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Portugal e Espanha

Do sonho à realidade

Olney e renata Era nossa intenção passear de moto através da rota romântica francesa, em meados de 2012. Um amigo, o Genaro, nos convenceu a mudar de ideia. Portugal e Espanha passaram a ser o nosso foco de atenção, pois não teríamos maiores dificuldades com as línguas faladas nesses países, poderíamos conhecer “in loco” a história e cultura de nossos antepassados e apreciar paisagens e locais magníficos. Nossas origens galega e lusitana acabaram falando mais alto. Além disso, os avós paternos se prontificaram a ficar de imediato com nossos filhos, a fim de permitir nossa ida à Europa já em 2011. Para tanto deveria deixá-los no Brasil, por um período que não excedesse quinze dias, já que esse era o tempo de férias que eu e minha esposa dispúnhamos. Tínhamos a oportunidade de uma segunda lua de mel por “mares nunca dantes navegados”, ou melhor, por estradas e lugares apenas sonhados. Pela primeira vez ficaríamos longe dos filhos por um período superior a um final de semana. 

1º dia - Terrinha à vista

Castelo de Sao JorgeSaímos do Brasil no dia 11 de julho de 2011, às 23h05, e chegamos em Lisboa no dia seguinte, às 12h45, depois de 10 horas de voo. Em função dos fusos horários e dos horários de verão adotados em Portugal e Espanha, os relógios foram adiantados em 4 e 5 horas, respectivamente. Os voos foram feitos por meio da TAP, de forma tranquila e segura.

Fomos recebidos no Aeroporto de Lisboa pelo Ricardo Azevedo, irmão do Carlos, da Motoxplorers, que nos levou ao Inspira Santa Marta Hotel, situado no centro de Lisboa, próximo à Praça Marquês do Pombal. Na garagem do hotel encontramos a BMW F 650 GS à nossa espera, devidamente equipada. Após recebermos o Tour Book, os capacetes, a documentação e seguro da moto fomos orientados sobre o uso do GPS e da moto, sobre as particularidades das estradas (pisos, placas, pedágios, postos de abastecimento, radares, etc.), bem como sobre o roteiro e hotéis escolhidos. Somente veríamos novamente o Ricardo Azevedo por ocasião da devolução no nosso retorno ao Aeroporto de Lisboa.

2º dia - No coração do Alentejo

Ruinas do Templo RomanoNo dia seguinte, dia 13 de julho, o destino final seria a cidade de Évora. Tínhamos diante de nós situações impares, pois pela primeira vez conduziríamos uma maxitrail, usaríamos um GPS e transitaríamos por cidades e estradas europeias. Mas sabíamos de antemão que esses e outros desafios tornariam nossa aventura mais interessante. No começo foi difícil, já que as grandes malas laterais, o top-case e a altura da moto obrigavam-nos a extensos malabarismos para galgarmos seu banco. Além disso, estávamos acostumados com as Harleys, que apresentam guidões altos, centros de gravidade baixos e bancos que permitem plantar os dois pés no chão. Após atravessar a Ponte 25 de Abril, um dos cartões postais de Lisboa, rapidamente alcançamos a estrada em direção à Serra da Arrábida, com o objetivo de almoçarmos em Setúbal. Todavia, como chegamos muito cedo nessa cidade, resolvemos seguir direto para Évora.

3º dia - Na capital da Andaluzia

BMW F 650 GSPartimos para Sevilha bem cedo, pois teríamos muitos quilômetros pela frente. Optamos por não fazer o roteiro mais cênico, panorâmico e longo, para aproveitarmos mais a terra do flamenco e das touradas. Seguimos pelas rápidas autoestradas, que são pedagiadas. Em suas entradas retirávamos os tickets que eram recolhidos nas saídas, ou seja, pagávamos somente as distâncias percorridas. Nós mesmos abastecíamos a moto nos postos, que ficavam situados em estradas paralelas às autoestradas. Durante uma boa parte do percurso, as plantações de girassóis foram um colírio para nossos olhos. Após uma ótima viagem, chegamos a Sevilha, em torno das 14h00. O céu estava azulíssimo. Aliás, durante nosso passeio presenciamos raríssimas nuvens no céu. O tempo era claro, quente e seco, mas suportável.

