Viagem aos Andes em uma Intruder 250

Viagem aos Andes em uma Suzuki Intruder 250

Dionisio Cerqueira SC

A preparação para a minha viagem de moto iniciou com uma visita ao mecânico que faz a manutenção de minha moto, o Valmir Gassen. Além de um excelente profissional, é um motociclista experiente que já rodou muito pela América do Sul e suas dicas foram importantíssimas para a preparação desta viagem. Roteiro ideal, o que levar, onde hospedar-se, comportamento nas estradas argentinas e outras observações feitas pelo Valmir ajudaram muito a ir e voltar sem sustos.

De Dionísio Cerqueira a Corrientes

Na manhã do dia 20, acordei cedinho, tomei o café da manhã no hotel, arrumei a bagagem na moto e segui viagem com destino à cidade de Corrientes, na província de mesmo nome.

A passagem pela aduana foi tranquila, o passaporte facilita a burocracia, e às 8 horas eu já estava na estrada. Meu plano era trafegar pela RN14 e depois tomar a RP17, que leva até El Dorado, uma cidade bem agradável no final da RP17. Esta rodovia provincial (RP) corta uma reserva indígena e não tem muitos serviços ao longo dela – posto de combustível, nem pensar, encontrei apenas um na altura do km 65, se não me falha a memória.

De Corrientes a Monte Quemado

Corrientes

Quando estava em frente ao hostel, colocando minhas bagagens de volta na moto para partir, um grupo de motociclistas brasileiro estava preparando-se para deixar um hotel em frente ao hostel, exatamente do outro lado da calçada. Conversamos um pouco sobre o itinerário, eles estavam retornando do Atacama e penso que ficaram um pouco impressionados pelo fato de eu estar só e com uma motinho velha de 250cc, pilotada por um também velhinho. Contaram-me que alguns do grupo em que estavam sentiram o problema da altitude e não completaram a viagem, retornando antes deles. Tomei aquilo como um aviso, eu já havia passado mal em Cusco, no Peru, por causa da altitude.

De Monte Quemado a San Salvador de Jujuy

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Na manhã seguinte levantei cedo e fui a pé procurar um banco para sacar dinheiro porque eu estava com poucos pesos para seguir a minha viagem de moto. Eu pensava que poderia viajar pagando quase tudo com cartão. Ledo engano – naquela região, pouquíssimos postos aceitavam cartão e, mesmo assim, corria-se o risco de a conexão não completar e não concretizar a venda, aí só "efectivo" mesmo, grana viva. 

A subida dos Andes com a Intruder

Alto Morado 4170m
Alto Morado - 4170m

Havia chegado a Jujuy no sábado 22 de novembro e estava partindo no dia 26, quatro dias por conta do problema com a moto, mas faz parte da coisa... o importante é que estava tudo certo, eu podia contar com o arranque novamente e não precisava mais ser empurrado nem explicar nos postos de combustível que a moto não tinha "patada" (pedal de arranque).

Sentindo o Mal da Altitude na Cordilheira

Parada no salar

Na madrugada os sintomas da altitude se agravaram e sentia dificuldade para andar, desorientação e sangramento no nariz. Pela manhã eu continuei sentindo mal. Conversei com a recepcionista do hotel na hora do café e ela me deu um comprimido chamado Dramamine 50mg. Comecei a melhorar aos poucos.

De Salta a Corrientes

entrada empedrado

Na manhã do dia 28, saí de Salta às 7 horas com destino a Corrientes. Pretendia fazer uns 850 km nesse dia. Em Salta, à noite, antes de dormir, revisei meus planos e decidi que em vez de voltar pelo mesmo caminho da vinda eu iria entrar no Brasil por Uruguaiana, que era a fronteira mais próxima de Corrientes, Dionísio Cerqueira fica a mais ou menos 800 km contra 300 de Uruguaiana.

De Empedrado até Porto Alegre

Preparando para partir de Porto Alegre

Às 7 horas da manhã já estava pronto para continuar minha viagem de moto e animado para sair da Argentina e chegar ao Brasil. Minha meta era Uruguaiana, mas conforme a hora em que chegasse lá, talvez seguisse para Porto Alegre.

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