Fomos passando por pequenas cidades até decidir ir para uma maior, onde houvesse estrutura para receber turistas. Pensamos entre Santiago e Viña Del Mar. Por ser Viña contígua a Valparaíso e esta numa distância menor de onde estávamos que Santiago, acabamos indo para Viña mesmo. Chegando à cidade paramos em um posto onde se encontrava um taxista.

Perguntamos se ele podia nos levar a um hotel onde pudéssemos nos hospedar. Ele pediu CH$ 1.500,00 para nos conduzir. Fomos atrás dele em disparada pelas ruas da cidade, às 3h da madrugada, até chegarmos em frente a um hotel. Ele já queria sair, mas não pagamos e pedimos que aguardasse para verificarmos se havia vaga. Não tinha. O motorista nos levou até outro hotel próximo, onde pediu o dinheiro combinado. Para não estressar, pagamos. Vimos que ele não nos ajudaria muito mesmo. Este e diversos outros hotéis que fomos estavam lotados. Procuramos por camping e nos informaram que não existia na cidade.

O que fazer? Já eram quase 5 horas. Resolvemos parar em uma praça em frente à praia e esperar o dia amanhecer. Cansados, abatidos e decepcionados com nosso primeiro contato com o Chile, sentamos num banco e esperamos. Aos poucos, cada um foi se ajeitando no banco, na grama ou na moto e tirou um cochilo rápido. Era o fim de um dia que começou maravilhoso, melhorou muito e depois terminou numa grande frustração. Depois que amanheceu, debatemos o que fazer. Eu seguiria para Valparaiso e os demais retornariam para Mendoza, onde descansariam e seguiriam depois para Buenos Aires. Despedi-me dos paranaenses.

Segui então para Valparaiso, que fica a 10 km de Viña. Cidade portuária, tem muitos edifícios construídos em volta do porto. Rodei e não encontrei nenhum hotel com aparência decente. Perguntei em um posto de gasolina, me orientaram e não achei o hotel. Parei numa panaderia para fazer um lanche. Só tinha pão doce. Comprei dois e comi lá mesmo. Observei que os hábitos de higiene por lá não são os mesmos do Brasil. Pegam os pães com as mãos mesmo.

Enquanto comia, chegou um senhor perto da moto e ficou observando. Cheguei perto e ele perguntou sobre a moto. Respondi e ele começou a falar português. Disse que morou no Brasil por seis anos, depois que teve problemas com o governo Pinochet. Perguntei onde poderia encontrar um lugar para me hospedar. Ele disse que em Valparaiso os hotéis não são bons, que era melhor procurar um hostal (espécie de pensão), que é mais barata. Ele me indicou algumas que ficavam por perto. Depois que nos despedimos, fui procurar as tais pensões. Não gostei da aparência delas, muito menos do ambiente. Resolvi seguir para Santiago.

Cheguei a Santiago mais ou menos 10 horas. Parei em um posto e perguntei por hotel. O frentista com cara de poucos amigos apontou para um lado da estrada e disse que eu acharia no centro. Segui para lá. Rodei por algumas ruas e só vi hotéis cinco estrelas ou uns que aparentavam ser muito ruins. Parei ao lado de um taxista e perguntei. Ele me indicou um caminho por onde já havia passado e que tinha um hotel de luxo. 

Segui rodando e parei ao lado de outro taxista. Expliquei que procurava um hotel não muito caro e que pagaria para ele me conduzir até um. Ele me disse para segui-lo. Ele parou em frente a um hotel que inicialmente achei bacana. Um andar, garagem. Perguntei quanto era e ele não quis receber. Pensei comigo que não são todos os chilenos uns FDP. Agradeci e ele saiu. Entrei no hotel e fui pedir informações. Achei um pouco caro, mas pedi para ver um quarto. Uma senhora me levou por um labirinto de corredores. Achei estranho porque cada corredor que ela entrava apertava uma campainha. Abriu um quarto e tinha uma decoração bem extravagante. Cama redonda, espelhos nas paredes e no teto. Ops. O FDP me trouxe num motel. Agradeci e falei que procurava um hotel turístico e não aquele tipo de hotel. A mulher me indicou um cinco estrelas. Bolas! Vou olhar quanto é. Fui para a Boulevard onde já tinha visto um bacana com nome San Francisco. Parei e perguntei o preço. US$ 155,00. Expliquei ao recepcionista que procurava um mais econômico. Ele me disse para virar a esquina que tinha um outro hotel lá. Fui para o tal hotel. US$ 180,00. Quase sentei no chão e chorei. 

Saí e resolvi dar uma volta para esfriar a cabeça. O jeito era ficar num hotel daquele mesmo e depois me virar com o cartão de crédito. Entrei numa rua de pouco movimento, bem perto destes dois hotéis e vi uma placa “Hotel” em frente a um prédio que parecia histórico. Parei em frente e olhei a recepção, parecia simples, mas organizado. Olhei mais para frente e vi mais dois hotéis no mesmo padrão, instalados em prédios antigos. Resolvi entrar e perguntar. Uma senhora simpática me atendeu. CH$ 20.000,00 (R$ 83,00). Pedi para ver una habitacion. Era um prédio histórico, adaptado para hotel. Simples, mas limpo. Não tinha ar ou frigobar, mas um quarto grande com uma decoração não muito feia, uma cama e uma ducha muito boas e internet. Lugar para guardar a moto? Eles arrumavam. Era isto que precisava. Fechei negócio.

UFA! Agora eu vou descansar. Estou a mais de trinta horas aceso.

Comentários (2)

  1. Leandro da Silva Carvalho

Mas enfim conseguiu chegar ao Atacama, faltou as postagens das fotos e do Paris Darkar.

  1. Rômulo Provetti    Leandro da Silva Carvalho

Olá Leandro. As fotos estão no final do diário de cada dia da viagem, inclusive as do Paris Dakar, que podem ser vistas no 8º e 13º dias.

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