Novamente dormi muito bem a noite passada. Descansei o que precisava, e quando acordei fui tomar o café no hotel em que estava hospedado, que foi servido exatamente igual ao dia anterior. Evitei o chá que já sabia ser meio amargo. A decoração do restaurante do hotel é bem diferente, com alguns desenhos que lembram figuras egípcias ou gregas, sei lá.

Saí para trocar dólares e tentar conseguir um pouco de pesos numa Agência do Itaú que vi próxima ao Hotel. Estou gastando em dinheiro mais que esperava, porque nos postos de combustível onde abasteci na Argentina poucos aceitavam cartão de crédito e nos meus planos eu considerava utilizar mais o cartão. Mas não consegui sacar o dinheiro. Segundo me informaram na agência do Itaú, o banco aqui não é interligado ao sistema do Brasil, mas eu poderia ir a um caixa eletrônico de qualquer banco que conseguiria sacar dinheiro. Tentei em dois bancos diferentes, mas meu cartão não foi reconhecido. Vou ter que prestar atenção aos gastos.

Enquanto o banco e a casa de câmbio não abriam, dei uma volta pelas redondezas para observar um pouco mais a cidade. É bonita, tem prédios antigos e modernos.

Peguei estrada às 11 horas e segui em direção a La Serena.

O abastecimento está sendo feito em postos (estación de servicio) bem estruturados, com lanchonetes muito boas que ficam a intervalos de +/- 100 km, mas tem trechos de mais de 160 km entre um posto e outro. 

Boa parte da viagem eu fiz acompanhando a costa, o que em alguns trechos é muito bonita. As praias são desertas, apesar de terem algumas com areias claras. Isto porque a água é muito gelada, e não existe estrutura para receber turistas nestes locais. Boa parte é ocupada apenas por pescadores, que ficam em casas de madeira bem simples.

Aos poucos a paisagem foi se tornando mais árida, com trechos em que a costa ficava de um lado da estrada e do outro montanhas com vegetação cada vez mais rala, e em outros trechos somente as montanhas e campos em ambos os lados da estrada, também com pouca vegetação.

De repente começaram a aparecer cactos na paisagem, mostrando que a aridez do ambiente estava cada vez maior.

Cheguei a La Serena às 16 horas. Cidade interessante, dei uma volta e vi muito movimento, me lembrou um pouco Viña, de onde tinha lembranças não muito boas. Procurei alguns hotéis e não consegui achar um que fosse agradável ou que tivesse vaga. É uma cidade turística e agora é alta temporada. Como ainda era cedo, eu estava muito bem de corpo e mente por causa do período de descanso em Santiago, resolvi seguir viagem até Vallenar, que fica a 180 km de distância.

A estrada não era mais duplicada como foi até La Serena, mas continuou excelente. Passei por Vallenar e achei que ainda dava para rodar mais um pouco. Copiapó ficava a 140 km de distância, ainda não eram 20hs00 e anoitecia depois de 21hs00. Segui viagem. Esqueci que estava seguindo para o norte, e o anoitecer ocorre mais cedo na medida em que vamos para o norte. E significava rodar mais de 700 km em um dia, o que é muito, principalmente porque saí tarde de Santiago, mesmo para quem está descansado.

Chegando à cidade pedi informações num posto de combustíveis sobre um hotel para ficar. Me indicaram um próximo para onde me dirigi. Estava lotado. Pedi informações ao recepcionista e ele me indicou alguns para onde fui e também os encontrei lotados. Mas o que está acontecendo? Como calculei, a cidade tem muitos hotéis mas estão todos lotados. Logo descobri o porquê. Não olhei o calendário do Rally Dakar e hoje foi o dia em que numa das etapas os pilotos chegaram à cidade e amanhã terá uma etapa que começa e termina na cidade. Serão três dias de movimento intenso por conta do rally. A cidade, como as outras, não tem estrutura para receber os turistas. Agora danou-se. E ainda por cima, tem um monte de cães soltos na rua, e por onde passo eles avançam na moto. Caraca. E disseram que na cidade não tem camping.

Continuei minha peregrinação por hotéis até chegar a um onde uma mulher chamada Cláudia trabalha, me escutou perguntando por vagas e veio conversar comigo. Ela morou no Brasil um tempo e falava português muito bem. Ela me salvou. Ligou para alguns hotéis e pensões até achar um hostal (pensão) que tinha uma vaga. Me falou o preço e quase cai pra trás: CH$ 23.800,00 (R$ 97,14), mais que o preço de um hotel três estrelas no Brasil. E somente em dinheiro (efectivo). Fazer o que? Pedi para reservar. A Cláudia me levou até o hostal que é perto do hotel que estava. Um muquifo! As fotos não fazem jus. É muuito ruim. Pelo menos a cama tem um colchão bom e deu para dormir um pouco, mas a tensão do dia acabou me fazendo dormir menos que deveria.

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