Contrariando aquilo que qualquer autor de contos, mesmo o mais modesto e amador como este subscritor sugeriria, iniciei este relato pelo título, pois ele me surgiu à cabeça quando me vi, lá pela enésima vez, embasbacado olhando a moto do vizinho.

Tive a sorte de nascer motociclista, em uma família completamente apaixonada por motos. Mas, por 31 anos da minha vida, fui garupa. Até que, em 2018, eu decidi mudar o rumo das coisas. Queria começar a pilotar.

O sábado amanheceu com o ceu limpo e uma leve brisa. Eu estava ansioso. Era hora de pegar estrada. A minha velha moto já estava abastecida, com a corrente lubrificada e com os pneus calibrados. Estava um pouco suja, pois não tive tempo para dedicar-lhe uma boa limpeza.

Há muitos anos nós, que lidamos com o mundo do motociclismo, ouvimos falar e lemos em lindos textos compartilhados nas mídias sociais as razões que levam uma pessoa a se tornar motociclista, normalmente com inúmeras vantagens listadas para justificar um modo de vida ou comportamento que as pessoas assumem ao entrar neste mundo.

Sábado à tardinha, dia 27 de janeiro, em casa “à toa” apenas molhando os jardins, recebo uma ligação de um grande amigo, ex-chefe no trabalho, numa ligação ruim com algumas falhas, já que ele estava falando de sua fazenda próximo a Pedro Leopoldo – MG que não tem o sinal de celular legal, nos convidando, eu e minha esposa para irmos até lá passar o restante do sábado e retornarmos no domingo, 28/01/18.

A princípio, não me parece muito "técnica" a utilização da palavra "expedição" para viagens de turismo. Já a usei para designar minhas primeiras viagens de moto e, hoje, após pesquisar e ouvir, apresento a análise constatada. A palavra soa bem e faz uma simples viagem parecer um grande feito, inédito.

‘Eu vou’! Em 2008, quando decidi o destino da viagem de férias, realizada em abril de 2009, não imaginava as emoções, as reflexões e os imprevistos que viveria em 24 dias de aventuras. Tudo bem, não era uma viagenzinha qualquer: a ideia era percorrer 6 mil km até Ushuaia, cidade da Argentina e ponto extremo sul das Américas – e claro, outros 6 mil km voltando. Ah, sim, um pequeno detalhe: tudo sozinho e a bordo de uma moto Tornado XR 250, apesar de possuir também uma Harley Davidson Sportster 883R.

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