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Mototerapia: de Cuiabá até Machu Picchu

Machu Picchu Peru

Entre 31 de agosto e 15 de setembro de 2007, eu e minha mulher Emanuelle Daleffe realizamos uma viagem com nossa Yamaha XT 660 de Cuiabá no Mato Grssso até Machu Picchu no Peru. A seguir, o relato da viagem com algumas das fotos que registramos.

1º Dia - de Cuiabá a Santa Cruz de La Sierra

Saímos de casa, em Cuiabá, às 5 horas da manhã. Às 9 horas já estávamos na fronteira do Brasil com a Bolivia, na Cidade de San Matias, onde tiramos o Permisso e trocamos uns dolares por bolivianos. Iniciamos os 450 km de estrada de terra, um desafio que tem que ser no começo, enquanto estamos descansados e muito animados. Graças a Deus a estrada estava muito boa e deu para andar de 80 a 100 km/h. Ela nos deu alguns sustos, mas passamos bem e sem tombos.

Em cada cidade boliviana tem uma guarita com corda atravessando a estrada, onde pedem os documentos e uma colaboração para o posto policial, então é bom ter bolivianos trocados. Não existem postos de gasolina nos 450 km de terra, mas tem gasolina nos bares da beira da estrada (não precisa carregar galão). Fizemos neste 1º dia 1.150 km até Santa Cruz de La Sierra, onde chegamos às 21 horas. Jantamos e fomos dormir, pois estávamos muito cansados.

saida de casa Cuiaba MT 1

saida de casa Cuiaba MT 2

2º Dia - de Santa Cruz de La Sierra a Cochabamba

Demos uma volta por Santa Cruz e fomos para Cochabamba (550 km). Existem duas estradas, uma nova e uma velha. Vá pela nova. Dizem que tem menos curvas. Encontramos um casal de V-Max e fomos juntos. Andamos uns 200 Km e começamos a subir a Cordilheira dos Andes (e eu não sabia que já subia).

Pensem em uma subia de mais ou menos 3 horas, passando dos 4.000 metros de altitude e do calor para o frio. Uma subida incrivel, lindissima, o visual é demais. Alguns trechos da estrada era de terra e a V-Max sofreu, mas a XT 660 (Lady) estava acostumada e foi muito bem.

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Nos colocaram muito medo com a altitude, pois as motos perdem potência, mas as motos com injeção vão muito bem, inclusive mantém a média de consumo. Quando começamos a descer, uma ótima surpresa, o pessoal de um motoclube de Cochabamba estava no meio da rodovia com 3 modelos usando roupas sensuais e tirando fotos para a promoção de um encontro de motos. Paramos e fizemos amizade com o pessoal que nos convidaram para irmos até sua casa para tomarmos um café. Depois nos ajudaram a encontrar um hotel.

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Lá ficamos sabendo que no dia seguinte ninguem poderia andar de moto e carro, somente de bicicleta ou a pé, porque seria comemorado o dia do meio ambiente. Teriamos que sair da cidade antes das 9 horas.

3º Dia - de Cochabamba a La Paz

Saímos rumo a La Paz (300 km) e de novo continuamos a subir, subir, subir e chegamos próximo aos 5.000 metros de altitude, com muito frio. Quando paramos para abastecer eu estava com falta de ar e muita dor de cabeça. A Emanuelle não sofreu com falta de ar, mas tambem teve dor de cabeça. Nesta época do ano os rios estão todos secos (todos mesmos). 30 km antes de La Paz começou chover gelo, mas foi coisa rapida.

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La Paz é dentro de um buraco, parece uma cratera de vulcão, as casas são muito pareçidas com as casas da rocinha, todas no paredão. Nos hospedamos por R$ 30,00 em um hotel 3 estrelas e jantamos por R$ 6,00. Os preços na Bolivia são muito atrativos.

4º Dia - de La Paz a La Paz

Saímos cedo para Coroico passando pela estrada da morte. Segundo a Unesco é a estrada mais perigosa do mundo (100 Km). Saímos do buraco La Paz, e subimos acima dos 4.000 metros onde vimos pela primeira vez neve no topo das montanhas. Começamos a descer o caminho de Coroico, 40 km de asfalto e 40 de chão e realmente o caminho é de tirar o folego. Muitos gringos vêm a La Paz só para descer de montain bike e neste dia tinha muitos.

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Chegamos a Coroico, que fica a 1.700 metros de altitude, onde encontramos muito calor. Almoçamos e começamos a subir por outra estrada de alfalto. Quando chegamos no ponto alto, onde de manhã vimos neve no pico, sentimos a neve no corpo: uma nevasca que tornou dificil pilotar. Tudo estava coberto de neve. Graças a Deus que foram por poucos quilômetros. Depois começamos a descer para La Paz onde lavamos e fizemos uma revisão na moto.

