Ruas, avenidas e estradas, deveriam ser locais para transitarmos com segurança e tranquilidade. Não é verdade?

Um cidadão que vai ou vem do trabalho, seja no seu veículo particular (que poderá ser carro ou motocicleta), ou até mesmo num coletivo público, terá ele segurança e certeza que chegará bem ao seu destino?

E aqueles que fazem percursos mais longos, tais como estradeiros que passam de uma cidade para outra, como se sentirão eles?

Após essa pequena introdução vou colocar minha opinião de motociclista veterano e que ainda utiliza as vias públicas:

Outrora a maioria das estradas eram de terra e até muitas ruas urbanas também, acontecendo por isso de nelas haver muitos desníveis, buracos e incomodativas costelas provocadas pelas chuvas. Razão de serem periodicamente niveladas por máquinas.

Mas com a modernidade, o asfalto veio com o propósito de transformar essas estradas de terra em vias mais seguras, tornando-se ele por isso padrão de qualidade e modernismo em todo tipo de vias, fossem municipais ou interestaduais.

As interestaduais, estando agora sua maioria sob contrato de terceirização, encontram-se em melhor estado de conservação. Mas as que estão sob responsabilidade dos governos são, via de regra, terríveis calamidades. Além de impróprias, chegam ao cúmulo de serem indignas para o uso do contribuinte que paga IPVA e outros impostos pertinentes, para que possa ter vias seguras ao trânsito. Mas mesmo assim não as têm.

Na qualidade de motociclista usuário dessas vias, conhecedor de como eram e como estão atualmente, só considero diferentes na visualização da cor (enquanto de terra é ocre, de asfalto é negra) pois o resultado para o usuário é o mesmo, ou pior. Desníveis, buracos, e por mais incrível possa parecer, até costelas ainda existem nas vias asfaltadas, que se tornam piores que nas vias de terra, e explico porque:

Nas vias de terra o cidadão sabe que poderá existir desníveis, buracos e principalmente as referidas costelas e tomará o devido cuidado. Mas no asfalto, como pode esperar haja isso nele? Então, ao ser pego desprevenido por considerar estar numa via segura, no mínimo um acidente poderá acontecer em razão da surpresa.

Então, para evitar essas e outras armadilhas, sua atenção terá de ficar mais voltada para o piso do que para o trânsito e pedestres. Atitude essa perigosa pelo fato de não ser admissível que fixe sua atenção unicamente para esses obstáculos e postergando os demais cuidados. Para o caso do motociclista, então, essa alternativa é uma façanha considerada de altíssimo risco, portanto inadmissível!

E isso acontece até na  Av. das Américas, em plena Barra da Tijuca!

O único entendimento que tenho para tal desleixo é a incompetência de gerir; incompetência de fazer; incompetência de saber selecionar subordinados, sem querer entrar nos meandros da honestidade. Coisa que já vi ter saído de moda há muito tempo, infelizmente!

Com isso o cidadão fica à mercê de acidentes, com risco da própria vida e talvez até com a de terceiros; efetua idas e vindas a hospitais (que por falta de leitos deveriam ser utilizados para outras necessidades); arca com prejuízos pecuniários por perder dias de seu trabalho; e fica com a sensação de revolta por ver seu dinheiro desperdiçado em outras finalidades fúteis ou até escusas, ao invés de ser aplicado de forma honesta e adequada para  beneficiá-lo como rezam as leis e o bom senso.

João Cruz é autor do livro Motociclistas invencíveis.