América do Norte, Yukon, Canada

Tok – Watson Lake (Parcial = 1.101 Km / Total = 25.453 Km) 

Às 05:30 AM ligo o computador e vejo o e.mail do amigo Michael, dando-me as boas vindas, em Watson Lake. Como o café em Tok será uma hora mais tarde, às 07:00 AM, em jejum, parto para a estrada.

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Como dizem os sábios: a privação – de vez em quando – é boa para o corpo e excelente para a alma.

Passa o tempo, o som grave do motor enche o mundo. Vento, chuva e frio são os únicos transeuntes. Os pés ficam gelados e as mãos já dormentes, parecem que vão queimar.

Depois de percorrer 183 km em boas estradas, chego a fronteira do Alaska com o Canada – Alcan Border, onde não é necessário parar. Mais a frente, na aduana americana, respondo a algumas perguntas de praxe e sigo o meu caminho.

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Com a chuva contínua, a paisagem fica cinza e essa é a cor que percebo na melancolia, também. Marco bobeira e passo a 100 km/h em uma grande poça de água: o jato gelado entra pela bainha por dentro da calça da capa de chuva, sobe pela perna e vai gelar até a minha bunda. Brrrr.

Para fugir da tristeza e das armadilhas, me ajeito no banco e exijo de mim mesmo mais concentração na estrada. Percebo que fizeram muitos reparos novos (loose gravel), que atravesso com muito cuidado.

Passa-se um longo tempo e paro para abastecer em Destruction Bay. Tiritando de frio, tomo uma sopa quente, dois copos de chocolate quente e um sanduiche de queijo quente. Com todo esse calor, o bom ânimo volta novamente.

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Do restaurante, olho o imenso Kluane Lake, que mesmo com o tempo cinza, teima em continuar muito bonito com suas águas calmas, vestindo um lindo manto prateado. As silentes montanhas da cordilheira, que emoldura o lago, com inveja da exuberância das águas, se cobriram de nuvens, porque até o outono não tem a sua veste de gelo para mostrar.

Depois de alimentar a carne e o espírito, visto a minha Electra e dou partida em nosso hibrido corpo. O TwinCan responde de pronto como uma poderosa e infalível bomba de reforço do meu coração. Que venha a maravilhosa estrada! Onde me aproximo da liberdade de voar!

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A chuva dá um folga e parece que o tempo vai abrir. Rola a quilometragem e começa a chover novamente.

Pouco antes de Hines Junction, numa grande reta, percebo a mamãe urso com seu filhinho cinza, atravessando calmamente a estrada. Reduzo a velocidade ao máximo e espero respeitosamente a natureza passar. Passo devagar por eles, ela me dá uma olhada franca e mergulham na floresta, enquanto volto a acelerar na estrada.

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Quando está muito frio, muita chuva ou em situações difíceis é quase impossível fotografar. Pena. Com o céu totalmente nublado, a noite ameaça vencer o dia, tentando envolver o mundo na escuridão. O frio aumenta e eu aumento a aceleração nas retas, a fim de ficar menos tempo exposto aos elementos. Mais vento, chuva e frio.

Às 07:00 PM, estou estacionando em frente ao confortável e aconchegante Historic Air Force Lodge, do novo amigo alemão Michael Lexou, cuja senha de acesso a Internet (Wi-Fi) é “I love Canada”.


PHD Artur Albuquerque
Fonte: phdalaska.hwbrasil.com e www.phd-br.com.br

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