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Paraty - a revisão da moto

  • Categoria: Rio de janeiro
Viagem de moto até o Rio de Janeiro - Paraty

Agora é que são elas. Vamos começar a revisão!

Retirei o cabeçote e vi que o serviço foi bem feito, os dutos ainda estavam limpos e os retentores de válvulas e as próprias valvulas eram todos novos e originais. Isto é muito importante, principalmente quando se trata de peças internas do motor. Se não tivesse sido bem feito, seria uma grande mão-de-obra para refazer o serviço.

Fiz um verdadeiro “Lata Velha” na motocicleta. Após montar o motor, verifiquei e troquei desde rolamentos das rodas e coroa, que ainda eram originais, passando por caixa de direção que também foi substituída, todos os cabos de comando, algumas peças que denunciavam um tombo mas não estavam avariadas, como os manetes de freio, foram trocados por manetes originais da marca “Brembo”, assim, como todos os retentores dos cálipers de freio, reparo completo do cilindro mestre dianteiro, lubrificação das buchas e rolamentos da balança traseira.

Ao chegar nas suspensões percebi que um dos tubos (lado esquerdo) não estava progressivo. Encontrei pontos de solda. O que significa? Que mesmo o experiente mecânico também pode ser passado para trás? Também, mas não é este o ponto. A motocicleta foi batida de frente. Daí em diante bateu a decepção, qual será o estado do chassi? Saí em busca de detalhes de alinhamento, massa plástica e... Ah muleke! Encontrei detalhes nos tubos superiores do chassi que não foram recuperados pelo alinhador.

Em meados de 2006 eu atuei em uma renomada concessionária em SP onde conheci o Sr. José (para os íntimos, "Seu Zé"). Entre 1977 e 1980 a Moto Honda (Japão) trazia suas motos de navio do Japão para um galpão no Ipiranga SP, onde eram montadas e distribuídas aos revendedores. Porém, a logística da época não era como agora. Em alguns casos, as motocicletas sofriam impactos e serias avarias no transporte. Foi quando os representantes da Honda Japão vieram ao Brasil e construíram na casa do "Seu Zé" o primeiro gabarito para alinhamento de chassis da história das motocicletas no Brasil, e este amigo (pioneiro no segmento e reconhecido no Brasil todo pela qualidade de seus serviços), restaurou totalmente o meu chassizinho de CB500 sem custo algum. Meus sinceros agradecimentos à Chassi Tec do Seu Zé e da Senhora Harumy.

Chassi alinhado, moto na rampa novamente, os corpos de carburadores foram trocados, afinal a corrosão por um período tão longo de imobilização acabou entupindo dutos de ar, e avariando giclês e diafragmas, o que comprometeria seriamente o funcionamento, consumo e desempenho.

O carburador foi gentilmente cedido pelo Robson ET da Espaço Motos de São Bernardo do Campo. A suspensão dianteira foi trocada completamente aproveitando apenas as flautas e molas internas, tudo original da marca Showa.

O líquido de arrefecimento usado foi o da marca Honda, que já vem diluído na proporção correta e é pronto para uso, além do óleo de suspensão Mobil.

Procure usar sempre os itens recomendados no manual do proprietário, independente da marca de sua motocicleta. Só assim o fabricante pode assegurar o perfeito funcionamento de seu produto. Ressalva a raríssimas exceções.

Os pneus usados foram os Pirelli Sport Demon traseiro 140/70-17 e dianteiro 110/70-17, gentilmente cedidos pela JR Motos de Itanhaém SP.

O escapamento foi muito complicado, por falta de colaboradores e $. Como o antigo dono não tinha o original, optamos por retirar um antigo boca 8 sem miolo algum e colocamos um de uma marca que não será divulgada, afinal um escapamento original na concessionária sai por R$1.750,00 e gastei R$500,00 no atual que tem um ronco muito satisfatório e até bonito por sinal.

Os cromos das imagens foram feitos pelo antigo dono.

Conclusão, entre mortos e falidos, foram gastos só de peças R$3.700,00, o que foi bastante reduzido (considerando que não cobrei mão-de-obra de mim mesmo). A maioria das peças foram compradas na concessionária onde trabalho com desconto de 20% e tive apoio dos colaboradores que citei acima.

Montada a moto, era a hora de testar, não dá para sair direto para 800 km de estrada sem antes fazer muitos testes, acertos, tirar algumas conclusões e melhorar alguns itens. Rodei 300 km entre Itanhaém SP e o ABC paulista, passando pelo centro de SP, enfrentado trânsito, analisando o aquecimento do motor em várias condições. Foi detectado um cheiro forte de líquido de arrefecimento. Havia um vazamento pela junção plástica próximo à válvula termostática que foi sanado trocando o “O” ring de vedação, e percebi um pingo de líquido de arrefecimento pelo reservatório do líquido, que foi sanado com a aplicação de uma braçadeira que estava faltando.

Mais 600 km de testes, e nada anormal detectado, era hora de retirar o óleo que rodou somente 900 km após a revisão, trocar o filtro novamente para, agora sim, terminar o acabamento, pesos de guidão, manoplas retrovisores personalizados, adesivos de proteção do tanque... Enfim, a data da viagem estava chegando.

Uma coisa muito importante a salientar neste projeto foi uma pesquisa em relação ao óleo do motor. Afinal, o que todo motociclista quer, é ter baixíssima manutenção. Em outras palavras, colocar gasolina, esticar e lubrificar a corrente, “trocar o óleo” e andar. Diante de uma pesquisa que fiz com meus colaboradores, clientes e lojistas da região, optamos entre muitas marcas renomadas usar o óleo Yamalube. Atualmente atende a mais alta especificação e engloba todos os motores lubrificados por óleo mineral desde 1977 até 2011. Além de ser atestado pela maior entidade mundial no assunto, o que lhe concede o nível de qualidade JASO MA.

André Santos – Elisabete Novais.
ALS ADVENTURE
A VIDA SIMPLES E COM MAIS PRAZER.

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