Pelos caminhos do Ostrascycle

Entre os dias 21 e 30 de março, eu e dois amigos do Moto Grupo Motobelle Adventure fizemos uma viagem de moto de 3.500 km de nossa cidade, Goiânia-GO, até Rio das Ostras-RJ para participarmos do Ostrascycle 2015, encontro internacional de motociclistas. A seguir eu descrevo o dia a dia dessa viagem, os lugares que visitamos e a nossa participação no evento.

Componentes do grupo:

  • Oswaldo Junior e Maristela Barros - Suzuki VStrom 1000
  • Sérvulo Marques e Elizabeth Passos - Suzuki VStrom 650
  • Jesney Mendonça e Patrícia Mendonça - Triumph Tiger 800

Mas detalhes

Distância total percorrida: 3.500km - incluindo estradas e pontos turísticos visitados
Distância média entre os abastecimentos: aproximadamente 250 km.
Duração: 10 dias
Saída de Goiânia: 21/03/2015
Chegada a Goiânia: 30/03/2015
Roteiro de ida: Goiânia, Ribeirão Preto, Poços de Caldas, São Lourenço, Itatiaia, Rio de Janeiro, Búzios e Rio das Ostras.
Roteiro de volta: Rio das Ostras, Búzios, Rio de Janeiro, São Bernardo do Campo, Campinas, Ribeirão Preto, Uberaba, Uberlândia, Itumbiara e Goiânia.
Consumo de combustível de cada moto: 206 litros.

A viagem

Primeira etapa – sábado - 21/03/2015
Goiânia – Ribeirão Preto - 640 km

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Saímos de Goiânia no dia 21/03/2015 por volta das 8 horas da manhã, com as motos abastecidas, correntes engraxadas para aguentar a chuva e os bauletos superlotados, claro, porque as patroas estavam a bordo.

Pegamos a BR-153 com destino ao triângulo mineiro. Após o trevo de Morrinhos, pegamos chuva constante até a cidade de Itumbiara. Passamos a ponte do rio Paranaíba, divisa de Minas com Goiás, onde abastecemos as motos e a pança com o famoso pastel do Trevão. Seguimos com destino a Uberlândia e Uberaba por uma pista dupla com boa média de velocidade.

Chegamos a Ribeirão Preto por volta das 18 horas e fomos para o Hotel Comfort, com diária a R$ 157,00.

Depois do merecido banho e breve descanso, saímos à pé para a tradicional Choperia Pinguim, onde tomamos muitos chopes acompanhados de um bom tira gosto. Em seguida fomos dormir, pois a etapa do dia seguinte exigiria de nós muita atenção, a pista é sinuosa e a previsão era de chuva para o dia todo.

Segunda etapa – domingo - 22/03/2015
Ribeirão Preto – Poços de Caldas - 236 km

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Saímos de Ribeirão Preto por volta de 8 horas da manhã com destino a Poços de Caldas-MG. Chuvas intercaladas, muitas curvas e pista escorregadia.

Chegamos a Poços de Caldas por volta de 14 horas. Após breve descanso, fomos procurar pelos banhos com águas medicinais no balneário dirigido pelo Governo do Estado de Minas, situado no centro da cidade. Após breve entusiasmo, fomos surpreendidos com as portas do balneário fechadas, pois ele só funciona aos domingos até às 12 horas.

Fomos então beber chope e almoçar no tradicional Restaurante do Araújo, onde encontramos boa comida, bom atendimento, porém caro demais.

Após o almoço com bastante chope, resolvemos dormir em Poços de Caldas, pois bebida não combina com moto. Hospedamos no Hotel Varandas do Sol, com diária a R$ 150,00 e péssimo atendimento.

À noite pedimos pizza, jogamos pingue pongue para passar o tempo e depois fomos dormir.

Terceira etapa – segunda-feira - 23/03/2015
Poços de Caldas – Rio de Janeiro - 487 km

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Abastecemos as motos, lubrificamos as correntes e saímos de Poços de Caldas por volta das 8 horas da manhã. Seguimos viagem passando por São Lourenço e Itatiaia com chuva intercalada, muita serra e pista escorregadia. Passamos o maior sufoco nas curvas da Serra das Araras.

Chegamos por volta de 19 horas ao Rio de Janeiro, cansados pela tensão da Via Dutra, que é barra pesada, ainda mais à noite. Ficamos hospedados no hotel Ibis Copacabana, com diária a R$ 299,00. Apesar de ser um bom hotel, falta mais atenção dos recepcionistas na chegada dos clientes, inclusive falta pessoal para levar as malas até os quartos.

