Passo a passo para planejar uma viagem de moto

Passo a passo para o planejamento de uma viagem de moto

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Alguns meses antes da data de partida começamos o Planejamento propriamente dito. Fizemos uma lista com tudo o que carregaríamos, dividimos as funções e o que cada um iria comprar, ir atrás, etc.

Pretendo fazer um texto para expor como faço nossos planejamento, mas posso citar aqui algumas coisas dele, como por exemplo a lista de bagagem:

DocumentosRoupa normalComidas
– passaporte– 6 camisetas– barrinhas
– PID– 6 roupas intimas– agua
– CNH– 2 meias algodão– fruta passa
– RG– 3 meias lã– amêndoas
– carteira vacinação internacional– 1 calças– club social
– documento da moto– 1 moletons– bananinha
– cartão credito– 1 chinelo– Torrone
– $$– 1 tênis 
– 3 copias de cada– 1 toalha seca tudo 
– carta verde– 1 bermuda 
– cartão identificação pessoal– 1 camiseta manga comprida 
– porta dinheiro– 1 cachecol extreme 
– documento para ironbutt– 1 gorro abelha 
– caneta – lápis– 1 meia calça seda 
– bloquinho p/ fotos– 1 blusa de seda 
– lista de concessionarias  
– volumes líquidos das motos  
– seguro moto  
– seguro vida  
– legislação de trânsito argentina  
– Mapas Rodoviários  

 

RemédiosHigiene
Kit de primeiros socorros
(com gaze, atadura, esparadrapo,
água oxigenada),
sabonete
Tylenolshampoo
tandrilaxcondicionador
Dorflexpasta dente
metiocolinPapel Higiênico,
sonrisalfio dental
PlasilTrim
Imoseclixa de unha
Quadridermeprotetor Solar
Nebacetimprotetor Labial
antissépticohidratante
salescova de dente
Mertiolatepente – pinça
luftalkit costura
coliriodesodorante
antialérgicocreme para o rosto
algodãoaparelho dental
Respira Bemcotonetes
Bandaidprotetor para o ouvido
Draminbarbeador
Sal de Frutaselástico de cabelo
VoltaremRepelente
Dolamimabsorventes 
Buscopan 
Neosaldina 

 

EquipamentosPara a moto
air hawkCabo de acelerador
mala de garupaCabo de embreagem
aranhaCabo do afogador
caniveteManete de embreagem e freio
lanternaTodas as lâmpadas
carregador da maquina fotográficaTodos fusíveis
carregador do celularCâmaras de ar dianteira e traseira
carregador do CardoFiltro de óleo
carregador do ZumoFiltro de gasolina
óculos de solRetificador de voltagem
tripéVela,
Pilhas AATyre Pando
maquina fotográfica + cartõesGalão 10 L
tanque plásticoRolo de arame
1 m mangueira plásticaCinta Plástica
chave extra da motoSilver Tape
chave extra baúsPanos (retalhos), estopa
saco zip P M GGraxa de corrente
bandeira do BrasilÓleo Spray
termometrosCinta para Carreta
benjaminApoio do acelerador
cordaSilver Tape
corda varalElásticos
prendedor chatoSacos Plásticos
elástico bag stick 
GPS reserva 

O que fiz foi simplesmente copiar e colar aqui nossa planilhinha do Excel, então não liguem para a formatação e, Chris, me perdoe se deixei algum item aqui sem deletar, hehehehe!

Junto aos Documentos agente faz um cartão de Identificação pessoal, que nada mais é (quem nasceu nos anos 60 e 70 sabe disso) que aquele antigo SOS, que era uma correntinha que a mãe colocava na gente com os dados pessoais, endereço e tudo mais. O nosso é mais moderno e leva além das informações pessoais, informações sobre a moto, seguros, telefones de contatos, além de informações também sobre o parceiro de viagem. Fazemos 4 desse e plastificamos para serem distribuídos em locais pré-definidos: na jaqueta, em baixo do banco da moto, na mala ou baú e um fica com o parceiro. Posso enviar o modelo caso precise, basta pedir!

