Prezados leitores, finalmente chegamos ao Fin Del Mundo. Ushuaia foi atingida em cheio, com muitas fotos pelo caminho, poses de conquistadores e uma alegria indescritível ao ver o Portal de entrada da cidade. Estava muito frio para dois Amazônicos como nós, mas o espírito de conquista nos fazia esquecer esse detalhe.

Entramos na cidade triunfantes, mas já a procura de uma oficina para realizar a manutenção nas máquinas. Não encontramos, cidade de trânsito complicado, com sinalizações fora do padrão. Confesso que me enrolei com o sistema, coisa de fim de mundo.

Decidimos então que faríamos as revisões no outro dia. O João encontrou uma oficina cujo mecânico se chama, adivinhem... Pablo. Parece que na Argentina todo mecânico de moto tem que se chamar Pablo. Foi Pablo em Buenos Aires, foi Pablo em Rio Grande, será Pablo em Ushuaia. Vai ter Pablo assim... na Argentina!!!

Dito isso, antes mesmo de irmos para o Hotel, tratamos de ir ao final da Ruta 3 (isso é obrigatório para qualquer motociclista que vem ao fim do mundo), no Parque Nacional Lapataia. Estava ameaçando cair um temporal. Tempestade por essas bandas, meu amigo, é sinônimo de neve. Fica muito complicado segurar moto custom, ela dança mais que o Coisinha de Jesus.

Apesar da ameaça, ela não veio, mas a chuva fraquinha foi o suficiente para fazer a moto escorregar muito nos 19 Km de chão batido até o final da famosa Ruta.

Paramos para almoçar já dentro do Parque Nacional: comemos uma empanada de Centolla (caranguejo gigante), uma coxinha de Pollo (frango) e seguimos em frente, agora com o pneu dianteiro com 15 libras a menos. Melhorou, mas a Elielza deu alguns gritos pelos sufoco passado. Prometi a ela que não cairíamos. Até agora nenhum terreno comprado.

Pois bem, chegamos à mais famosa placa da Ruta 3, a que indica o fim dela. São quase 18.000 km até o Alaska.
O parque é muito bonito, com várias trilhas para caminhar na floresta diferente. Me surpreendeu a falta de pássaros na região, tem poucos. Na verdade, no curto tempo que estivemos por lá, não vi nenhum. Ouvi um cantar ao longe, mas foi só isso.

Foi uma pena não podermos ficar mais tempo, tínhamos que voltar, pois a ameaça de temporal estava no ar novamente. Chega a ser impressionante como muda rápido o tempo aqui no fim do mundo. Hora o céu está totalmente encoberto, hora está claro como um dia de verão. Essa variação acontece sempre. Todo cuidado é pouco para quem vai fazer trilha.

Após a ida ao final da Ruta 3, finalmente chegamos ao hotel. Ficamos num quarto aconchegante, porém a dona do hotel, uma Argentina mal humorada, quase me tirou do sério. Imaginem o padrão de qualidade no atendimento da mesma: ela estava enclausurada na parte detrás do Hotel, e quando a chamamos para obter uma informação, a mesma disse que não queria ser incomodada por estar em repouso. Pode Arnaldo???

A noite chegou às 10h30min e fomos jantar. Comemos Centolla. A Elielza disse que o gosto parecia com caranguejo (tenho que rir da minha mulher).

Quando saímos do restaurante, estava tão frio que pensei que ia congelar. Até conseguir um táxi, passei pelo maior frio da minha vida. Tava de lascar, uns 200 graus abaixo de zero.
O aquecedor do nosso quarto salvou minha vida, então dormi tranquilo. Amanhã tem mais.


Saída de Rio Grande para Ushuaia: 08h30min – 210 km - Duração do trecho: 3h30min (Muitas paradas para fotos)
Combustível: R$ 60,00
Alimentação: R$ 180,00 (comemos Centolla)
Hospedagem: R$ 150,00
Manutenção: R$ 0,00
Diversos: R$ 20.00
Total: R$ 410,00

Comentários (7)

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que aventura bacana, tudo muito bomito.

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legao legao legao.......eu sento a misma emoÇao de vcs......y cade a cerveza gelada? kkkkkkk olea irmao les deseio siempre que u papadeus sempre fique con vcs y parabenes .....ah...... meu celular e. 984355768 i u otro e 953769465 este ultimo estou todo tempo y da Karina e 953768952..........

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Meu amigo Peruano, acho que na América do Sul, o único país que tem a verdadeira cerveja "helada" é o Brasil. Por essas bandas tudo é natural, no máximo fría. Só encontramos bebidas geladas nos pontos tradicionalmente turísticos. É isso aí.

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Prezada Alba, de onde tu és. Por acaso és a Alba do Junior de Porto Velho. Grande casal amigo nosso . Nos conhecemos a mais de dez anos sempre assim: eu Edi, minha mulher Elielza, ele Júnior, ele Alba. Por isso perguntei se você era a Alba de Porto Velho. Caso não seja, é um prazer conhecê-la.

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Valeu, podem esperar que daqui a 25 dias estaremos em Cusco.

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Boa noite...estou acompanhando a grande aventura de vcs. Também tenho uma Mid e programo essa viagem com minha esposa, percorrendo também todo o Chile, passando pelo Peru e entrando de volta ao Brasil pelo Acre. Somos de Itapema/SC. Uma curiosidade: como foi o trecho de ripio com a Mid e com garupa? Muitos me desaconselharam de fazer essa viagem com moto custom, qual sua opinião? Deus os abençoe e excelentes dias de aventura para vocês.

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Prezado Mauro. Toda moto Custom em rípio é ruim, principalmente depois que ele é patrolado (os caras vazem isso todo tempo). As pedras ficam soltas e a moto escorrega prá valer. Melhora quando se deixa o pneu dianteiro quase murcho, porém com um risco muito grande dele ser cortado. Deixei meio termo, mas mesmo assim é terrível com garupa. Acontece o seguinte: se a moto escorrega para um lado, a garupa vira para o outro. Isso é fatal. Falei varias vezes para a mina mulher...deixa que a moto eu piloto. Não tem jeito, uma escorregada e lá vem ela querendo controlar a máquina. Para tirar a dúvida, ela andou um pequeño trecho na Super Teneré do João, parceiro gaúcho que está nos acompanhando nesta viage. Resultado, eu sem garupa conseguir pilotar a Mid em alguns trechos de rípio a 90Km. Se você seguir sesas dicas dá para passar. A boa nova vem agora. Dos 120km de rípio, já tem 20km de pavimentação novinho, andamos nele. Agora são só 100km. Boa viagem para você e sua esposa.

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