Expedição Mato Grosso-Oiapoque-Chuí-América do Sul

Nós seres humanos temos uma grande capacidade de adaptação ao ambiente em que vivemos aos alimentos que ingerimos às estações climáticas, enfim... Existem pessoas habitando nas gélidas regiões dos árticos, e também nos escaldantes desertos do planeta, outros ainda habitam as inóspitas florestas tropicais e ainda os mais recônditos e inabitáveis lugares do planeta Terra.

Essa grande capacidade humana, ao mesmo tempo em que nos beneficia também nos é maléfica, pois ela aos poucos nos ensina a adaptar-nos a várias situações de conforto e comodidade, e aos poucos vamos perdendo o nosso espírito aventureiro e nos tornando amigos íntimos do sofá e do tão temido controle remoto, que aos poucos vai controlando nossa vida e nos tornando letárgicos, nos fazendo esquecer até de como sair do lugar comum e ver o mundo como ele realmente é; e não através da televisão, fotos ou internet, mas sim, irmos ao encontro dele e presenciar suas belezas aonde quer que elas se encontrem. Devemos ir e ver com nossos próprios olhos as belezas do mundo, sentir um aroma inigualável de uma especiaria rara, experimentada em algum lugar distante, ou então ver uma paisagem paradisíaca, talvez única, ou ainda, o frescor do vento acariciando nosso rosto nas altas montanhas ou nos grandes campos verdejantes e floridos que a natureza nos presenteia... Toda a infelicidade dos homens nasce de uma só causa “sua constante incapacidade de estar quieto em um único lugar”.

Um modo de viajar é adquirindo conhecimentos em lugares remotos e distantes, dando a possibilidade de nos distanciarmos e deixarmos para trás o barulho e as pressões de nossa vida cotidiana para nos conectarmos com o que realmente somos.

No fundo, apesar de todo o processo de globalização e de civilização, o homem ainda é um animal e precisa dar vazão a sensações e atitudes instintivas de alegria, de liberdade e de realização.

Nós passamos grande parte da nossa vida e do nosso precioso tempo aqui na Terra, reprimindo nossas reações instintivas, sublimando desafios ou então simplesmente nos submetemos a situações de tédio, de ócio, quando não de medo.

No código genético de nós, seres humanos racionais, está gravado que diante de um ataque temos opções para reagir com violência ou, simplesmente, fugir, acovardar-nos, ou esconder-nos. Mas no código social que se sobrepõe na vida moderna atual e globalizada de hoje, vigora a lei geral denominada “engolir sapos”, a mesma lei que nos faz acatar decisões que nos parecem injustas ou de vez em quando chamar a manutenção, ao invés de desferir alguns ponta-pés nos equipamentos que teimam em não funcionar, explodir de raiva na disputa por uma vaga de estacionamento, ou simplesmente uma discussão banal no trânsito...

A grande maioria dos seres humanos vai acumulando essas frustrações, gerando uma carga excessiva de estresse, que de alguma forma precisa e será descarregada, até o momento que você cria coragem e diz: chega... Basta... Acabou... eu vou à luta.

Então, você cria um grande projeto, de uma grande aventura motociclística que vem de dentro da sua alma, do seu ego, do seu íntimo e sai do lugar comum em que vive e viaja.

Viagem de moto pela América do Sul

Em 2009 planejei e realizei uma grande expedição de motocicleta, (Expedição Primavera 2009-Oiapoque-Chuí, nos caminhos do Brasil) onde visitei todos os estados brasileiros, suas capitais e principais cidades, Ilha de Marajó e Distrito Federal, durante 118 dias, percorrendo aproximadamente 30.000 km.

Durante o tempo em que durou a expedição, coletei dados, fotos, lendas, crenças, etc, e transformei tudo isso, além de um diário de bordo de um motociclísta, em um livro intitulado "na solidão do meu capacete... A viagem”, onde além das minhas peripécias como motociclista, narro fatos, lendas e o cotidiano do povo brasileiro.

Atualmente estou planejando outra grande expedição, (Expedição Mato Grosso-Oiapoque-Chuí-América do Sul 2015) onde pretendo percorrer todos os países da América do Sul, aproximadamente 100.000 km de motocicleta, e principalmente o Brasil em seus mais distantes recônditos e não somente as capitais. Pretendo ainda nesta segunda expedição realizar um trabalho mais profundo que a primeira e coletar dados suficientes para a elaboração de mais um livro, com maiores riquezas e detalhes do povo brasileiro e sul americano.

Afinal de contas, qual o verdadeiro expedicionário que já não esteve em lugares bonitos e feios, tranqüilos e agitados, excitantes e um tanto sem graça, quentes e frios, ricos e pobres, sozinho ou acompanhado, raros e comuns, em montanhas, vales e mares do nosso planeta? Isso não importa. O que importa é saber que o ambiente de trabalho de um verdadeiro expedicionário são as estradas, as matas, os mares e oceanos espalhados pelo mundo, sempre viajando com determinação, adrenalina e emoção, buscando conhecimentos, fazendo amigos, deixando saudades, com muita bravura e coragem e, porque não dizer, medo.

O verdadeiro espírito de um expedicionário deve ser leve e ao mesmo tempo focado para mostrar toda sua melhor forma e energia, deixando o destino ligado diretamente aos meios de comunicação de sua alma de viajante. Deve, também, ser curioso sem se preocupar em errar ou acertar, mas sim, em ser único no mundo com suas lembranças, imagens e experiências vivenciadas para o resto da sua vida.

E, por fim, expedicionário que é expedicionário mesmo em qualquer parte do planeta Terra, quando mencionar palavras como “oi” ou “até logo”, deve fazê-la de maneira única para conquistar as saudades deixadas em cada canto do mundo, pelos lugares que passou, pelos amigos que deixou, sempre com gratidão aos novos amigos conquistados a cada novo dia.

O expedicionário verdadeiro e focado em sua expedição, deve ver sua família como o seu maior porto seguro e seu único tesouro, mesmo que em muitas ocasiões, seja ela a primeira a ser contrária a esta filosofia de vida, ou não! Será?

Bem, na dúvida, siga seus instintos e corra atrás dos seus sonhos... Sempre. no mínimo você terá o prazer de sentir o gosto do saber, do realizar e do conquistar.

Estou neste momento buscando prováveis parceiros para a Expedição Mato Grosso-Oiapoque-Chuí-América do Sul 2015 e, se possível, patrocinadores. Será um projeto ousado e que pretendemos realizar entre aproximadamente 16 a 24 meses de expedição.

Mauro Coutinho Damasceno

Última modificação: Ter 14 Fev 2017

Deixar seu comentário

Postar comentário sem fazer login

0 / 2000 Restrição de Caracter
Seu texto deve conter 5-2000 caracteres

Comentários (13)

Conteúdo relacionado - América do Sul