Depois de acomodados, resolvemos passar dois dias curtindo a Cidade Maravilhosa, Copacabana, Ipanema, Restaurante Garota de Ipanema e boteco informal e, para pegar uma boa praia, fomos para a Barra da Tijuca, onde a areia é branca e a água limpa, sem o esgoto a céu aberto que se tornaramas praias de Copacabana e Ipanema. Procurem pela Barraca do Pescador na reserva da barra da tijuca, bom atendimento e banheiros limpos.

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Já no trânsito o que impera é a buzina. Passamos o maior aperto para andar entre os carros, dentro dos túneis e nas autopistas, pois os motoboys andam no talo e com a mão direto na buzina. Bobeou, dançou, te empurram com o pé ou te dão um chega pra lá com o ombro. Se um cair, aí vira dominó, cai todo mundo que vem atrás, porque os caras só andam colados. Carro que não dá passagem para os cachorros loucos, eles quebram os retrovisores, selva total. Definindo a situação, são motoqueiros e nunca serão motociclistas.

Voltando da Barra da Tijuca, lá pelas 3 da tarde, caímos em uma blitz da polícia no Morro do Vidigal. E agora, todo mundo baleado, como vamos sair desta? Tamo ferrados. Depois dos policiais verificarem toda a nossa documentação, perguntaram se éramos de Goiânia. Após confirmarmos, perguntaram sobre a viagem e sobre nosso destino, informamos que íamos para o Ostrascycle em Rio das Ostras. Ficaram admirados e disseram que também eram motociclistas da PM. Após devolverem os documentos, desejaram boa viagem, agradecemos e eu disse amém para mim mesmo. PQP, essa foi foda, pois já tinha nego preso no teste do bafômetro. Saímos de mansinho e com o coração na boca.

Quarta etapa - quinta-feira - 26/03/2015
Rio de Janeiro – Rio das Ostras - 170 km

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Após abastecer as motos, por volta das 9 horas da manhã saímos do Rio com destino a Rio das Ostras, passando pela ponte Rio-Niterói, Itaboraí e Rio Bonito. Vários motociclistas na estrada seguindo para Rio das Ostras.

Tínhamos reservas no Vilarejo Praia Hotel, diária a R$ 300,00. Hotel de primeira e bom atendimento, a área das piscinas é show de bola.

Com nosso objetivo alcançado, estávamos ansiosos para ver o famoso e bem comentado Ostrascycle, encontro de motos patrocinado pela prefeitura de Rio das Ostras, evento muito bem estruturado e bem frequentado pelos motociclistas da região sudeste do brasil.

Ostrascycle 2015

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Rio das Ostras possui boas praias, cerveja gelada e bons frutos do mar em seus restaurantes tradicionais, além da presença de um excelente público apaixonado por motos, diversas bandas de rock e musica pop, que se apresentaram em todas as noites do evento.

Mesmo estando os organizadores acabando de montar o evento, vimos que se tratava de um grande e bem organizado encontro, muitas barracas de artigos motociclísticos, presença de belas mulheres e muitas motos de outros estados andando pela cidade e curtindo suas lindas praias.

Presenciamos também momentos tristes, primeiro foi o acontecido com o companheiro Oswaldo Júnior: estávamos na praia da pedra quando ele pisou em uma pedra submersa cheia de ouriços e seus pés ficaram lotados de espinhos. Passamos a manhã inteira tirando os espinhos do pé do nosso amigo. A coisa foi séria e a dor intensa. Tivemos que comprar pinças e agulhas para conseguir tirar todos os espinhos do seus pés. Além disso teve que tomar injeção no bumbum contra possível infecção.

No final da tarde presenciamos mais uma quase tragédia, pois aconteceu ao nosso lado. Um motoqueiro jaspion - eu disse motoqueiro, porque motociclista não faz a asneira que esse cara fez – em uma moto Honda CBR 1000 branca naked, veio a uns 100 km/h e tentou passar nos meios dos carros parados em um sinal de trânsito, não deu conta e encheu a traseira de um Vectra zerado. Simplesmente a moto do cara explodiu na traseira do carro, o cara foi arremessado para cima, rodopiou duas vezes no ar e caiu a uns 5 metros de distância. Tentou se levantar, caiu de novo, se arrastou até a calçada e ficou gemendo com a cabeça baixa. A moto deu PT, o tanque de gasolina explodiu, vazava gasolina para todos os lados e a frente da moto virou pedaços. Paramos nossas motos e tentamos saber se o cara estava bem. Constatamos que estava tonto e babando, além de escoriações na mãos. O pessoal já estava chamando a polícia e o resgate, além disso tentavam levantar a moto porque o incêndio era iminente. Que sensação horrível, o cara se salvou por milagre.

