Viagem de moto Argentina

Acordamos e os 4 outros estavam putos da vida e preocupados ao mesmo tempo querendo saber o que havia acontecido com a gente por termos ficado para trás. Falamos do erro no trevo e que havíamos andado mais de 300 km errado e por isso chegamos às 11h30 da noite.

Os 4 saíram na frente, ficando eu, Kadin e Barbieri novamente formando outro grupo paralelo. Saímos a mil por hora para alcançarmos os outros. Havíamos comentado que não era para passarmos por Salta, cidade Argentina no caminho que iríamos seguir até Corrientes.

Combinado e programado com Kadinho que estava na frente e com o mapa. Seguimos e comecei a ver as placas indicando Salta a direita... Salta a direita.... Salta a direita... e sabíamos que tínhamos que seguir reto... e Kadinho entrou em Salta... e vasou na frente... Corri até ele com a moto quase encostando na dele e falei: Kadinho, não falamos que não era para entrar e passar por Salta? Você esta errado. Eu e Barbieri gozamos e zuamos muito o Kadinho... E falamos que não podíamos deixar ele mais na frente com o mapa porque até com o mapa ele erra o caminho.

Província de Salta

É um fenômeno geológico, um cânion impregnado de história. Á medida que a estrada começa a subir depois de Purmamarca, são revelados os paredões multicoloridos do vale do Río Grande. A primeira vila é Posta de Hornillos. Depois vem Maimará, um vilarejo aninhado na montanha chamada Paleta do Pintor. Tilcara é a mais “agitada” das cidades da quebrada, sendo o artesanto o ponto forte. Outro vilarejo tranqüilo é Uquia, concentrado em torno de uma praça com a igreja de San Francisco de Paula. Humauaca tem casas de adobe e paredes brancas e muitas lojas de artesanato. O vilarejo de Iruya tem ruas de pedra e parece perdido no tempo e quase fronteira com a Bolívia, a 2.780 msnm. A viagem é especialmente bela pela manhã e no fim da tarde, quando o oeste é iluminado pelo sol nascente e o leste mergulha no pôr do sol, ressaltando os laranjas e vermelhos das montanhas.

“Salta La Linda”.

Alcunha “La linda” é merecida. Cheia de cafés, restaurantes, parques e construções históricas. Salta é uma cidade muito graciosa e agradável. O famoso Tren de las Nubes teve seu serviço suspenso em 2006. Salta é uma cidade argentina, capital da província de Salta, com cerca de 460.000 habitantes e uma das mais importantes cidades do noroeste do país. Localizada a leste da cordilheira dos Andes, 1.187m acima do nível do mar, centro de uma importante região agrícola (principalmente na produção de grãos): milho, tabaco, cereais, cana de açúcar, etc.

Famosa por sua arquitetura colonial, em anos recentes se converteu em um importante centro de turismo, além de famosa região vinícola Argentina. O artesanato é uma atividade tradicional dos povos da região desde os tempos pré-colombianos. Alguns lugares para se visitar: Plaza 9 de Julio, Catedral, Museo Historico Del Norte, Cerro San Bernardo, entre outros. À noite é sensacional! A calle Balcarce possui mais de 50 bares e restaurantes! Depois das 22 horas a rua é interditada transformando-se num imenso “calçadão” onde é possível jantar e se divertir, desde programas mais tradicionais (dança e folclore Argentino) e casas mais “descoladas” no embalo de Jazz ou Rock.

Beneficiados por longas horas de sol e banhados pelos riachos formados pelas chuvas que caem nos altos picos a oeste, os vinhedos de Salta talvez estejam entre os mais belo do mundo. Aqui prosperam as uvas cabernet sauvignon e malbec, bem como chardonnay e chenin.

