Supostamente, para mim, a Albânia não representava mais do que a travessia do país, durante um dia, com plano de, se possível, atingir Tessalonica (na Grécia), no mesmo dia. Isto apesar dos medos que por cá, antes da partida, me tentavam incutir e os quais sempre rejeitei assumir.

Não seria possível de o fazer, tendo conseguido entrar na Grécia, isso após uma verdadeira lição sobre o que me esperava nesta viagem, em nível de dificuldades e perigos.

Descubro, logo à chegada a Durres que viajava com o documento do seguro da moto caducado. Obrigado a fazer um para atravessar o país, ponho-me a caminho. E que caminho. A rota que tinha escolhido era uma estrada que na sua quase totalidade se encontrava em obras. Depois de cerca de 80 km evitando escavadoras, cilindros, caminhões, etc., chego a uma parede. Tinham construído uma barragem e de momento não havia possibilidade de passagem. Obrigado a voltar para trás os mesmos quilômetros, indicam-me as montanhas ao norte como alternativa. Logo que tomo esse caminho o GPS indica-me fora de estrada…

Viagem de moto Nepal

A chuva aparece então tornar o cenário mais negro. Viajo em caminho de pedras e lama com inclinações terríveis e curvas de montanha. A moto, não indicada nem preparada para este tipo de condições, teima em fugir de frente nas descidas e patina nas subidas. Sinto que estou a arriscar muito para além dos limites aceitáveis. Mas quero desesperadamente sair dali. Mais tarde, nessa noite, juro a mim próprio não voltar a cometer o mesmo tipo de erros. Passam horas e não encontro vivalma. Ao cair da noite, quando já procurava um lugar possível de montar tenda e aquecer-me, sou “salvo” num episódio incrível. Ao longe, vejo um conjunto de casas e decido ir investigar, se dá para pernoitar, pois parecem desabitadas. Ao parar, surgem três crianças. Tento estabelecer diálogo, mas não me entendem. Reparto um chocolate que trazia comigo e sou surpreendido quando uma delas, olhando as bandeiras na moto, me pergunta, em brasileiro, se se tratava da bandeira de Portugal. A sua avó, emigrante brasileira, morava numa aldeia a alguma distância. Chamado um adulto, serve então de tradutor para me explicarem como sair da zona. Se tivesse continuado pelo caminho que seguia, talvez não saísse no dia seguinte, dizem-me. E assim, após mais algumas horas de condução, encontro a estrada que me levaria à fronteira com a Grécia.

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