Saímos de Ushuaia sob forte frio. O dia anunciava muita chuva, por isso tratei de improvisar uns sacos plásticos para não molhar as luvas comuns. O par de luvas com forro térmico e impermeável não entrou na minha mão nem a porrete (estava tudo enrolado dentro, não sei como um fabricante famoso faz uma porcaria dessas). A coisa ficou tão feia que o João Frank jurou que viu um ET de Varginha pilotando uma Midnight. Nem liguei, até o vento rasgar o danado do saco. O jeito foi encarar o frio de frente, só que não imaginava que seria tão forte. Pois é gente, pegamos neve na estrada. E como nevava... A Elielza gemia de um lado e eu de outro. Enfim, depois que passamos a parte mais alta da rodovia (Paso Garibaldi), tudo se acalmou.

Vinte quilômetros após Toulin, encontramos um motociclista na beira da rodovia sentado no capacete. O João logo imaginou: "o cara tá em apuros". E estava mesmo. Vou contar o ocorrido: o sujeito encontrado sentado no capacete, na rodovia para o Fim do Mundo, no Fim do Mundo, tinha ouvido falar que nevaria naquela noite (anterior) e resolveu acampar, para não correr o risco de ter que pilotar à noite com neve. Dito isso, digo pensado isso, ele armou a barraca, amarrou a moto no guardrail para o vento não levar e tratou de dormir. Ao acordar de manhã bem cedo, encontrou o pneu dianteiro de sua GS800 vazio. E agora José? o cara não tinha patavina para tirar a roda, muito menos consertar e encher o pneu (ele alegou que esqueceu tudo isso em uma cidade qualquer). Sugerimos a ele levantar as tralhas (incrível, mas tava tudo espalhado no acostamento, parecia que tinha passado um furacão – na verdade, por essas bandas passa algo bem parecido) que nós iríamos aplicar um reparo instantâneo e ele tinha que se picar para cidade mais próxima, cerca de 20 quilômetros adiante, em busca de um reparo definitivo. A verdade é que o cara ficou super feliz de sair dali, pois já estava a meio dia esperando um cara cair do céu. Caíram logo três. Batemos fotos com ele, dei um adesivo da nossa viagem, aperto de mão, etc. Aposto que toda vez que ele olhar nosso adesivo vai lembrar de três brasileiros que lhe tiraram de um tremendo sufoco.

A propósito, o dito cujo é francês e está a dezessete meses na estrada dando a volta ao mundo. De acordo com ele, depois de Ushuaia iria para a Austrália, depois passará toda a África, desde a África do Sul até Marrocos, entrando na Europa pela Espanha, enfim, um viajandão, como diz o povo brasileiro.

Continuamos nosso caminho para Punta Arenas (que deveria ser por Porvenir, mas mudamos de ideia por causa da falta de hotel na pequena cidade).

Por volta de meio dia, paramos para abastecer em Rio Grande e começou a chover... só que granizo, é mole? Depois de tudo que passamos o Pedrim nos sacaneou mais uma vez. Mas deixa pra lá, vamos chegar no Chile ainda hoje.

Dito e feito, chegamos a Punta Arenas ainda dia, mas já era noite 10h30min. Achamos rapidão um hotel graças ao bendito GPS, nos banhamos, fomos jantar e depois dormir como anjos, digo, como sonolentos. Amanhã vamos para Puerto Natales, para enfim, visitar as Torres Del Paine.

Saída de Ushuaia para Punta Arenas-Chile 08h30min – 510 km - Duração do trecho: 10h30min (rípio, aduanas, Estreito de Magalhães)

Combustível: R$ 145,00
Alimentação: R$ 140,00
Hospedagem: R$ 140,00
Manutenção: R$ 0,00
Diversos: R$ 28,00
Total: R$ 453,00

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