Acabavam hoje os dias de planejamento, as entrevistas, o sururu à minha volta. Finalmente, no meio de uma pequena multidão, amigos, família e curiosos, faço-me à estrada na companhia de uma dezena de amigos que fizeram questão de me acompanhar na viagem de moto até a fronteira.

A emoção é intensa. Por fim chegou o dia. As despedidas na fronteira, os últimos abraços. Sendo todos importantes, não esqueço a presença do presidente do M.C.F., o Zé Amaro. Esta viagem também será dele.

Passada a Ponte do Guadiana abate-se um silencio doce sobre mim. Em comunhão absoluta com a estrada respiro as promessas de aventuras que o vento me traz. Portugal e Espanha eram suposto ser um cumprir de calendário. Não seria bem assim.

O segundo dia incluiu a etapa mais longa da viagem! Cerca de 500 km entre Córdoba e Valencia. A moto começa a ter um comportamento estranho. Acelero, mas ela não corresponde. Talvez seja impressão minha. Excesso de peso?! Em direção a Barcelona, no 3º dia, resolvo parar numa concessionária e pedir uma opinião. Dizem-me que está tudo bem. Mas não está…

Chego a Barcelona, já com a certeza que terei que ver melhor o problema. A isso há que juntar a necessidade de esperar por notícias de Portugal em relação ao visto para entrada no Irã. Viajo ainda sem o passaporte que mais tarde me será enviado para país a designar. Acabaram por ser 8 dias de espera em Barcelona, resolvendo o problema da moto: montar um variador de origem. O que tinha não oferecia garantia de longevidade para uma viagem destas. Este atraso faz com que recomece a viagem com dois overlanders da Malásia. Um deles era já um amigo que eu tinha abrigado no ano anterior na minha casa. Juntos apanhamos o ferry que liga a Civitavechia e rodamos algum tempo juntos. Bebo toda a informação e conselhos que me passam. É extraordinária a empatia e a amizade que nasce entre os viajantes.

Faizal, um deles, além dos conselhos viria a fazer com que pudesse contar com um apoio importantíssimo em Dubai: um outro overlander, numa missão humanitária. Desse falarei mais tarde.

E assim passava a Itália para o outro lado, chegando a Bari, já sozinho novamente, para apanhar novo ferry para a Albânia. Sentia nesse momento que a verdadeira aventura tinha começado. Nada, no entanto, me levava a prever o que viria pela frente.

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