alt


Armenia – Bogota (Parcial = 330 Km / Total = 9.080 Km)

Realmente, aconteceu como o segurança da lotérica tinha suspeitado. À noite, o Edinho me enviou um e-mail informando que seguiram diretamente para Cali e me esperaram na entrada de Cali como eu os esperei na entrada de Popayan, e por isso, nos desencontramos. Eu tinha comentado sobre os doces colombianos apenas com o Robertinho. E para o Edinho, que estava no momento puxando o trem, Popayan era apenas uma das muitas referências de navegação, e por isso passou por fora.

Respondi a mensagem, combinando que nos reencontraríamos em Bogota. A fim de dirimir possíveis dúvidas e afastar qualquer preocupação dos amigos que estão nos acompanhando pelo Blog e pelo FB, a nossa convivência está solidária, agradável e divertida. Não há qualquer ponto de atrito na nossa coexistência, amizade e união. O que pode estar causando algum estranhamento são as nossas esporádicas separações, que na verdade são consequência do que combinamos, antecipadamente, que foi ou está sendo respeitado com alguma flexibilidade, a fim de facilitar para o Edinho.

Primeiro, o Projeto da viagem definia dois parâmetros essenciais:

1. As Motos seriam Touring de ano 2009 em diante, em virtude da melhor autonomia (tanque maior), maior segurança (freios ABS), semelhança de desempenho (Consumo) e simplicidade logística (mesmas necessidades e ferramentas);

2. O Perfil de Deslocamento (Velocidade de Cruzeiro = 120 km/h / Abastecimento a cada 250 km).

Assim, ao ser aceito na Expedição – apenas devido a amizade e a intimidade familiar – ficou subentendido que a Evolution 1997 do Edinho não iria alterar qualquer coisa e nem mesmo impor outro perfil de deslocamento da expedição. Mesmo assim, adotamos vários procedimentos para adequarmos as incompatibilidades entre as máquinas, que são totalmente diferentes; mas, sem sacrificar o prazer e a liberdade de cada um. Na pior hipótese, se alguém resolver abandonar a expedição ou seguir sozinho por qualquer motivo, ninguém ficará zangado, porque ninguém depende de ninguém.

Quando falamos pela primeira vez em viajarmos juntos, a primeira hipótese para o Robertinho era ir ao Alasca sozinho e a minha também. Assim, se ainda estamos seguindo juntos é apenas porque estamos nos sentido muito bem. No nosso grupo, ninguém é obrigado a nada. Por exemplo: hoje soube que o Edinho vai para o Rio, desistindo de ir até o Alasca, devido a saudade e aos problemas recorrentes da moto (plenamente previsíveis).

Eu e o Robertinho ficamos satisfeitos com a sábia desistência do Edinho, porque a brincadeira – não foi necessidade – de participar da expedição com uma Evolution 1997, no extremo Alasca, poderia ter uma consequência sacrificante para o grupo muito pior; e além disso, eu desde o início soube sobre a possibilidade de o Robertinho ter que voltar repentinamente para o Rio e eu ter que seguir sozinho. Se isso acontecer, ficarei muito triste pelo motivo da volta e pela desistência compulsória do sonho do novo amigo, porque para o Robertinho, a viagem de moto ao Alasca é coisa séria e muito importante, tanto para ele quanto para mim também.

Por outro lado, quero enfatizar, também, que a finalidade do diário de bordo é registrar tudo o que vem acontecendo conosco, a fim de que a nossa experiência possa ser útil para outros que irão fazer esta ou outra viagem de moto, além de servir de subsídio para o meu novo livro, e não há a intenção de superexpor ou ignorar nada e nem ninguém. Principalmente, o Edinho tem sido um excelente companheiro, extremamente colaborativo e piloto seguro, cuja alegria, conhecimento e iniciativa farão falta ao nosso grupo; apenas escolheu a moto errada para a longa viagem.

Assim, toda essa explicação é uma deferência especial aos nossos amigos, a fim de que seja apagada toda e qualquer má impressão sobre a nossa interação e convivência.

Então, depois de um sono de pedra, às 06:00h já estava acordado. Enquanto preparava a única mala de bagagem (as coisa de uso diário, pois o resto fica nas bolsas da Electra) para amarrar no banco traseiro, me ocorria que estar com os amigos na estrada era excelente; mas, fazer sozinho essa perna até Bogota, sem dúvida, será sensacional.

Depois de me cederem a única refeição da manhã – um copinho de café colombiano – agradeci a amabilidade daquelas pessoas gentis, incorporei à minha Harley, dei a partida e a resposta rápida do TwinCan encheu de turbulência o ar do pequeno sagão e, como sempre, encheu de segurança e certeza de chegar – em qualquer lugar – o meu coração.

Me sentindo forte e bem disposto, com a mente aberta e o espírito nas nuvens, acelerei em direção ao norte. Céu nublado e estradas excelentes me levaram até a próxima serra. Em uma boa estrada, bela paisagem, temperatura amena, sempre me vem a mente um sentimento de gratidão: Meu Deus! Pilotando essa máquina, como me sinto bem.

Em Calarca, iniciei a subida de 50 km de maravilhosa serra, que culmina em El Alto La Linea. Curvas de todo tipo, alta e baixa complexidade, se sucediam com as belas paisagens da natureza, além dos fantasmas assustadores dos grandes caminhões. Em toda cordilheira, eles são os reis das estradas e tudo lhes é permitindo, não existindo limites nem de mão e contra-mão.