5º Dia - de La Paz a Puno

Saímos de La Paz em direção a Puno no Peru (330 km). Rodamos 100 km e chegamos ao Titicaca, o lago sagrado dos Incas, que fica a 3.800 metros de altitude, o lago mais alto do mundo, com mais de 170 km de estensão e chegando a 68 km de largura. Atravessamos de balça em um dos lugares mais estreitos e chegamos a Copacabana na Bolívia, uma cidade muito bonita e com muitos turistas. Lá vimos pela 1º vez uma igreja com um altar de oito metros de altura inteiramente de ouro. Almoçamos trutas do lago, que é o prato principal da cidade. A 8 km de copacabana fica a fronteira com o Peru.

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A policia Boliviana nos pediu a autorização do veiculo e nós não tinhamos, só tinhamos o permisso. Nós estavamos certos mas a moto não. Uma hora depois saimos da fronteira e fomos para Puno que fica 50 km depois. Bela cidade na beira do Lago Titicaca, com 170.000 hab. Fomos de barco conhecer os Uros, uma das civilizações Incas mais antigas do Peru que moram em ilhas flutuantes feitas de tororó, um capim nativo com o qual fazem de tudo, ilhas, barcos, casas, comida, etc...

Bebe Uros Titicaca

É um passeio que recomendamos. R$ 7,00 por pessoa. Voltamos, fizemos um city tur por Puno e fomos jantar em La Choça de Oscar, um dos melhores restaurantes que ja fomos, uma bela comida e um show peruano tipico, lindíssimo, tudo isso por apenas R$20,00.

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6º Dia - de Puno a Ollantaytambo

Saimos de Puno com destino a Cuzco (400 km). Cuzco é uma cidade grande com muitos turistas e pessoas querendo te esplorar o tempo todo. No centro de opoio ao turismo descobrimos que a 100 km tem uma cidade menor onde o trem para Machu Picchu passa. Rumamos pra lá passando pelo Vale Sagrado, um lindo caminho.

Ollantaytambo Vale Sagrado

Chegamos a Ollantaytambo, uma cidade muito simpática com muitas edificações parecidas com Machu Picchu. Fomos comprar passagem para o trem e nos cobraram $102,00 por pessoa para uma viagem de 1:30 hs de duração. Achei um roubo. Nos informaram que o preço promocional de R$57,00 é só com 3 dias de antecedência.

7º Dia - de Ollantaytambo a Cuzco, passando por Machu Picchu

Pegamos o trem para Machu Picchu às 7 horas. Chegamos na cidade e pegamos um ônibus para as ruinas por R$12,00 por pessoa. Nas ruinas R$40,00 por pessoa para entrar. Machu Picchu é um lugar especial e a energia é espetacular. Por coincidência, encontramos vários amigos de trabalho do Brasil e da Argentina.

Descemos de volta para a cidadesinha de Machu Picchu para almoçar e fomos trocar a passagem de volta do trem que estava maracada para as 16 horas porque nós não tinhamos o que fazer lá. Conseguimos trocar para as 14 horas. Para nossa raiva, descobrimos que os peruanos pagam pela passagem de trem R$6,00 e os turistas R$102,00. Maravilha... Saimos de Ollamtaytambo e fomos dormir em Cuzco.

7º Dia - de Cuzco a Arequipa

Saímos de Cuzco e na estrada encontramos dois Italianos de moto. Conversamos um pouco, tiramos umas fotos e continuamos em direção a Arequipa. Vimos uma placa indicando Arequipa e entramos nessa estrada. Tinha apenas 5 km de alfalto e no final de uma curva o alfalto virou terra e fomos pro chão. Foi nosso batismo. O tombo valeu para saber que o caminho estava errado, seriam 250 km de chão passando por alí. Voltamos até o caminho certo. Percorremos 300 km a uma temperatura muito baixa e sem postos de gasolina. Compramos em um bar 6 litros que tinham e deu pra chegar em Arequipa, que tem uma praça identica e bonita como uma que vimos em Cuzco.

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8º Dia - de Arequipa a Arica

Saímos de Arequipa em direção a Arica no Chile (459 km). Entramos em um deserto chamado Pampa Clemesi percorrendo a rodovia Transoceanica (sem ver oceano). Almoçamos em Tacna e abastecemos pela ultima vez com gasolina barata, pois no Chile é o mesmo preço do Brasil. Chegando na fronteira onde nos pediram uma tal lista de passageiros, que não tinhamos, ai o fiscal peruano me mandou a um policial que me levou a uma salinha escondida onde fez o documento e pediu uma colaboração. Ofereci R$ 10,00, que ele prontamente aceitou.

No Chile a tal lista pecisa de 4 carimbos e toda a bagagem teve que passar no raio X. Duas horas depois saímos da alfândega e fomos para Arica, onde conheçemos o Oceano Pacifico.

9º Dia - de Arica a San Pedro de Atacama

De Arica a Iquique são 350 km pela Panamericana. O deserto continuou, o combustivel acabou e nada de posto nos 350 km que percorremos. Quando paramos por falta de gasolina já levantei a mão e um caminhão 3/4 parou e nos puxou os últimos 50 km. almoçamos em Iquique e saimos para a famosa San Pedro do Atacama (590 km). Loucura, pois já eram 14 horas.

