De Porto Velho ao Fim do Mundo

Estávamos em Nazca jantando quando vi no GPS o caminho para Lima. Perguntei para a Elielza: "que tal a gente fazer um bata-volta a Lima? São só 1.000 km, 500 de ida e 500 de volta." Ela respondeu: "vamos". Era o que eu queria ouvir. Fomos para o hotel já com a ideia fixa de que almoçaríamos na capital Peruana. Dito e feito, 12 horas estávamos bem no centrão de Lima almoçando.

Depois do privilégio de ser recebido pelo James, em Abancay, tivemos má sorte ao abastecer a moto num posto na saída da cidade. Os malandros haviam batizado a gasolina e, dessa forma, compramos gato por lebre. Só que esse gato saiu bem caro, pois por pouco não chegamos a Cuzco. A moto começou a falhar logo na primeira subida. Quando trocava de marcha e acelerava ela engasgava a ponto de parar o motor. Logo desconfiei da gasolina e depois de inúmeras paradas resolvi misturar 5 litros da gasolina reserva. Tirei os baldes e despejei no tanque. Dei partida e a moto respondeu prontamente, agora com leves engasgos, mas com força suficiente para subir as montanhas da região. Quando chegamos a Cuzco ela voltou a engasgar, agora pra valer. Nos cruzamentos tinha que acelerar bastante e, mesmo assim, a moto não avançava, a ponto de alguns motoristas buzinarem alucinadamente. Pois é meus amigos, quem conhece Cuzco sabe como os caras gostam de buzinar. Agora imagine uma moto quase não saindo do lugar, no meio desses doidos. Foi um sufoco.

Pessoal, finalmente chegamos ao Brasil, em cima da hora, com a Imigração praticamente fechada (incrível, mas numa fronteira entre dois países tem horário para entrar e para sair: se o cidadão chega depois das 7 da noite não pode ir para o outro país. Se chega na parte da manhã, antes das 7, também não pode). Ao ver nossa chegada, uma cambista Peruana veio correndo e nos disse, "patrício, rápido que a imigração está fechando". Não contei conversa, peguei os documentos e ao chegarmos na tal imigração só tinha uma Chica, mal humorada, talvez por termos forçado ela ficar mais uns 5 minutos no expediente ( o tempo que durou carimbar, rotular, selar). Fomos dormir no Hotel de sempre (acho que é o único da cidade).

Depois de um dia de buraqueira, pegamos Rodovia boa, a BR 364, resultado dos 400 milhões de reais liberados pelo Ministério do Planejamento há 3 anos atrás, mas que só agora se vê alguma obra sendo realizada. Por falar em obra, ela continua sendo executada da mesma forma, ou seja, uma gambiarra projetada para se deteriorar com 2 anos e assim ter acesso à mina de ouro que é o Tapa Buracos.

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