No dia seguinte, retornei ao posto para refazer o curativo. Logo cedo, às 8 horas, já estava na porta de uma oficina de moto onde comprei um manete da embreagem, que não é a própria, mas funciona. Eu ainda lavei e lubrifiquei a moto. Eram quase 11 horas quando comecei a sair da cidade rumo ao Piauí. Por lá eu economizaria um dia e meio do percurso até os Lençóis Maranhenses.

Mais plantação, mas muitas queimadas pelo sol e o Cerrado devastado, de Mateiros até Coaceral na Bahia. Rodei até às 17h30 quando cheguei à divisa da Bahia com o Piauí.

Nesse trajeto, tomar cuidado porque a região está repleta de pistoleiros e ladrões. É uma terra de ninguém, divisa da Bahia com Tocantins e Piauí. Mas se você chegar em paz e deixar a paz, pode ter a sorte que tive.

Depois de sofrer debaixo do sol e nas estradas de terra e buracos, cheguei à BR 135 e virei à direita rumo à divisa com o Piauí.

Após parar no último posto da Bahia, resolvi lubrificar a moto, regular a corrente e encher o tanque, que já estava na reserva. Não passei 20 minutos mexendo na moto e descansando, quando a polícia chegou para revistar.

Após 20 minutos de revista e perguntas, fui informado que estava sendo revistado e era um suspeito, pois no dia anterior, houve um assalto grande em Barreiras e a Polícia do Cerrado estava no mato. Eu estava todo sujo e cheguei ao posto pela BR 135 ou outra estrada sem eles terem informações sobre mim.

Aqui eu digo: agradeço ao acidente no Jalapão, pois imagine se eu saio cedo e encontro a Policia do Cerrado no mato, possivelmente eu teria tomado um tiro, pois sozinho, com comida para 3 a 4 dias, todo sujo, perto da divisa e numa rota de fuga...

Arrumei tudo de novo e segui para atravessar a divisa. Mas antes perguntei, qual era melhor percurso, ir para Corrente no Piauí ou passar a noite em Formosa do Rio Preto. Eles me mandaram sair da Bahia.

Resolvi agradecer mais uma vez, mas me parece que o que menos valorizava o cargo me deu uma tirada. Disse: “Some daqui, você já esta quase na sua cidade, senão vou te prender”.

Pedi desculpas e atravessei para o Piauí, que estava a apenas 100 metros de distância.
Perguntei ao guarda do Piauí se tinha que parar, e ele me respondeu que podia seguir em frente, sem problema.

Passei a noite em um posto de gasolina em Corrente, cidade relativamente calma. Achei caro pagar 50 reais em um hotel. Novamente fui bem recebido pelos caminhoneiros e dormi armando a rede entre as carretas.

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