Depois da bagagem na moto e hotel pago, segui para a Ruta 3. O dia amanheceu aberto, com poucas nuvens e a temperatura mais amena. O calor não deu as caras, mas o vento, que tantos viajantes disseram ser o terrível obstáculo das viagens pelo sul da Argentina, começou a incomodar. Nada que atrapalhasse o desenvolvimento da viagem, mas já me obrigou a andar com a moto inclinada para a direita e de vez em quando dava umas sacolejadas, quase levando meu capacete.

A estrada continua com retas incríveis, alguns trechos em manutenção, sem atrapalhar a viagem. Por conta das muitas intervenções ao longo da estrada, a sinalização não está tão boa quanto antes, com vários trechos sem faixas delimitando a estrada e o acostamento, o que recomenda não viajar por ela à noite.

Em uma das paradas para abastecimento, na cidade de Viedma, cidade grande por sinal, um policial parou para olhar a moto enquanto eu comprava uma água mineral. Pensei que ele iria implicar porque parei em um lugar que indicava que não podia, mas quando cheguei perto ele pediu para tirar uma foto e fez as perguntas de sempre, que nem vou comentar mais. E fez uma observação -"Ô lôco, muy hermosa".

Viagem de moto até Ushuaia - Argentina

O preço da gasolina baixou um pouco em relação ao norte do país, porque no sul o combustível é subsidiado.

Depois de Viedma o vento reduziu um pouco, talvez porque antes eu ia para o sul e a partir dessa cidade a direção mudou para oeste. Mais tarde ele voltou forte de novo.

Depois que passei um rio a vegetação mudou radicalmente para arbustos e capim secos, lembrando algumas regiões da caatinga brasileira, mas com a temperatura mais amena e aparentemente mais seco que no Nordeste. Cheguei à famosa Patagônia.

Na cidade de San Antônio entrei em um posto shell para abastecer e havia uma fila enorme. Eram quatro bombas e apenas um rapaz para atender. Quando chegou minha vez era troca de turno e depois de mais uns dez minutos esperando ser atendido, dois rapazes começaram a atender. Depois reclamamos da falta de respeito no atendimento ao consumidor no Brasil. E parece que os argentinos são conformados com isso. E o rapaz que me atendeu ainda entornou gasolina no tanque da moto. O banheiro do posto estava sem água, uma verdadeira carniça. E muito cheio de gente. Quando saí ainda haviam duas filas enormes e o pessoal esperando no sol.

Viagem de moto até Ushuaia - Argentina

Na cidade seguinte, Sierra Grande, o primeiro posto, da bandeira YPF, também tinha uma fila grande. Vi no navegador GPS que havia outro posto da bandeira Petrobras mais à frente. Estava vazio. Mas o cara entornou gasolina no tanque também. E não havia água para lavar. Tive que comprar uma garrafa de água mineral na lanchonete. A região tem um problema sério com o abastecimento de água.

Segui em frente e alguns quilômetros depois havia um outro posto sem fila.

Cheguei a Puerto Madryn por volta das 17 horas e fui direto para o hostal que havia pesquisado. É uma espécie de pensão, muito simples e barata. O banheiro é compartilhado, não tem ar condicionado e nada de conforto, mas tudo muito limpo. A dona da casa reservou dois quartos que aluga pelo booking, mas eu fui direto ao hotel, sem fazer reserva e havia vaga. A ideia é descontar o gasto que fiz a mais com a hospedagem em Bahia Blanca.

Comentários (2)

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Muito bom o relato de hoje também, amigo, seguimos na sua garupa até o final, ou melhor, até o retorno. Nunca fui a Ushuaia, mas os vários relatos lidos e também de amigos pessoais que já foram dão conta desse aumento de consumo que atribuímos(eu na minha inexperiência e eles por terem vivenciado) ao excessivo vento lateral ou contrário ao movimento, ao asfalto mais abrasivo e às longas retas, que nos estimulam a acelerar um pouco mais, portanto, acho que é normal o que vc relata,nada de pânico. Abraços e siga com Deus.

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A foto do retão com a Heritage no meio da pista e aquele ceu azul vale um relato inteiro. Continuamos Contigo e Boa Viagem;

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