De Porto Velho ao Fim do Mundo

Erramos o fuso horário, na Argentina o horário é uma hora a menos que no Uruguai, então fomos pegar as motos no estacionamento muito cedo, às 5 da manhã e, com muita ansiedade, afinal estaríamos rumando para a Patagônia, região muito famosa por suas belezas naturais e que é a porta de entrada para Fim do Mundo.

Pois é pessoal, como havia comentado antes, na ida para Caleta Olivia desviamos um pouco a rota e fomos para Punta Tombo, onde tem a maior colônia de pinguins da Patagonia. Tem pinguim para todos os gostos, pinguim grande, pequeno, filhote, pinguim morto, ovo de pinguim... Só não encontramos o pinguim do Batmam. Brincadeira pessoal.

Bem, continuando com nosso diário, hoje tivemos um dia terrível por conta dos ventos que açoitavam nossas motos, fazendo-as parecerem como bois de rodeio. Balançam para um lado, balançam para outro, fica difícil e perigosa a ultrapassagem de caminhões: na hora que emparelhamos com os mastodontes, todo o vento lateral é barrado pelo caminhão e a moto que estava obrigatoriamente inclinada por força do vento, de repente perde essa força lateral, fazendo a danada ir para cima do caminhão. Nesse momento, temos que reequilibrar a nojenta, só que nesse exato momento estamos saindo à frente do caminhão, pegando novamente e com mais força o vento lateral por conta da maior velocidade de ultrapassagem. Isso nos joga para o acostamento, só que não há acostamento, ou seja, se sair é chão e em alta velocidade é quase certeza de grave acidente por causa da velocidade utilizada na ultrapassagem.

Como era de se esperar, as fronteiras são sempre um tormento para quem está viajando. Em países de terceiro mundo, como os da América do Sul (Brasil incluso, claro), tudo fica mais difícil. É como dizia mestre Raul: "tem que ser selado, carimbado, rotulado se quiser voar...". No nosso caso, se quiser passar... Sinceramente, não entendo um Mercado Comum, onde nenhum dos povos dos países integrantes tem interesse em imigrar. Porque essa danada da burocracia tem que imperar. Deixa o turista ir e vir, livre para gastar em terras estrangeiras, sem aborrecimento e perda de tempo. Já existe um suposto Mercado Comum (negócios)!!! então deixa o povo passar.

Prezados leitores, finalmente chegamos ao Fin Del Mundo. Ushuaia foi atingida em cheio, com muitas fotos pelo caminho, poses de conquistadores e uma alegria indescritível ao ver o Portal de entrada da cidade. Estava muito frio para dois Amazônicos como nós, mas o espírito de conquista nos fazia esquecer esse detalhe.

Acordamos tarde no segundo dia no fim do mundo, afinal nos últimos 13 dias só madrugamos. Para quem me conhece, é um sacrifício. Gosto muito de dormir, mas não sou preguiçoso.

Fomos almoçar e o nosso guia sugeriu Parrilla. Falei que não gosto de carneiro, não gosto disso e daquilo. Pois não é que estava bom? Nunca comi uma carne de carneiro tão boa. E olha que não era cordeiro al fueguino.

Saímos de Ushuaia sob forte frio. O dia anunciava muita chuva, por isso tratei de improvisar uns sacos plásticos para não molhar as luvas comuns. O par de luvas com forro térmico e impermeável não entrou na minha mão nem a porrete (estava tudo enrolado dentro, não sei como um fabricante famoso faz uma porcaria dessas). A coisa ficou tão feia que o João Frank jurou que viu um ET de Varginha pilotando uma Midnight. Nem liguei, até o vento rasgar o danado do saco. O jeito foi encarar o frio de frente, só que não imaginava que seria tão forte. Pois é gente, pegamos neve na estrada. E como nevava... A Elielza gemia de um lado e eu de outro. Enfim, depois que passamos a parte mais alta da rodovia (Paso Garibaldi), tudo se acalmou.

A demora em sair de Punta Arenas foi porque precisávamos comprar um acessório imprescindível para quem viaja de moto por essas bandas. Esse acessório chama-se Protetor de Punho. Ele é muito útil para não deixar a mão congelar, pois bloqueia a entrada de vento, por isso recomendo a quem vier passear de moto por aqui não esquecer esse acessório, pois mesmo com luva térmica, o vento gelado insiste em endurecer as mãos.

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