Fomos pela estrada à beira mar e os ventos laterais eram um incômodo constante. Chegamos a San Pedro às 20 horas, muito cansados, pois foram 940 km em um dia. Achei que San Pedro era uma cidade grande, mas tem apenas 2.500 habitantes, sendo uns 1.000 hippies. E não tinha asfalto. Achamos que tinhamos entrado em uma furada mas, felizmente, tem bons hoteis e os restaurantes são muito agradáveis.

10º Dia - San Pedro de Atacama a Salta

Saimos às 8:30 horas do hotel e fomos abastecer. Encontramos um grupo com seis motos do Rio de Janeiro, que nos informaram que nos próximos 280 km não teria posto de gasolina. No posto não colocam gasolina em garrafa de refrigerante, só em galões.

Grande Salar Argentina

Carimbamos o passaporte na saída da cidade e fomos no sentido de Salta na Argentina (570 km). Começamos a subir, subir... 60 km depois, tivemos que parar para colocar capa de frio. Tinha neve até no asfalto e o vento estava muito frio. Entramos na Argentina e foi rápida a burocracia. Depois de subir até a hora do almoço, agora começamos a descer e começou a esquentar e de 1ºC foi para 38ºC, um calor insuportável. Chegamos a Salta às 17 horas. À noitee fomos passear pelos calçadões onde encontramos muita gente. Foi dificil encontrar lugar para jantar.

11º Dia - de Salta a Resistência

De Salta até Resistência são 800 km. Saímos cedo, pois erramos o horário. Entramos no Chaco Argentino, muito quente, e chegamos à conclusão que o frio é muito mais agradavel que o calor. Resistência é uma cidade agradável. Jantamos muito bem e tomamos uma brahma.

12º Dia - de Resistência a Assuncion

Amanheceu com muita chuva. Pela primeira vez vamos sair com chuva na direção de Assuncion no Paraguai (300 km). Andamos 200 km na chuva, mas estava agradavel pois não estava frio. Um policial nos parou e perguntou porque não paramos no posto de controle 30 km atrás. 50 km, outro posto de policia, que nos pediu o seguro carta verde. Não tinhamos e o policial nos multou em R$ 100,00. A multa nos liberava dos outros três postos pelos quais passaríamos à frente. Chegamos em Clorinda, na divisa, passamos nas aduanas e seriam 40 km até Assuncion, mas 20 km depois tinha um posto de polícia paraguaia, onde de novo pediram a carta verde, mas como estava muito quente eles nos mandaram embora.

Em Assuncion paramos em um bom hotel (Hotel Paraná) US$ 30,00. Levamos a Lady (XT) para tomar um merecido banho, fizemos um tur pela cidade a tarde e diga-se de passagem, achamos ela muito bonita e organizada.

ROTEIRO Viagem de moto Machu Picchu

13º Dia - de Assuncion a Ponta Porã

Foram 460 km de muito calor. Tínhamos que parar muito para tomar água e sorvete, mas nenhum policial nos parou neste trajeto. Incrível, foi o único país que não tivemos que dar propina. Chegamos às 16 horas em Pedro Ruan Caballero, pela ultima vez os carimbos e entramos no Brasil.

Troquei os pneus da moto por US$ 120,00 no paraguay. Descobrimos que o pneu trasseiro raspou muito no paralama e perdemos todas as ferramentas da moto. ótimo!!!

14º Dia - de Ponta Porã a Campo Grande

Fomos comprar uns bagulhos na casa China. Na moto não cabia muita coisa, mas mesmo assim compramos mais uma mala. Saímos para Campo Grande - MS (330 km). Na estrada não tinha sol, pois a fumaça das queimadas deixou o tempo fechado. Foi bom porque tornou a viagem mais fresca. Choveu à noite em Campo Grande e a temperatura ficou muito agradavél.

15º Dia - de Campo Grande a Cuiabá

Saímos às 10:00 hs para Cuiabá (700 km), e aceleramos um pouco mais para chegarmos de dia em nossa cidade. Às 17 horas estavamos entrando na cidade e a moto começou fazer um barrulho esquisito, mas chegamos em casa sem maiores problemas para encontrar nossos filhos que nos fizeram uma grande festa.

Mototerapia

Dicas:

  • As roupas devem ser resistentes ao frio, chuva e tombos. Não economize.
  • Existem muitos cachorros na beira da estrada. Cuidado.
  • Não confie nas placas (quando tem).
  • Andou 50% do tanque, abasteça.
  • Ande com dinheiro do país e trocado.
  • De Arequipa a Arica, se a motos não tiver mais que 300 km de autonomia, leve combustivel.
  • De San Pedro do Atacama à divisa com Argentina são 280 km sem postos.
  • Leve remédio para dores de cabeça, pois na altitude pode doer muito.
  • Nas farmácias locais tem um remédio para ficar bem na altitude SOROJCHI PILLS.
  • Os potes podem explodir em altitude acima de 4.000 metros.
  • À noite saia de tênis. Evita os engraxates.
  • Tire o seguro carta verde.
  • Moto em seu nome.
  • Ninguem me pediu a carteira de motorista internacional.

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