Outra coisa que acho importante é guardar cópias dos documentos e chaves, um do outro. Mas todos os documentos, cópias de cartões de crédito, passaporte, carteirinhas de seguro, plano de saúde, além de todas as chaves de baús e motos. Fica mais fácil caso um perceba que perdeu uma chave ou então que perdeu um cartão de crédito! Ou, no pior dos casos, mas faz parte do planejamento, caso aja algum acidente! Faz parte planejar isso também!

A bagagem foi acondicionada nas duas motos da seguinte forma:

Na Falcon da Chris temos um baú de 45 litros onde ela colocou as roupas de frio e algumas coisas menos usadas; temos também uma mala de garupa da Tacna, que tem 35 litros e vários bolsos, além de compartimentos para guardar garrafas. Nesta ela levou as roupas de maior uso, além de cabos de celular, câmera, capas de chuva e levávamos sempre um spray para corrente para ir usando no caminho.

Na minha DL temos também um baú de 45 litros igual ao dela, onde coloco minhas roupas de maior uso, dentro de uma mala de baú que cabe justinho nele. Nesta coloco também o gps reserva, tripé para maquina, carregadores, documentos reserva entre outras coisas. Temos também na minha um par de baús de alumínio (do Ynho) de 35 litros cada, onde acondicionamos todas as ferramentas, peças sobressalentes, comidinhas, capas de chuva e galochas, luvas reserva, termômetros e mais uma infinidade de coisas. Eles iam com o peso maior para ajudar a baixar o centro de gravidade da moto.

Levo ainda mais 3 malas impermeáveis, uma grande na garupa, onde guardo nossos tênis e minhas roupas de frio e mais duas pequenas que usamos durante a viagem, para roupas sujas por exemplo. Essas duas ficavam presas em cima dos baús laterais, intercalando com o tanquinho plástico de 10 litros quando armazenávamos combustível!

Ufa! É bagagem pacas!

E sei que é um saco para quem não se interessa ler isso, porém, eu gosto muito de ver nos relatos de outros viajantes como fazem a preparação e acredito que tenha outras pessoas interessadas nisso, então….já foi!

Temos tudo isso em arquivos, caso queiram que agente envie, fiquem a vontade para pedir!

Mapas e referências

Vamos ao planejamento propriamente dito da viagem.

Faço sempre o plano das rotas no programa da Garmin (GPS) o Map Source, usando os mapas do projeto Tracksource, Mapear, Cono Sur entre outros. Fizemos inicialmente um trajeto saindo do Brasil pelo Chuí, estrategicamente, para encontrar alguns amigos no caminho, como aconteceu, vou falar sobre isso depois. Sairíamos pelo Chuí, passando pelo Uruguai para chegar à Buenos Aires, onde a Chris tem família, mais precisamente na cidade de Glew, à uns 30 kms do centro de Buenos Aires. De lá seguiríamos pela Ruta Nacional 3 até a Tierra Del Fuego e ao Ushuaia.

A ideia era voltarmos por Punta Arenas, visitar as Torres Del Paine, e retornar à Argentina para El Calafate, El Chalten, subir até San Carlos de Bariloche (Ruta Nacional 40) e dai Chile novamente para conhecer a região dos lagos, vulcões e Aconcágua, voltando ao Brasil por Mendoza, Córdoba e finalmente Paraguai. O plano inicial era esse.

Lógico que as rotas não saem do nada, a gente pesquisa bastante na internet, nos sites oficiais dos países que vamos visitar entre outros, por isso quero citar aqui algumas das fontes de pesquisas nossas:

Costumamos também anotar alguns Hotéis no planejamento, dando preferência aos Hostels, em particular ao Hostelling International. É o antigo “Albergue da Juventude” e tem hospedagens para todos os gostos, de um quarto compartilhado, com várias camas tipo beliche, onde se divide com gente de todo o canto, até um quarto de casal, com banheiro privativo, café da manhã e tudo o mais que um bom Hotel pode oferecer.

