Na manhã do dia 28, saí de Salta às 7 horas com destino a Corrientes. Pretendia fazer uns 850 km nesse dia. Em Salta, à noite, antes de dormir, revisei meus planos e decidi que em vez de voltar pelo mesmo caminho da vinda eu iria entrar no Brasil por Uruguaiana, que era a fronteira mais próxima de Corrientes, Dionísio Cerqueira fica a mais ou menos 800 km contra 300 de Uruguaiana.

O dia em que parti de Salta estava ótimo, céu azul e sem vento. Tudo correu bem durante o trajeto, já conhecia o caminho, ainda tinha a memória fresca, pois havia passado por ali havia poucos dias e isso me ajudou a passar o tempo mais rápido. Digo mais rápido sem acelerar além do permitido, sempre viajo dentro do limite permitido na estrada, apenas projetava o próximo objetivo a cada cidade que passava e quando me dei conta, estava em Corrientes.

Eram 19 horas de uma sexta-feira quando cheguei na cidade, que fervia e o trânsito estava maluco, resolvi sair da cidade e me hospedar na estrada, foi uma decisão repentina, dado o agito da cidade e que eu não estava muito afim.

Quando parei para abastecer, no centro da cidade ainda, um motociclista veio até mim para conversar. Ele era uma pessoa que regulava em idade comigo e tinha também uma 250cc de fabricação argentina e contou-me que viajou com ela até Camboriú, em Santa Catarina, bem próximo de Floripa. Até um guarda municipal de trânsito veio conversar e ver minha moto, muita gente não conhece a Intruder 250 e quer ver de perto.

Saindo de Corrientes em direção a Mercedes, à noite, comecei a ficar receoso pelas condições da estrada que eu não conhecia. Via de regra, farol de moto serve para ser visto, porque iluminar que é bom é muito difícil – uns metros à frente e olhe lá. Parei no acostamento e esperei algum carro grande para seguir, foi quando apareceu um ônibus tipo interestadual e me pus a segui-lo de perto, era minha baliza. Enquanto isso, eu ia procurando um posto de gasolina com hotel ou coisa parecida.

De repente, o ônibus foi parando e estacionou em um restaurante na beira da estrada e parei junto, afinal aquele era meu ônibus. Fui então aos frentistas do posto anexo e perguntei se havia algum hotel nas redondezas e disseram-me que era só entrar na cidade que encontraria um. Cidade? Eu nem notei ao passar na estrada que ali havia uma aglomeração urbana, tal era o breu da noite naquele local.

Era a cidade de Empedrado, entrei e rodei uns 2 km até chegar no que pensei ser a praça central e onde tinha uma espécie de prédio militar, um quartel ou coisa similar. Fui até o prédio e tomei informações sobre hospedagem e fiquei sabendo que ali pertinho, a um dedo indicador de distância, havia "cabañas para alquilar".

Procurei pelo dono e encontrei o senhor Franco, que por 300 pesos me cedeu um apartamento com TV, frigobar vazio, chuveiro quente, ar-condicionado e tudo mais, além de estacionamento para a moto. Realmente o apartamento era muito bom, até demais para o que eu pretendia naquela hora, mas era o que a noite oferecia e fiquei ali. Um bom banho e um sono tranquilo era o que eu precisava depois de ter feito uns 50 km olhando para as luzes traseiras de um busão.

Em conversa com o dono do apartamento, fiquei sabendo que Empedrado é muito procurada por turistas brasileiros que vão pescar no rio Paraná e por isso muita gente tem algum cômodo para alugar por dia. A cidade é famosa por receber pescadores de todo o lugar na época da pesca do dourado e, pelo que me disseram, tem infraestrutura apropriada para o evento.

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