4º dia - À beira do precipício

O Parador de RondaCansados que estávamos, saímos de Sevilha um pouco mais tarde do que o programado. Nosso próximo destino seria a cidade de Ronda. Mesmo encurtando nossa rota, passamos por estradas vicinais permeadas de curvas e belas paisagens. Chegamos na hora da “siesta”. À tarde, na Espanha, é hora de dormir. O horário comercial é das 10h00 às 14h00, com pausa para a siesta, e retorno das 17h00 às 20h00. Tínhamos muito tempo disponível para visitar a cidade, pois em torno das 22h00 ainda era dia na Espanha.

5º dia - Visitando o paraíso na Terra

Palacio del PartalNo dia 16 de julho, colocamos a moto na estrada logo após o nascer do sol, pois queríamos conhecer Marbella antes de alcançarmos Granada. Descemos das montanhas através de uma sinuosa e bela estrada até o Mediterrâneo. A esta altura da viagem o comportamento da BMW e de seus ocupantes era mais íntimo e prazeroso. Porém, não nos arriscamos muito na velocidade e nas curvas, andando bem devagar para aproveitar as belas paisagens. Não foi preciso usar toda sua versatilidade, potência e eletrônica para concluir que a BMW é uma excelente motocicleta. Todo o tempo, suas suspensões apresentaram um comportamento exemplar, que permitia harmonizar conforto e rigidez.

6º dia - Na cidade das três culturas

altTínhamos pela frente uma etapa longa, quente e cansativa. Optamos novamente pelas autoestradas e por um pequeno trecho de estrada regional, já que nossa pretensão era chegar a Toledo o mais cedo possível. Antes de entrarmos na região de Castiilla y La Mancha, conhecida como a terra de Dom Quixote de La Mancha, enfrentamos o lindo e perigoso desfiladeiro de Despeñaperros. Pelo caminho vimos algumas povoações encantadoras, localizadas nos sopés das montanhas, com seus casarios brancos e rodapés azuis. Nesse dia, foram 420 Km percorridos numa velocidade um pouco mais elevada. Foram muitos os motociclistas que encontramos nas estradas, que nos saudavam com sinais dados com os pés. As motos que mais vimos foram as grandes estradeiras (Honda Pan European, BMW GS 1200, BMW RT e Harleys).

7º dia - Caminhando por Madrid

Na Plaza MayorDe Toledo a Madrid foram apenas 80 Km. Chegando ao nosso hotel, o Vincci Soho, situado no centro da cidade, largamos a moto e as bagagens e imediatamente partimos à pé para a descoberta da cidade.

Começamos nosso passeio pela Puerta del Sol, uma das áreas mais animadas de Madrid, com seus cafés e lojas.

8º dia - Cáceres, a cidade medieval

CaceresEnfrentamos fortes ventos laterais na região de Extremadura, que nos obrigaram a andar em velocidades mais baixas. Com isso, depois de 340 km de boas estradas e belas paisagens, chegamos um pouco tarde em Cáceres. Esta é considerada uma das cidades medievais mais bem conservadas da Europa. Uma boa parte da riqueza proveniente do Novo Mundo estimulou o livre-comércio e a construção de casas luxuosas e palácios fortificados.

9º dia - De volta à Lisboa

Leves e FelizesNosso retorno à Lisboa foi rápido e tranquilo. As opções de caminhos são tantas, que nos demos ao luxo de retornarmos inicialmente por uma bela estrada rural escolhida para, após cruzarmos a cidade de Badajoz, próximo à fronteira, pegarmos uma autoestrada para chegar mais rapidamente à Lisboa. Nosso objetivo eram as compras que ainda não tínhamos feito, já que não havia espaço suficiente na moto para tanto. Os pequenos suvenires adquiridos pelo caminho ocupavam os mínimos espaços das malas. Afinal, nosso lema era “leves e felizes”. De fato, regressamos para o Inspira Santa Marta Hotel muito felizes com o que vimos, sentimos e saboreamos. Foi uma viagem que recomendamos aos casais apaixonados que gostam de história, cultura, sabores e lugares maravilhosos.