bem e que ele mesmo estava muito sonolento. Evidentemente que dispensamos seus préstimos para sair do Distrito Federal procurando mitigar seu constrangimento. Na verdade eu estava preocupado com a saída porque já me havia dado mal com o GPS anteriormente em Brasília e desta vez o tempo seria decisivo entre chegar direto em Campo Belo e pernoitar pelo caminho. Ocorre que depois de Patos de Minas, não havia muita referência de bom pernoite pelo caminho. Ao mesmo tempo, nossos guias mineiros não apareciam e nem podíamos exigir-lhes cumprimento de horário, afinal aproveitaríamos uma cortesia deles. Decidimos acalmar-nos e esperar o que fosse necessário, ao invés de sairmos sozinhos.

Alguns minutos depois, chegou o André Filho (do Rei do Arguile) trazendo um presente. Um belo conjunto para churrasco, composto de faca, garfo e chaira. Abraçamo-nos e agradecemos a lembrança, mas ele não podia alongar-se conosco pois tinha que abrir sua loja. Despedimo-nos e... Notamos que uma turma de mineiros de Uberlândia preparava-se para partir, o que nos instou a perguntar na recepção do hotel pelos nossos guias. Eles ainda não haviam partido, para nosso alívio e não tardou a aparecerem com suas bagagens para montar nas motos. Novamente aproximei-me deles e logo reconheceram-me e saudaram-me, informando que apenas esperaríamos um deles que estava hospedado em outro hotel. Falei então para a Marcia sobre a minha preocupação quanto ao ritmo deles e o nosso, pois temia que o trem fosse muito lento, embora suas motos, duas Midnigth, uma XT-660 e uma Hornet, tivessem plena condição de andar mais rápido que a minha. De qualquer forma, isso não estava mais sob minha influência direta. Não era meu grupo.

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