Já tinha acontecido muito problema e nada, nada poderia dar errado.

Foi ai que o destino resolveu conspirar contra a minha companheira. Espera ai que vou te contar essa história.

Era janeiro de 2009, fim de tarde, eu, o Buga e o Marcelo, dois amigos que rodavam o Uruguai comigo acompanharam a cena.

Em La Paloma paramos para abastecer e eu inventei de usar a super fangio 95, fui dar a partida ela andou e falhou. Foi o sinal que algo estava errado.

Insistente eu tentei dar a partida de novo. A moto só engasgava e não funcionava. De repente quando eu olho minha calça estava encharcada de gasolina, descobri que vazava do filtro ar. Era muita gasolina, imagina uma cachoeira. Não entendia o que estava acontecendo.

Desliguei a moto imediatamente e mesmo assim continua correndo gasolina. Fechei a torneira. Teimoso tentei ligar mais uma vez e a gasolina corria agora também pelos dois escapamentos. O chão estava empossado e eu desesperado!

Sem dinheiro, porque ela já havia dado outros gastos e problemas para mim na estrada, sem cartão de crédito porque quando saímos do Brasil esquecemos de avisar o banco, sem celular porque não habilitamos, ou seja, eu estava perdido.

A solução foi recorrer à internet, onde encontrei pelo msn o Sérgio Novak, um amigo mecânico, que estava online. Ele disse que provavelmente seria uma sujeira na bóia do carburador. A solução que ele propôs parecia absurda. Disse que era para ficar dando a partida até a moto pegar e acelerar até ela engolir todo o fogo que sairia.

Nossa, estava eu no meio do nada, cercado de gente que não entendia a minha língua indo fazer um ataque terrorista no posto. Eu achei que fosse piada a parte do fogo e contei para os meus companheiros, o Marcelo quis assumir a situação, afinal eu tinha acabado de aprender a pilotar uma moto e nem tinha noção de mecânica.

Lembro dele se aproximando da moto, todo empolgado com a situação. Pegou no guidão, fez a moto pegar e foi aquela gritaria! Os frentistas saíram correndo, assustados! Quando a moto pegou todo o combustível que havia escorrido dos escapamentos incendiaram e a moto parecia um lança chamas! As labaredas tinham pelo menos uns três metros! Ele continuava acelerando! Aos olhos de outras pessoas estávamos loucos. Mas ele enrolou todo o cabo até destrancar a bóia.

Nos bastidores o meu coração doía. Estava com a sensação que era a minha ultima vez com ela, mas a estratégia deu certo.

Depois que normalizou a situação as pessoas queriam saber qual era o motor da minha moto. E os gringos pensando que eu tinha um foguete nas mãos! Era apenas a minha Deuce fazendo charme, me tirando do sério em mais um de seus episódios.

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar este artigo.

Deixar seu comentário

  1. Postando comentários como visitante. Cadastrar ou login na sua conta.
0 Caracteres
Anexos (0 / 3)
Compartilhar sua localização

CADASTRE-SE PARA RECEBER AS VIAGENS PUBLICADAS

Você poderá sair da lista de e-mail a qualquer tempo.

Livros sobre viagens pela América do Sul e Himalaia

Mais textos legais

Planejamento nas viagens de moto

Esse breve e despretensioso manual vai tentar ajudar os motociclistas iniciantes em suas viagens...

Manual do garupa

Muito já se escreveu sobre condução de motocicletas, mas pouco se fala de um assunto muito...

Vivendo e Aprendendo!

Quem diria que veteranos e atuais motociclistas muitos anos depois iriam ver e comprovar a garra...