Liguei o CD da moto, acionei a filmadora e dropei nas curvas. Curvas e mais curvas impressionantes, mesmo em baixa velocidade. Não obstante os constantes sustos pregados pelos grandes caminhões com as suas duas descargas para o alto – semelhantes ao do filme Encurralado – meu coração era só gratidão a Deus pela suprema felicidade. Nesses momentos de êxtase, em que me sinto ilimitado, penso logo na minha Paixão e meus olhos se enchem de lágrimas. Como eu gostaria de compartilhar tudo isso que estou sentindo e curtindo com ela, a minha amada companheira de vida e de estrada, pois ela também adora viajar de motocicleta.

Aumento a velocidade para secar o rosto e o som para aliviar o pensamento, e mais uma curva e uma ultrapassagem de precisão. Deito na curva e surge mais uma magnífica paisagem. Medo e perigo? Nem pensar. Posso pilotar com técnica obscura; mas com segurança e responsabilidade. Quando sigo por uma bela estrada, é como seu estivesse voando, acima das nuvens e invulnerável às armadilhas do mal. E gosto de pensar que aprendi a pilotar com os Espíritos Alados das Águias e dos Falcões e sempre que surge uma armadilha e estou em perigo, Eles vêm me ajudar.

Acaba a divagação do meu lado índio, assim como acaba a serra e chego a Caramarca, uma cidadezinha com uma praça interessante e um povo cordial. Precisava escrever e parei a moto à beira da estrada, em frente a um bar com várias cadeiras e mesas na calçada.

Conversei com uns homens que estavam na mesa e acabei me sentando com eles, enquanto outras pessoas tiravam fotos da Harley. Eram os senhores Adolfo, Mariano, Jairo, Edisson e Paulo. Tomei um café com eles e conversamos sobre a beleza natural e a vida na Colombia.

Relaxado, me despedi dos novos amigos, subi na Harley e rumei para Bogota. Estradas boas e com poucos carros.

Chegando à capital da Colombia, o trânsito no centro da cidade estava infernal. No meio da avenida em que eu estava, havia um caminhão tanque (agua) em pane, cruzando as 4 pistas, e somente dava para um carro passar por vez. Havia muitas obras públicas, construções de terminais nas grandes avenidas e em meio a esse inferno, um motociclista se ofereceu para me levar até a Avenida 26 (El Dourado), onde me deixou no rumo do aeroporto internacional.

Cheguei às 13:00h em Bogota e no Aeroporto Internacional, às 15:00h. Depois de ir para lá e para cá, quase sem gasolina – porque a moto deve ser entregue com o tanque vazio – consegui chegar ao Terminal de Carga (aeroporto antigo) e procurava a Puerta 2 (Acesso 2), onde fica a empresa Air Cargo Pack; e por acaso entrei na Puerta 1. Quando estava fazendo o retorno para sair, em uma esquina, quase bati com a moto do Edinho e o Roberto vinha logo atrás. Se tivéssemos combinado, não teria dado tanto certo.

Chegamos a Air Cargo Pack quase às 16:00h e fomos muito bem recebidos pelo proprietário, John Agudelo (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) e seu filho Jonh Jr (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) que iniciaram imediatamente os processos de tramitação aduaneira e preparação das motos para embarque. Se tivéssemos chegado mais cedo, as motos teriam embarcado hoje mesmo para o Panamá.

Enquanto esperávamos uma carona para o hotel, o Edinho comentou que iríamos juntos para o Panamá e em seguida, embarcaria para o Rio de Janeiro, prevendo reencontrar-nos apenas em Sturgis.

O Roberto me disse que na estrada tem se mantido atrás do Edinho para dar cobertura a ele e que na vinda para Bogota, pararam duas vezes no acostamento, porque a moto do Edinho estava travando o freio traseiro durante a descida da serra.

Enquanto o Edinho resolvia o que iria fazer da vida, avisamos para ele que estávamos indo para o hotel. O funcionário que nos levou iria voltar para buscá-lo. Como à noite o Edinho não apareceu, supomos que ele conseguiu antecipar o seu embarque para o Rio de Janeiro.

Grande Edinho! Mate a saudade e sossegue o seu coração. Suerte! Hermano.


PHD Artur Albuquerque
Fonte: http://phdalaska.hwbrasil.com/site/ e http://www.phd-br.com.br/

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar este artigo.

Deixar seu comentário

  1. Postando comentários como visitante. Cadastrar ou login na sua conta.
0 Caracteres
Anexos (0 / 3)
Compartilhar sua localização

CADASTRE-SE PARA RECEBER AS VIAGENS PUBLICADAS

Você poderá sair da lista de e-mail a qualquer tempo.

Livros sobre viagens pela América do Sul e Himalaia

Mais viagens pelas Américas

Alasca, por uma intrusa

Foi com naturalidade que olhei para o Erik e sua moto se aproximando da placa de boas-vindas do...

De Campinas ao Alaska de moto

Relato de uma grande viagem solo de moto de Campinas (SP) até Prudhoe Bay no Alaska, percorrendo...

Motociclista percorre América Latina com uma moto e pretende chegar ao Alasca

A vontade de sentir o vento no rosto, conhecer o caminho que irá percorrer e se aventurar foram os...