Com a confusão para achar um lugar para hospedar, acabei dormindo às 02 horas. Como tenho costume de acordar cedo, foram menos de cinco horas de sono esta noite. Acordei, arrumei a bagagem e fui buscar a moto, que deixei no estacionamento do outro hotel onde encontrei a senhora que me ajudou a achar o hostal onde hospedei. Saliento que o dono do hotel não me cobrou o estacionamento.

Aproveitei e fui procurar um recipiente para levar gasolina extra. Os relatos que li na internet eram de que o percurso que faria hoje não teria problema com abastecimento, mas achei melhor me assegurar de qualquer imprevisto. Achei numa loja um “bidon”, mas de 10 litros, muito grande. Numa loja de venda de motos me sugeriram uma garrafa de água mineral, que o próprio rapaz que sugeriu me arrumou um. Excelente. Hoje estou encontrando chilenos simpáticos.

Já que uma etapa do Rally Dakar estava ocorrendo na cidade, aproveitei para ir ver a movimentação. Andei atrás de alguns veículos pelas ruas de Copiapó e acompanhei a passagem principalmente dos caminhões, que impressionam pelo tamanho. Acompanhei um tempo os veículos passando, o pessoal na rua acenando e no final achei aquilo tudo muito chato e segui meu caminho.

Saí de Copiapó lá pelas 11 horas e acabei pegando uma estrada errada, o que significou 40 km rodados a mais no dia.

A estrada continuou excelente. Alguns trechos estão sem as faixas horizontais porque foram recentemente reformadas, mas de um modo geral são de dar inveja para brasileiros. Notei que depois que entrei no deserto não passei por nenhum pedágio, mas nem por isto o governo chileno deixou de manter muito bem o asfalto.

O deserto fica cada vez mais árido na medida em que ando para o norte. Em alguns trechos as montanhas de areia são impressionantes e a paisagem, apesar de estéril, é bonita.

Voltando à costa, cheguei num lugarejo paradisíaco chamado Bahia Inglesa. Águas transparentes, areia branca e um visual fantástico. Pensei em ficar no lugar. Procurei um hotel e adivinha... Estava lotado. Hospedagem deve ser um excelente negócio no Chile, pois todos os locais ficam lotados.

Segui viagem e passei pela cidade de Caldeira. Na medida em que passava pelas ruas os moradores me olhavam meio atravessado. Não gostei da cidade.

Um destaque na viagem de hoje foi a luz de advertência da reserva do combustível, que acendeu com 182,5 km rodados. Nunca tinha conseguido chegar a tanto até hoje.

Cheguei a Chañaral, uma cidade pequena que fica na costa e tem uma praia bonita, mas vazia. É movimentada pelo porto e por minerações que ficam nas redondezas.

Dei uma volta na cidade e procurei um lugar para me hospedar. O primeiro que fui parecia muito bom, mas não tinha vagas. Continuei rodando até chegar num hostal. Tinha vaga e o preço era muito bom: CH$ 8.000,00, pouco mais de R$ 30,00. Será que minha sorte vai mudar? Pedi para olhar o quarto. Simples, sem ar condicionado ou frigobar e o banheiro era coletivo. A construção era novíssima, feita de madeira pintada, móveis novos e o dono era um simpático senhor. Resolvi ficar. Depois de me instalar eu fui procurar um lugar para almoçar, apesar de serem mais de 16 horas. Fui a pé até um posto de gasolina onde tinha um restaurante grande. Pedi um “lomo a lo pobre”. Caraca, que gostoso. Um pratão enorme com arroz, batata frita e cebola em baixo, um bifão de lombo de porco que tinha mais de um palmo no meio e dois ovos fritos em cima. Parecia uma montanha. Tomei também duas cervejas, o que foi suficiente para me deixar enfastiado até o dia seguinte.

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