Alguns são gratas surpresas, com acomodações sensacionais à preços bem interessantes, vale a pena!

Pegamos também informações, no caso desta viagem, sobre as balsas, ou ferrys que usaríamos no trajeto, como por exemplo o Buquebus e o Transbordador Austral. Para resumir, tentamos sempre viajar com o mínimo de surpresas. Levamos inclusive parte desse planejamento impresso, desde os mapas (caso os 2 GPS’s dêem um piripaque), horários das balsas, tarifas delas e de hotéis, enfim, tudo o que é possível para seguirmos tranquilo o mais rápido possível.

Ah, sem esquecer do câmbio! Como relatei na viagem de Machu Picchu, para Ushuaia não fiz diferente. Fiz um arquivo que também imprimimos onde tinha as cotações das diversas moedas dos Países que passamos: pesos argentinos, chilenos, uruguaios e também Guaranis, além de marcar todos os pontos de casas de câmbio pelo caminho que faríamos.

O arquivo que faço e imprimo é assim:

Cotações e Conversão de Moedas:

Para R$ 1,00Peso uruguaio: $ 11,70Taxa: 0,08549 R$= 1 Peso uruguaio
Peso argentino: $ 2,33Taxa: 0,4287 R$ = 1 Peso argentino
Peso chileno: $ 282,97Taxa: 0,003534 R$ = 1 Peso chileno
Guarani paraguaio $ 2.896,03Taxa: 0,0003453 R$= 1 Guarani paraguaio
Dólar dos EUA $ 0,59Taxa: 1,697 R$ = 1 Dólar dos EUA
Data cotação utilizada: 08/11/2010
Com dados captados do site do Banco Central do Brasil. Fica mais difícil de se atrapalhar ou até mesmo de ser enganado.

As Aduanas também são uma preocupação no planejamento. Teve uma situação, saindo da Bolívia para entrar no Peru, pelo paso de Desaguadero em 2009, que fomos salvos por essa marcação no GPS. A aduana para motociclistas na Bolívia, naquele local, fica muito escondida e ficaríamos alguns minutos procurando, não fosse esse precioso ponto de gps previamente anotado, hehehe! Vale o trabalho!

Aduanas

Ainda falando das Aduanas, existe muita controvérsia com relação aos procedimentos aduaneiros nos diversos países em que costumamos viajar.

Os procedimentos previstos em leis nem sempre são seguidos, por vários motivos, em algumas, como as unificadas do Brasil com Argentina por exemplo, existe o excesso de movimento, onde o procedimento deve ser resumido para não criar tumultos. Nestas unificadas, como a de Foz por exemplo, o procedimento é bem simples e rápido, além de os fiscais e policiais serem extremamente educados e prestativos.

Todos os viajantes tem dúvidas sobre os procedimentos, mesmo os mais experientes e por isso, perguntar antes para um fiscal é sempre uma boa opção.

Os procedimentos estão relacionados em vários sites (procure sempre os oficiais) como o Portal Consular do Ministério das Relações Exteriores, Ministério de Obras Públicas do Chile, Ministério do Turismo Argentino, entre outros. Nestes você pode verificar os documentos e procedimentos necessários para atravessar as fronteiras.

Mas posso dizer o que tenho comigo sobre isso: no caso da viagem com moto, deve se fazer o procedimento para o piloto e para a moto separadamente, então, inicialmente procure na Aduana o departamento de Migração e faça o procedimento para o piloto.

Na maioria das Aduanas o procedimento exige o preenchimento de um papel, para agilizar os trâmites, então se informe antes se há essa exigência e já comece a preenchê-lo.

Ah, leve sempre uma caneta junto com você para não depender da estrutura deles.

Nesse procedimento os documentos pessoais são exigidos, como o Passaporte, ou RG e o tal papel.

Em seguida deve-se fazer o procedimento para a moto. Este é a documentação que comprova a entrada do veículo para fins de turismo no país. Na saída do país, você deve se certificar se há a necessidade de “dar a saída” do veículo.

