A terceira etapa foi um teste à resistência dos suportes das malas e das correias. Como a distância era pequena, cerca de 300 km, e o ferry de Ancona para Zadar sairia só às 22h, levantámo-nos tarde. A paisagem era fantástica, havia um jardim muito bem tratado que deu para espairecer.

Depois de arrumadas as malas, iniciamos a viagem de moto. Nada fazia prever o que vinha a seguir. O itinerário era todo em estradas secundárias. Como havia tempo, colocamos estradas nacionais e secundárias no GPS. E as estradas secundárias na Itália só têm um buraco! É do princípio até ao fim!!!

Viagem de moto Europa Balcas Italia 04

Fiquei com a clara noção de que Portugal é um paraíso em estradas. Havia de tudo, buracos, desníveis consideráveis que faziam a moto voar, literalmente, rodeiras enormes, cruzamentos e entroncamentos mal sinalizados, coisa inimaginável. Fim do mundo!

Claro que só durou até a malta não aguentar mais e, a determinada altura, encontramos uma espécie de via rápida, também ela miserável! Mas que permitiu ir um pouco mais depressa.

Gostei especialmente dos caixotes dos radares, que apesar de ridículos, não sei porque lá estavam. Chegar aos 120 km/h naquela via rápida, só para condutores do Dakar.

Chegamos a Ancona, cidade portuária industrial, onde é difícil encontrar Italianos. Existe malta de toda a raça e cor.

Como estávamos na Itália, vá de comer uma pizza. Encontrámos uma pizzaria bem porreirinha e depois de despachar várias fresquinhas, que a sede era muita, estava um calor do camano, comemos umas pizzas à moda.

As estradas não prestam, mas as pizzas são fantásticas!

Viagem de moto Europa Balcas Ancona Italia 002

Como havia tempo, procuramos uma praia e, depois de vários quilômetros a ver o mar bloqueado por uma estrada de ferro, encontramos uma passagem superior que nos permitiu chegar ao mar.

Diga-se, um verdadeiro absurdo, a estrada de ferro veda a passagem e acesso ao mar e as pessoas que vivem em Ancona, para ir à praia, têm de percorrer 10 km para conseguir atravessar a linha.

Chegados à praia e numa esplanada junto da margem oeste do Adriático, passou-se uma bela tarde, onde até deu para dar uns mergulhos naquela água choca que, diga-se, parece uma piscina aquecida.

Fim do dia, lá fomos para o embarque, não sem antes perdermos o Runa em 200 metros de parque, hehehe.

O ferry era menor que o anterior, não leva caminhões e ia meio.

Viagem de moto Europa Balcas Ancona Italia 003

Como íamos passar a noite e não tínhamos reservas de camarote, ainda tentamos negociar com o rececionista dentro do barco, mais parecia uma feira em Marrocos. Depois de vários lanços de preço, não chegamos a acordo.

Foi dinheiro bem poupado! (bem se tramou o artista do rececionista que queria dinheiro para os copos)

Afinal, no segundo andar, havia ótimos sofás que nos permitiram passar uma boa noite. E mais uma vez, armamos o petisco e vá de regar a coisa. Ainda havia comida na mala com fartura.

E que belos panados e rissóis que o Pedro Marques faz, ou pelo menos diz que faz. Segundo o mesmo, dois dias antes tinha reduzido significativamente o estoque do galinheiro da mãe para, com aprumo, fazer uns belos rissóis de frango.

Nice…

Já agora, se o mediterrânio é calmo, o adriático é uma banheira…

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