Foi com naturalidade que olhei para o Erik e sua moto se aproximando da placa de boas-vindas do estado do Alasca pela segunda vez. Mas foi com o coração inflado que olhei para a Myrian abraçando seu marido depois de quase 2 meses na estrada. Sem dúvida, é emocionante ver mulheres e motos superando fronteiras.

A Rodovia Panamericana é uma rede de estradas que se estende de norte a sul no continente americano totalizando cerca de 48000 km (o eqüivalente de mais ou menos vinte e nove mil milhas). Exceto a uma pequena brecha ou lacuna de 87 km numa zona de matas tropicais na fronteira entre a Colômbia e o Panamá, alternativamente podendo-se circuncidar esse trecho terrestre por via marítima, a rodovia conecta vários dos territórios das nações continentais americanas em um sistema de transporte automobilístico terrestre de dimensões verdadeiramente continentais.

Foi com uma inocência incrível que tudo começou. Com o mapa do continente americano aberto, fiquei lá, fuçando pelas extremidades, o mesmo péssimo hábito que já havia me levado a despender quantidades enormes de tempo e energia para chegar ao Everest, refazer a rota da seda, ao Atacama por 3 vezes, 11 vezes à Patagônia, à África, 3 vezes ao Ártico, entre outras pequenas proezas menos fantásticas. Sempre que possível, para os mais loucos confins do planeta.

60 dias sobre duas rodas para percorrer 10.000 km, sob sol e chuva, frio e calor, conhecendo e documentando a natureza e as pessoas, registrando e divulgando o que virem. Estes são os objetivos de três estudantes que, pilotando duas Suzuki Intruder de 125 cc, partiram de Foz do Iguaçu no Paraná em direção ao México, de onde pretendem atravessar o oceano para a "Ilha de Fidel".

Durante 53 dias, dois motociclistas brasileiros, Marcos Pires e Sérgio Cortes, do Moto Club de Campos, pilotando duas Honda Shadow 600 cc, fizeram uma viagem de moto entre Miami, nos Estados Unidos e Campos, no Rio de Janeiro. Foram 19.407 km de estradas de 15 países.

O motociclista Sinomar Godois, o "Velho Doido" comprou sua primeira moto em 2008, quando aprendeu a pilotar. Desde então não parou mais. Já viajou para o Atacama, o Nordeste do Brasil e para Ushuaia, viagem que se tornou a primeira etapa de uma grande aventura: chegar aos dois extremos das Américas.

Motos grandes e rápidas e veículos de apoio são para os fracos. É o que prova o inglês Simon Gandolfi, de 73 anos, quando ele compra uma "pequena moto de entrega de pizza" no México e percorre toda a América Espanhola até chegar a Ushuaia.

Em 2010, dois amigos, os vendedores Diego Giacomeli e Gustavo Biazotto de Igaraçu do Tietê (SP), fizeram uma viagem em duas motos pequenas, uma Honda CG 125cc ano 1997 e uma Honda CG 150cc ano 2004. Eles visitaram 24 estados brasileiros, dez países da América do Sul e em junho do ano seguinte um deles, Diego Giacomelli, chegou ao Alaska, no extremo norte das Américas.

O jornalista aposentado carioca Luiz Melo resolveu jogar tudo para o alto, vendeu casa, carro e todos os seus bens, comprou uma moto Dafra Kansas 150 cc e partiu para percorrer as estradas, primeiro de vários estados brasileiros, depois de países da América do Sul e, uma coisa levando à outra, foi parar nos Estados Unidos.

Viajar de moto por longas distâncias, sozinho, exige motivação, determinação, planejamento, um pouco de coragem, dinheiro e uma moto potente e confortável, correto? Nem tudo. Determinação, planejamento e um pouco de coragem pode até ser, mas dinheiro e moto potente e confortável, nem sempre.

É o que prova o motociclista Flávio Kenup.

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