A viagem de hoje foi longa, passei por dois pequenos trechos de rípio, por estradas muito boas e outras nem tanto, paisagens monótonas da Patagônia e lindas paisagens dos Andes. Percorri em um dia a distância que havia planejado fazer em dois. E o pneu traseiro da moto foi para o saco.

O hotel que havia hospedado era simples, mas tinha o necessário para uma noite bem dormida. Acordei, arrumei a bagagem e fui tomar o desayuno, que era pago à parte. Um lanche simples, mas o dono do hotel fez um chocolate quente delicioso, muitas calorias, mas muito bom.

Acertei a conta e levei a bagagem para a moto. Ao chegar no estacionamento, um gato estava deitado em cima do banco. Putz, há três dias vinha encontrando gatos em meu caminho. Não se incomodou nem quando coloquei minha bolsa sobre o banco do carona. Finalmente ele desceu da moto e ficou se esfregando no para lamas dianteiro, como fez dois dias antes o outro gato. Será que isso tem algum significado?

Viagem de moto até Ushuaia - Argentina

Olhei o pneu traseiro da moto e vi que havia chegado na marca que indica a hora de trocar. O desgaste foi grande nos últimos dias. A solução era tentar trocar quando chegasse a Bariloche amanhã, ao invés de Santiago, que estava ainda a 2000 km de distância.

Segui pelas ruas ainda molhadas da chuva da noite. A estrada também estava molhada e o céu bastante carregado, caindo uma leve garoa, daquelas que não molham.

Viagem de moto até Ushuaia - Argentina

O vento era fraco, mas muito frio. Minhas mãos pareciam congelar, mesmo cobertas por duas luvas. Aos poucos o tempo foi abrindo e o sol apareceu. A estrada, muito boa, parecia que era só minha. Passei por apenas dois carros até chegar à cidade de Rio Mayo, onde parei para abastecer. Antes de chegar à cidade, um trecho de cerca de 3 km de rípio muito solto. As ruas da cidade são quase todas de rípio. No posto um casal de canadenses que está percorrendo as Américas com suas motos. Chris e July (acho que era esse o nome dela). Perguntou sobre a situação das estradas e se havia problema com combustível para o sul. Não entendi muito bem. Como assim? Problema com combustível?

Depois de Rio Mayo, cerca de 16 km de rípio, também complicado para atravessar com moto. Em seguida uma estrada que precisava reformar, com bordas bem danificadas. Mas o pouco movimento facilitava desviar das irregularidades. Depois a estrada melhorou, parecia nova, o que me permitiu desenvolver bem a velocidade.

Viagem de moto até Ushuaia - Argentina

Cheguei a um lugar que a estrada estava interditada e havia um desvio por uma estrada de rípio, mas quando cheguei, um rapaz que aparentemente cuidava da sinalização me fez sinal para que eu seguisse uma caminhonete da construtora da estrada, e foi o que fiz. Eles estavam liberando um trecho da estrada que já estava pronto e eu fui o primeiro a percorrê-la. Passei por veículos que vinham à minha frente e que tinham sido direcionados para a estrada de rípio. E eu sendo escoltado pela estrada asfaltada, novinha. Foram cerca de 4 km até chegar a um novo desvio, que dessa vez levava à estrada de rípio, que tinha cerca de 6 km de extensão. Depois, novamente asfalto bom.

Havia planejado abastecer na cidade de Gobernador Costa. A fila no posto para abastecer se estendia por dois quarteirões. Parei em último e logo em seguida parou um senhor em um furgão. Perguntei a ele se aquele era o único posto na cidade e ele confirmou. Perguntei quantos quilômetos até a próxima cidade com posto e ele disse que cerca de 70 km até Tecka. Falei que iria para lá e ele me disse que podia chegar lá e não encontrar combustível. Agora estava entendendo a pergunta dos canadenses, eles devem ter tido problemas com abastecimento durante sua viagem pelo norte da Argentina.

Viagem de moto até Ushuaia - Argentina

Eu vi dois motociclistas na fila mais à frente e fui lá conversar com eles. Eles vinham do norte e disseram que passaram por Tecka e havia fila no posto, mas era menor que alí. Voltei para a moto e fiz as contas. Havia percorrido 240 km, o painel mostrava que eu tinha autonomia para 67 km e faltavam 70 até o próximo posto. Se eu fosse mais tranquilo, 80 ou 90 km / h, a autonomia aumentaria. Resolvi seguir em frente.

Ao chegar no posto de Tecka, uma pequena fila que me fez crer que a decisão tinha sido acertada. Mas ao chegar ao final da pequena fila, vi que ela virava o prédio, continuava pela rua e se estendia por três quarteirões. fazer o que? Fui para o fim da fila. Tinha 130km para percorrer até o próximo posto. A gasolina do galão daria para uns 100 km se andasse tranquilo, mais o que tinha no tanque talvez desse para chegar, mas não quis arriscar. Fiquei na fila e esperei duas horas exatas para ser atendido.

Segui minha viagem de moto pela Ruta 40, agora mais movimentada do que no início do dia. Mas o frio ainda estava presente, castigando as mãos, mesmo com céu limpo e sol.

Havia planejado dormir na cidade de Esquel, mas havia passado pouco mais de 15 horas quando cheguei perto da cidade, mesmo com o tempo parado na fila do posto. Ainda na estrada, decidi seguir em frente e percorrer os 360 km que faltavam para Bariloche.

Viagem de moto até Ushuaia - Argentina

A paisagem da Patagônia continuava monótona, sem atrativos, apenas alguns guanacos, emas, perdizes e pouca vegetação caracterizada por um capim que fica dourado de acordo com a incidência do sol. Mas ao chegar próximo a uma cidade chamada Epuyén a paisagem mudou completamente. Montanhas cobertas com pinheiros e algumas delas com neve no topo. Fiquei esperando o melhor momento para parar e fotografar e acabei deixando passar algumas paisagens maravilhosas. Ficaram apenas na memória.

Passei por El Bolson e em um trecho da estrada, peguei o que foi o vento mais forte de toda a viagem até aqui. Me sacudiu para tudo quanto é lado, como se eu fosse de papel. Quase tive um torcicolo, de tanto que meu pescoço balançou de um lado para o outro. Em dado momento, ultrapassei um ônibus e quando fui retornar para a minha faixa, o vento foi levando a moto para o acostamento de rípio, mesmo eu estando com ela completamente inclinada para o lado contrário. Consegui voltar a moto para o trilho, mas fiquei gelado pela possibilidade de sair da pista na velocidade que estava. O vento continuou forte e tive que reduzir a velocidade para manter a segurança.

Depois passei pelo Parque Nacional Nahuel Huape, lindo, onde gravei alguns vídeos bem legais.

Cheguei a Bariloche por volta das 20 horas e fui direto para o hotel que estava na minha lista. Não havia vagas. passei no segundo e no terceiro, onde o cara da recepção ligou para um hostal próximo e havia uma vaga lá, mas era com banho compartido. Vai esse mesmo.

É um albergue, cheio de mochileiros de várias partes do mundo. Caro para o que oferece. Muito frio lá fora (5 graus) e fila para a ducha e para o banheiro. Chama-se The House. Saí até uma loja que vende comida pronta, comprei um prato de carne e batata cozida que levei para o quarto e comi sem talheres. Amanhã vou tentar encontrar um pneu para minha Heritage.

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