Na ocasião desta viagem memorável ao extremo sul da América do Sul, além de percorrer de moto os confins de Chile e Argentina, tive a oportunidade de realizar duas belas caminhadas em regiões privilegiadas pela natureza.

O gasta-sola durou 2 dias em El Chatén, na Argentina e mais 4 dias no Parque Nacional Torres del Paine, no Chile.

Um dos maiores objetivos da viagem tinha chegado ao fim. Era chegada a hora de rumar para o norte.

A primeira etapa da empreitada foi nesta cidadezinha, conhecida como a capital argentina do trekking. É o lar do famoso Cerro Fitz Roy, montanha admirada por alpinistas do mundo todo.

El Chaltén foi fundada apenas em 1985, em meio a conturbadas disputas territoriais, na região de divisa entre Chile e Argentina. Por enquanto não passa de um vilarejo que conta com uma razoável infra-estrutura à trekkers e escaladores.

Quando cheguei ao lugar, o tempo andava fechado e não conseguia enxergar as famosas montanhas. Por isso só pude sentar e esperar pelo dia seguinte, na esperança de melhora meteorológica. Infelizmente não tive sorte. Para não comprometer o restante da viagem esperando até que o tempo se dispusesse a melhorar, coloquei o mochilão nas costas e parti para o acampamento próximo à base da montanha debaixo de chuva.

Mesmo sem poder ver o imponente Fitz Roy ao vivo, os dois dias de caminhada aos seus pés mostraram-se uma experiência bastante recompensadora.

O outro lugar que conheci à pé foi o Parque Nacional Torres del Paine, no extremo sul do Chile, mundialmente conhecido pelos amantes da natureza. Aqui foram 4 dias de caminhada, com a mochila recheada de roupas, comida e uma pequena barraca. Já a água, provenientes do derretimento das geleiras, poderia ser bebida a partir de qualquer fonte encontrada pelo caminho, sempre pura e cristalina.

O parque nacional Torres del Paine bastante grande, o circuito que dá a volta completa leva cerca de dez dias para ser completado.

Um dos atrativos do parque são suas formações rochosas peculiares, que convivem em grande harmonia com geleiras, florestas, lagos e cachoeiras As “torres”, que dão nome ao lugar, são avistadas logo no meu primeiro dia no parque, após cerca de 6 horas de caminhada em terreno de bastante aclive. Novamente, pouca sorte com a meteorologia.

Fazia muito frio e já estava começando a escurecer. Por isso, logo desci deste ponto até mais abaixo, onde estava acampado.

Muitas são as travessias que precisam ser feitas. Algumas são rios bem consideráveis, com grandes pontes já construídas. Outras vão sendo arranjadas conforme a necessidade.

Na década de 90 houve um grande incêndio no parque, causado por algum infeliz ao acender uma fogueira no parque, o que é terminantemente proibido.

O clima é extremamente instável, a toda hora muda. A capa de chuva precisava estar sempre preparada.

Só existe uma certeza dentro do Torres del Paine: vai chover! Ah sim, existe também uma possibilidade: pode ser que chova o tempo todo.

O sol resolveu se fazer de difícil e só deu as caras de verdade a partir do terceiro dia. O vento forte também foi marca registrada. Por vezes ele chega a desequilibrar a pessoa durante a caminhada. Obviamente a mochila pesada também contribui.

De qualquer forma é o visual é belíssimo, o negócio é deixar se contagiar pela natureza e entrar no clima.

Chega uma determinada hora, acampando no mato e caminhando o dia inteiro em trilhas, que a gente começa a se sentir um pouco como bicho mesmo. A interação com o local parece crescer e os sentidos ficam mais apurados para os sons e os detalhes à volta. Nada como deixa-se contagiar.

Nesta parte do relato, seguimos com as imagens registradas durante o trekking no Parque Nacional Torres del Paine, localizado no extremo sul do Chile.

Acampamento “Britânico”, gratuito, mas totalmente selvagem. Nestes espaços não costuma haver qualquer infra-estrutura, quando muito uma latrina para evitar práticas indesejadas, que aqui denominaremos “depósito de material indesejado em local indevido”.

Os enormes blocos de granito aparentemente têm uma idade bem inferior às montanhas existentes no Brasil. Nota-se pelo formato acentuado das escarpas, sinal de que foram muito menos erodidas do que as formações encontradas em solo brasileiro.

Toda esta área foi afetada pelo grande incêndio de 2005, citado na parte anterior. Repare nos troncos mortos das antigas árvores.

As incontáveis cachoeiras e cursos d’água, proveniente do derretimento de gelo no topo das montanhas.

O terceiro dia dentro do parque foi o menos árduo, mas foi também o mais longo: cerca de 9 horas de caminhada, com boa parte do caminho margeando o grande lago Nordenskjold.

Formações curiosas na base do Cerro Paine Grande. Esta foto foi tirada de muito longe, não consegui identificar o material de cor branca, mas não creio que seja gelo.

Fim da linha. Neste ponto tomei um barco que atravessa o lago Peohe até próximo a uma das portarias do parque. Lá se pode pegar um ônibus para o retorno à cidade de Puerto Natales, onde a moto havia ficado guardada. Assim me despedi do Parque Torres del Paine.

Um dos maiores objetivos da viagem tinha chegado ao fim. Era chegada a hora de rumar para norte.

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