Fizemos a manobra na pista e voltamos para a rodovia correta. Após andar por 200 km após Jujuy, no calor característico do deserto, olhei para o meu painel e vi uma luz vermelha acesa e tentei me comunicar com Kadin e Barbieri mas eles não conseguiram me ver. Parei a moto no acostamento. Nunca havia visto nem acontecido aquele aviso no painel. Pensei alguma coisa muito complicada no motor. Parei no acostamento, e após alguns minutos Kadinho e Barbieri voltaram para ver o que havia acontecido. Expliquei o que estava acontecendo e Barbieri logo diagnosticou: super aquecimento. Retiramos o banco da minha moto e colocamos água mineral no reservatório da moto. Comentei que na viagem toda sempre que eu parava a moto, via escorrer pelo suspiro um liquido...e concluímos que de pouco em pouco, o liquido de arrefecimento do motor vazou todo. Paramos um pouco. A moto esfriou e voltamos uns 3 km até um posto de gasolina que tínhamos passado e deixamos a moto esfriar. Almoçamos e depois tiramos o tanque e o banco da moto e o barbieri começou a fazer a cirurgia. Disse logo de cara: Temos que tirar a válvula termostática. Eu logo respondi... ela fica perto do vira-brequim ? E rimos muito disso. Tirada a válvula e guardada, seguimos em frente e eu de olho no painel da moto para ver se não indicava mais temperatura alta.

Eram 3h45min da tarde infernal. Na pista que parecia um tapete, enrolamos o cabo das bikes, tomando cuidado com os bois e cavalos que cruzavam toda hora a rodovia. Tocamos muito forte e num ritimo só. Fizemos 156 Km em 1 hora. Numa média de 2,6 km por minuto.

Haviam nos acostamentos muitas pombinhas marrons e quando passamos por elas com nossas motos, havia um show de revoadas num balé magistral. Minha preocupação em atropelar um pássaro era muito grande. Mas bobagem. Elas queriam era o Barbieri que matou 4 pombas no peito, na cara, na mão e no braço. Ele ia na frente com a XT a 180 por hora matando tudo a sua frente... ele passava e as penas das pombinhas voavam na pista... muito engraçado e perigoso, pois uma delas bateu na viseira do seu capacete, quase atravessando e causando um acidente sério.

Paramos num posto e ligamos para os 4 apressadinhos. Eles não estavam em Corrientes. Foram para outra cidade perto dali. Quase que a gente se desencontra mesmo com força neste momento se eu não ligo para o Moacyr.

Fomos para a cidade de Presidente Roque Saenz Pena e ficamos no Hotel Aconcágua. Chegamos, nos acomodamos e ficamos eu, barbieri e Kadin no mesmo quarto, pois os outros já estavam acomodados por chegarem primeiro.

À noite, os 4 mosqueteiros saíram para comer numa churrascaria. Eu, Kadin e Barbieri não quisemos. Ficamos no Hotel e comemos por ali mesmo. Mas Barbieri resolveu ir até onde os outros estavam e foi a pé. Minutos depois caiu uma tempestade na cidade. Muita chuva com raios e trovoadas, alagando a frente do hotel. Horas depois chega o Barbieri todo molhado. Não tinha encontrado os outros que chegaram mais tarde todos molhados como pintinhos na chuva. Barbieri ficou puto da vida. Fomos dormir.

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar este artigo.

Deixar seu comentário

  1. Postando comentários como visitante. Cadastrar ou login na sua conta.
0 Caracteres
Anexos (0 / 3)
Compartilhar sua localização

CADASTRE-SE PARA RECEBER AS VIAGENS PUBLICADAS

Você poderá sair da lista de e-mail a qualquer tempo.

Livros sobre viagens pela América do Sul e Himalaia

Mais viagens pelo Peru

Expedição Machu Picchu

No dia 25 de junho, Tiziu, pilotando uma Triumph Versys 1000, Fabrício, com uma Honda Transalp,...

Expedição la Rinconada

La Rinconada fica no Peru, a 5.100 metros de altitude, e é considerada a cidade mais alta do...

Rodovia Interoceânica do Sul Peru - Brasil

A Rodovia Interoceânica é considerada um dos projetos mais importantes de integração entre o...