Depois deste fato voltamos ao hotel e fomos descansar para à noite assistir aos shows do evento.

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Outro fato lamentável é que a Polícia Militar estava fazendo blitz da lei seca na saída do encontro. Já haviam apreendido diversas motos e o sistema de alto falante do evento criticou a atitude da PM porque a blitz estava afastando os motociclistas. Esta questão deveria ser tratada com mais atenção pelo prefeito junto ao comando da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro antes do encontro começar, pois atitudes como essa só afastam os motociclistas visitantes deste encontro tradicional. Evento como este traz divisas financeiras para o município, dinheiro em tempo de crise movimenta a cidade, além dos hotéis e restaurantes que fazem a festa. A pergunta que fica no ar é a seguinte: quem não bebe uma cerveja em um evento motociclístico neste mundo de deus? Eu acho que quase todo mundo bebe. É babaquice e falta de inteligência das autoridades do município e falta de consideração para com os motociclistas que realmente fazem com que o evento seja um sucesso, concordam?

Continuando com nossa viagem, visitamos também as praias de búzios, paradisíacas e famosas pelas beldades globais que frequentam o lugar. Os preços nas barracas de praia e restaurantes em búzios são proibitivos.

Depois de curtir boas praias da região e aproveitar bastante o encontro, encerramos a noite de sábado com um belo show de rock do Ostrascycle.

Quinta etapa - domingo - 29/03/2015
Rio das Ostras - Ribeirão Preto - 868 km

Viagem de moto até o Rio de Janeiro

Após tomar um excelente café e abastecer as motos, saímos de Rio das Ostras às 7h30 da manhã com destino a Ribeirão Preto.

Trânsito pesado até a cidade do Rio de Janeiro, onde pegamos a Dutra e em seguida a D. Pedro I. Depois de Campinas seguimos pela Rodovia Anhanguera até a cidade de Ribeirão Preto. Chuva constante, muita carreta na estrada e, por estar apertando o passo, as motos começaram a beber barbaridade. Minha VStrom, que estava fazendo 18 km/l a 120 km/h, agora a 160 km/h estava fazendo 14 km/l, mas tínhamos que aproveitar o dia, pois rodar 868 km em um dia, não é nada fácil.

Chegamos a Ribeirão Preto por volta das 18 horas e muito cansados. Hospedamos no Hotel Vancouver, com diária a R$ 129,00 e bom atendimento, fica próximo à pista e facilitou a nossa saída no dia seguinte. De tão cansados nem saímos do hotel, pedimos pizza e cerveja e fomos dormir.

Sexta etapa - segunda feira - 30/03/2015
Ribeirão Preto - Goiânia - 640 km

Depois de um bom café e abastecer as motos, saímos de Ribeirão Preto por volta das 8 horas da manhã com destino a Goiânia, pela Via Anhanguera e BR 050 com chuva alternada.

Passamos por Uberaba e Uberlândia e chegamos no Trevão, onde paramos para abastecer as motos e almoçar. Seguimos pela BR-153, passamos por Itumbiara e pegamos uma tempestade daquelas de arrepiar jumentos, motos a 60 por hora e muito cuidado com as carretas, pois o spray dos caminhões prejudica a visão e a pista fica muito perigosa.

Chegamos a Goiânia por volta das 15 horas. Após nos cumprimentarmos e tecer elogios à nossa viagem, nos despedimos e já começamos o planejar nosso próximo evento.

Abraço a todos os companheiros da estrada.

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  • Allysson Oliveira

    Amigo,

    uma viagem e tanto. 3.500 km em 10 dias. Show de bola.

    Me permitam algumas considerações.

    O colega disse que a praia da Barra no Rio é limpa. Infelizmente não é verdade. Nenhuma praia no Rio, hoje em 2015, apresenta boas condições de banho. Tristemente é uma latrina a céu aberto. Uma vergonha para o país.

    O colega também fala do "absurdo" da blitz da PM no evento em Rio das Ostras/RJ, e que "todo mundo bebe" nesses eventos de moto.
    Infelizmente não dá mais para fazer isso, já há alguns anos, não dá para beber nada e dirigir, carro ou moto.

    Temos de rever nossos conceitos. Revi os meus. As coisas mudam. De moto, aderi a boas cervejas sem álcool como a alemã Erdinger Alkoholfrei.

    Outra coisa, o colega conta que pilotou sua V-Strom a 160km/h... velocidade incompatível com uma pilotagem defensiva segura.

    Um belo roteiro, mas discordo do colega quanto a beber e pilotar e também da velocidade dele na estrada.

    Ride Safe... se pilotar não beba, se beber não pilote.

    Abraços

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