Em alguns países como o Uruguai e Bolívia é necessário ainda que se passe no Departamento Policial da Aduana para adquirir uma Autorização para Transitar com o Veículo naquele país e, no caso da Bolívia, essa autorização deve ser carimbada em todos os “Postos Policiais” localizados nas estradas.

Não se assuste na Bolívia ao avistar um desses:

Pare na “barreira” por que é obrigatório e pode lhe criar grandes problemas depois se não tiver todos os carimbos de onde passar.

Lembre-se: Cada país com sua lei e somos turistas, devendo sempre respeitar ao máximo tudo que nos é imposto.

Apesar de tudo isso, a Bolívia é um dos Países mais bonitos para viajar de moto, com um povo simpático e receptivo.

O Uruguai é um país lindo também e verdadeiramente “irmão de fronteira”. Os Uruguaios são muito animados e respeitadores. Adoram o Brasil e os viajantes Brasileiros. Nas Aduanas, além dos procedimentos rápidos e claros, os fiscais são curiosos com relação às motos, locais que visitaremos e etc. Muito bom!

Rotina, Visual e Itinerário

Já deu pra perceber que gosto de planejar né?

Rotina:

Antes da saída, seja em grupo ou nesse caso, com a Chris, costumo definir uma rotina dos dias de viagem, onde (mais ou menos) definimos como serão os dias, como e o que faremos antes, durante e depois da viagem do dia. Para esclarecer vou colar aqui a rotina que fizemos para essa do Ushuaia:

Rotina da Viagem (Usar sempre fuso horário Brasileiro)

  • Acordar 6:30 para sair no máximo às 8h;
  • Chegar na cidade destino e abastecer, lubrificar corrente e encontrar Hotel;
  • No Hotel: colocar aparelhos para carregar, estender roupas ou lavar;
  • Pequenos reparos na moto;
  • Banho e Janta;
  • Combinar café da manhã no Hotel e deixar pago caso necessário.
  • Verificar programação do dia seguinte, verificar previsão do tempo quando precisar;
  • Separar documentos ou dinheiro para câmbio quando for passar fronteiras.

Isso é coisa de sujeito chato, concordo, mas facilita demais as coisas. Com a Chris, pensamos muito igual e nem haveria a necessidade de fazer um desses, mas numa viagem em grupo, ahhh, isso é definitivo!

Visual:

Em um dos Postos que paramos na Argentina para abastecer, o frentista me pediu um “calco” da viagem, um adesivo. Disse que todos os brasileiros que passam lá tinham adesivos das suas viagens e que ele colecionava, hehehe! Pois bem, não sei se é uma mania brasileira ou motociclística, mas o fato é que eu pelo menos gosto de dar nome as viagens e a partir dai, fazer adesivos e camisetas que ficam de recordação para sempre.

Itinerário:

Gosto de prever o máximo possível o trajeto, apesar de não definir exatamente as paradas para pernoite entre outras coisas, mas pelo menos para termos um plano à seguir e para dar rumo à viagem.

Faço sempre um resumo dos dias e das possibilidades de desvios ou paradas para cada dia e fica mais ou menos como esse que fizemos para a viagem.

Vale deixar claro que o planejamento para mim já é a viagem.

Eu gosto mesmo de fazer tudo isso por que começo a curtir tudo sobre a viagem bem antes de acontecer; não perco nem um detalhe do trajeto e conseguimos assim diminuir e muito a possibilidade de termos algum problema ou surpresa.

Para finalizar essa fase do planejamento, fazemos algumas listagens que acho interessante relatar aqui, como por exemplo uma lista bem completa de todas as Agências e oficinas autorizadas das marcas de motos que usamos.

Tenho ela completa aqui caso queiram, do Uruguai, Argentina e Chile, além de uma das Concessionárias Suzuki.

Outra que fazemos também é dos Hostels (Hosteling International) pelo caminho.

Dessa forma já temos apoio mecânico se precisarmos e alguma hospedagem, pelo menos como primeira opção!

André Carrazzone Neto e Christiane Von Allmen

Mais informações, tabelas e imagens podem ser vistas no blog Dois em Duas.


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