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O dia foi complicado, para não sair da rotina dessa viagem. A ideia era tentar chegar o mais próximo possível de Santiago, distante 1180 km de Bariloche. Se não fosse a aduana e uma grande quantidade de veículos na minha frente em uma estrada sem pontos de ultrapassagem, talvez desse para chegar lá. Mas não deu.

Peguei estrada com o céu nublado, temperatura agradável e prometendo chuva para o trecho da Rodovia Pan Americana que iria percorrer hoje no Chile. Os primeiros quilômetros da minha viagem foram com neblina fraca, que não chegou a atrapalhar a viagem, mas as mãos sofreram um pouco com o frio. E a motoca ultrapassou os 100.000 km na estrada.

Procurei me abstrair da notícia que recebi ontem sobre a morte do meu amigo Marcelo, mas não teve jeito. Pensei muito a respeito durante a noite e a conclusão é que temos que aproveitar a vida e realizar os nossos sonhos enquanto estamos aqui, com saúde. No meu caso, fazendo minhas viagens de moto. Se não fizer enquanto pode, depois será tarde.

Consegui percorrer hoje 998 km das boas estradas argentinas em pouco mais de 10 horas, incluindo o tempo gasto com quatro paradas para abastecer e outras tantas para fotografar a paisagem. Eu havia planejado seguir ontem até a cidade de San Francisco, mas devido ao problema na chave de ignição da motoca, acabei encerrando o dia mais cedo. Para tentar recuperar os quilômetros que faltaram no dia anterior, resolvi mudar o trajeto e passar por auto pistas, para fazer a viagem render mais. E rendeu.

Ainda não havia amanhecido, faltavam 20 minutos para as 6 horas e eu já estava chegando à aduana. Imaginava que nesse horário estaria vazia e poderia passar rapidamente para o Brasil, ir ao caixa eletrônico e sacar o dinheiro que precisava para continuar minha viagem de moto de volta para casa.

Enquanto arrumava a bagagem, escutava as notícias da televisão e, quando começaram a falar sobre o tempo, passei a prestar mais atenção. A moça só deu notícia ruim. A região que iria atravessar estava preta no mapa. Quando estava fechando a conta do hotel, a moça da recepção profetizou: - "Vai pegar chuva". Choveu bem menos do que previram. Mas choveu. Apesar da chuva, dos caminhões e alguns trechos de estrada precisando de reformas urgente, consegui percorrer com minha moto 936 km das estradas paranaenses e paulistas.

Quando abri a cortina do quarto do hotel e olhei para fora vi que o céu estava bastante fechado, mas não chovia. Na rua, poças d'água e galhos caídos indicavam que havia chovido forte à noite. Como seriam apenas 550 km a percorrer nesse último dia da minha viagem de moto, fiquei mais tranquilo e só saí às 9 horas de Ribeirão Preto.

O vídeo abaixo mostra uma seleção de imagens que registrei com as lentes da minha câmera durante sua viagem de moto que fiz até a cidade de Ushuaia, no extremo sul das Américas, passando pela Patagônia, visitando a Península Valdés, Torres del Paine, Glaciar Perito Moreno, a Cordilheira dos Andes e outros lugares fantásticos do sul da América do Sul.

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