Estou em Mendoza. Acordei e fui tomar café da manhã. A variedade era grande. O cara perguntou qual das variedades de pão que eu gostaria de comer: um pão doce chamado fortuna ou um croisant. E se queria café, leite puro ou café com leite. E só. Bolas. Observei que na Argentina, mesmo nos hotéis melhores que fiquei, o café da manhã, que aqui chamam de desayuno, não é farto, mas este foi ridículo.

Assim que alguns dos paranaenses acordaram, saímos para uma volta por perto, a pé mesmo, para conhecer um pouco da cidade. Que cidade linda.

Mendoza fica numa região que é quase um deserto, chove pouco mais de 200 mm por ano. Isto é quase o que chove em um ou dois de dias de chuva forte em Belo Horizonte. A falta de chuva ocorre porque a cidade fica em um planalto ao pé da Cordilheira dos Andes, que faz uma espécie de barreira e que impossibilita a passagem de nuvens de chuva do pacífico para a região. Entretanto, a cordilheira que tirou a água da chuva presenteou a região com suas águas do degelo. Tem muita água na cidade. Há muitos anos eles canalizaram a água do degelo das montanhas para irrigar as plantações e a própria cidade. Existem canais em todas as ruas, inclusive na periferia, por onde passa água que irriga as árvores e umedece o próprio ar. Apesar de estarmos em uma região desértica a sensação não é de pouca umidade. São alimentadas por grandes canais e um sistema de comportas que espalha a água gradativamente pelos canais. Ela é toda plana e muito arborizada, belas praças, calçadas limpas, prédios antigos mas conservados e prédios modernos. E no entorno muitas parreiras de uvas. Muito bonita mesmo. Os paranaenses usaram adjetivos engraçados para descrever a cidade, como “uma tetéia”, “um tesão”, etc.

Depois do que vimos, surgiu a idéia de ficar na cidade por mais um dia, e seguir para o Chile no dia seguinte. Resolvemos retornar ao hotel para levar a proposta. No caminho passamos por alguns hotéis próximos ao que ficamos e resolvemos perguntar o preço e se tinha disponibilidade em um deles. AR$ 75,00 por pessoa em quarto para três (R$ 53,25). R$ 17,75 a mais que o outro. Demos uma olhada num quarto e não tivenhamos dúvida de que valia a pena a troca. Chegando ao hotel nos reunimos com o restante do grupo, e todos concordaram. Fechamos a conta e fomos para o outro hotel.

Fomos almoçar em um restaurante próximo e o pessoal cantou os parabéns pelo meu aniversário e até arrumaram uma dupla de violeiros argentinos que cantaram os parabéns e uma música muito bonita dedicada a mim. Fiquei muito feliz com a homenagem.

À tarde saímos para o tradicional tour pelas principais atrações da cidade: conhecer uma bodega industrial (uma vinícula), uma plantação de azeitona e fábrica de azeites, uma bodega artesanal e um monumento histórico.

Disseram que a bodega industrial que estávamos visitando era pequena em relação às demais, mas produzia 13 milhões de litros de vinho por ano. Dá pra deixar muita gente tonta... Os tonéis de madeira não são mais utilizados para estocagem do vinho. Hoje só usam os grandes reservatórios de alumínio. E não é só esta que é assim. Todas as vinícolas trocaram os barris ou por reservatórios de alumino como os da foto ou por reservatórios de concreto, com revestimento especial. Fomos à adega onde teve degustação de um vinho malbec produzido pela bodega.

Em seguida fomos a uma plantação de azeitonas e fábrica de azeites. Bem interessante o processo. Eu não sabia que as azeitonas pretas nasciam no mesmo pé das azeitonas tradicionais. A diferença está na altura que nasce.

Depois fomos a uma bodega que produz vinhos de forma artesanal. Esta visita foi até mais interessante que a primeira, pois conhecemos o processo como é feito há várias gerações, mesmo que alguma parte tenha se modernizado. Também tivemos degustação de vinho malbec e cabernet sauvignon.

Por último fomos a uma igreja, que segundo nos informaram, lá pelos anos de mil oitocentos e borrachinha teve um grande terremoto na região e todas as edificações da cidade foram ao chão, exceto a igreja. Por isto tem toda uma mística sobre ela, e também aos cultos religiosos para agradecimento à produção.

À noite fomos jantar em um restaurante que fica numa rua fechada para o trânsito e que tem muitos restaurantes, com mesas espalhadas pelas calçadas, artistas de rua e muita gente. Interessante é que as pessoas somente começam a chegar nos restaurantes após meia noite.

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